França vai "tomar iniciativa" na ONU para missão pacífica em Ormuz, diz Macron
"Precisamos de obter a reabertura incondicional de Ormuz, sem portagens. Isto é possível desmantelando todos os bloqueios e envolvendo-nos verdadeiramente neste diálogo exigente com o Irão", frisou o chefe de Estado francês.
A França vai "tomar a iniciativa" nas Nações Unidas para propor uma missão "completamente neutra e pacífica" para garantir a segurança do estreito de Ormuz no futuro, adiantou esta terça-feira o Presidente francês, Emmanuel Macron.
"Precisamos de obter a reabertura incondicional de Ormuz, sem portagens. Isto é possível desmantelando todos os bloqueios e envolvendo-nos verdadeiramente neste diálogo exigente com o Irão", frisou o chefe de Estado francês em declarações à TV5, France 24 e Radio France Internationale.
Macron, que falou no final de uma cimeira franco-africana, lamentou "uma escalada nas declarações" dos lados norte-americano e iraniano e apelou a um "cessar-fogo totalmente respeitado", considerando inaceitável que não esteja a ser respeitado no Líbano.
França e Reino Unido, liderando uma coligação marítima de países não beligerantes, propõem uma missão multinacional para garantir a segurança do estreito de Ormuz, assim que o Irão e os Estados Unidos aceitem suspender os respetivos bloqueios, e em consulta com estes dois países.
Prevê-se que a iniciativa na ONU assuma a forma de um projeto de resolução para o Conselho de Segurança das Nações Unidas, para estabelecer um enquadramento para esta potencial missão.
Paris quer convencer Teerão e Washington a desvincular o destino de Ormuz do resto do conflito e das negociações com o Irão.
O bloqueio desta passagem marítima estratégica dificulta a exportação de hidrocarbonetos do Golfo e faz subir os seus preços, impactando a economia global.
"A reabertura de Ormuz é a prioridade absoluta", insistiu o Presidente francês, sublinhando que deve acontecer "antes de abordar outras questões através de negociações".
Entretanto, Emmanuel Macron acredita que o diálogo deve ser retomado "sobre a questão nuclear e dos mísseis balísticos entre o Irão e os Estados Unidos", mas também com os europeus.
"Apoio a ideia de que devemos incluir todos os países da região que são mais afetados pelo que estamos a viver atualmente e que são também afetados pela desestabilização que certas milícias podem criar nos seus países", acrescentou.
Um projeto de resolução promovido pelos Estados Unidos e pelo Bahrein, que estipula que o Irão deve "cessar imediatamente todos os seus ataques e ameaças" contra navios e "qualquer tentativa de impedir" a liberdade de navegação no estreito estratégico, também está em discussão no Conselho de Segurança da ONU, mas corre o risco de ser vetado pela Rússia.