Economia FMI espera crescimento de 2,5% e défice de 1,5%

FMI espera crescimento de 2,5% e défice de 1,5%

Metas do Governo para o crescimento da economia e o equilíbrio das contas públicas deverão ser superadas, escreve o Fundo no relatório de análise anual a Portugal.
FMI espera crescimento de 2,5% e défice de 1,5%
Reuters
Rui Peres Jorge 15 de setembro de 2017 às 10:00
O FMI espera que a economia cresça 2,5% este ano, registando um ligeiro excedente externo e um défice público de 1,5% do PIB, avançou a instituição na sexta-feira, dia 15, confirmando as previsões inscritas no comunicado que se seguiu a conclusão da última visita das equipas do Fundo a Portugal, e que trouxe revisões em alta do crescimento e do excedente externo e em baixa do défice, da dívida pública e do desemprego. A avaliação positiva sobre o momento nacional consta no relatório referente à análise anual à economia nacional feita ao abrigo do artigo IV da instituição, e publicado esta sexta-feira.

As estimativas de Washington apontam para um crescimento do PIB de 2,5% este ano e 2% em 2018, valores que comparam com as previsões anteriores de 1,7% e 1,5%. "A recuperação cíclica ganhou dinâmica em 2017, com uma recuperação das exportações e do investimento coincidentes com a continuação do crescimento do consumo privado", explica o relatório, que destaca o papel do turismo como "motor chave" do crescimento, embora sublinhe que há também uma "recuperação alargada das exportações de bens nos últimos trimestres, apoiada numa recuperação da Zona Euro".

Neste contexto, "os indicadores de confiança doméstica fortaleceram-se significativamente e o emprego continua a aumentar", o que leva o FMI a apontar para uma taxa de desemprego de 9,7% da população activa em 2017, menos um ponto do que a previsão da Primavera.

O maior dinamismo económico ajudará ao desempenho orçamental, mostra ainda o relatório. A "recuperação do crescimento põe o objectivo desde ano de um défice de 1,5% do PIB completamente ao alcance" e permitirá até uma redução do "stock" de dívida pública de 130,3% do PIB para 125,7% do PIB, um valor que fica quase três pontos abaixo da anterior previsão.

Este é um desempenho que, embora positivo, não deve impressionar, avisam os especialistas do FMI, que calculam que em termos estruturais, ou seja, descontando o efeito da retoma económica, o ajustamento orçamental desaparece. Num país com uma dívida pública tão elevada, mais seria de esperar, defendem: "uma consolidação orçamental estrutural duradoura é essencial para garantir a sustentabilidade das contas públicas, com a elevada dívida pública a permanecer um risco considerável e esperando-se um ambiente de financiamento menos favorável à medida que o estímulo monetário [do BCE] seja reduzido".

Excedente externo ainda em 2017

Nas estimavas do Fundo, os melhores resultados económicos não vão implicar uma degradação da posição externa, com a balança corrente [que mede as entradas e saída de dinheiro do país] a estabilizar num excedente compreendido entre 0,8% e 0,6% do PIB em 2016 e 2017, o que contraria a previsão anterior de um pequeno défice externo já este ano.

"O saldo corrente está a caminho de um excedente recorde em 2017, com a recuperação das exportações e o crescimento sustentado do turismo a compensarem, em parte, o crescimento da procura por importações", lê-se no documento, que acrescenta ainda que "embora a posição líquida negativa de investimento internacional do país permaneça elevada, a mudança para excedentes externos contribuiu para uma melhoria de -118% do PIB no final de 2014 para -105% do PIB no final de 2016". Em 2017 poderá mesmo ficar nos dois dígitos.

Mas, tal como acontece com a dívida pública, os técnicos de Washington sublinham que embora a evolução nas contas externas seja positiva, seria desejável fazer mais numa economia tão endividada face ao exterior: "O staff identifica um ‘gap’ de cerca de 2% a 4% do PIB face ao excedente da balança corrente que seria necessário para garantir uma redução significativa no médio prazo da posição de investimento internacional", lê-se no relatório onde se defende mais consolidação orçamental e mais reformas estruturais que aumentem a competitividade e o crescimento potencial do país.



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