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Guia para perceber o mundo das sondagens

De hoje até às eleições vai ser bombardeado com várias sondagens, um exercício precioso, mas limitado para conhecer as intenções de voto

26 de Maio de 2011 às 11:17

Que confiança devo ter nas sondagens políticas?

Numa sondagem confie pouco, em muitas confie bastante. Este é um dos conselhos de Pedro Magalhães. O investigador garante nunca ter visto qualquer indício de manipulação em sondagens em Portugal e diz que as metodologias e as técnicas têm, aliás, vindo a ser melhoradas ao longo dos anos. Mas lembra também que convém ter presente as suas limitações: tratam-se de estudos de opinião, com constrangimentos técnicos como a dimensão das amostras, a forma de inquérito, a volatilidade das opiniões, e a taxa de resposta. Questionado sobre se confia numa sondagem feita a mil pessoas, entrevistadas por telefone, em dois dias e com uma amostra não aleatória, Magalhães responde: "Quando olho para uma sondagem penso: mostrem-me mais".

A dimensão da amostra é importante?

É decisivo. Quanto maior for a amostra, menor será o erro e maior a precisão da estimativa. Pedro Magalhães diz contudo que, "também não é necessário ir para os sete mil ou oito mil" em caso de sondagens políticas. "Os valores dos 800, 1.000, 1.500 são perfeitamente razoáveis para estudos em que a única coisa que pretendemos fazer é uma descrição", defende.

Uma sondagem feita apenas com base em telefone fixo prejudica os resultados?

Sim, prejudica, mas não se sabe bem em que dimensão. Se a amostra é constituída por pessoas seleccionadas a partir de uma lista de telefones fixos, ou mesmo se as pessoas foram contactadas apenas pelo telefone fixo, então é possível que se esteja a enviesar a amostra para um tipo de população mais conservadora, por exemplo. Mas outros métodos de inquirição também têm problemas: se o inquérito for presencial, então as empresas vão apenas a 19 ou 20 freguesias no País, o que também condiciona muito a amostra.

As amostra são sempre aleatórias?

Idealmente, sim. Na realidade, poucas vezes. Nas cinco principais empresas as práticas são muito variadas: há a que usa uma base de dados própria com 30 mil nomes (que não explicam como foram obtidos) que utiliza para fazer uma selecção aleatória dos inquiridos (Aximage). Há as que preferem amostras por quotas: isto é, vão fazendo contactos telefónicos aleatórios até preencherem um número pré-definido em determinadas características, por exemplo, 52% mulheres, ou 33% com mais de 60 anos (Marktest e Intercampus). Há ainda as que fazem inquéritos presenciais, escolhendo pessoas aleatoriamente, mas entre habitantes de 19 (Universidade Católica) ou 20 freguesias (Eurosondagem). A amostra ser aleatória é essencial para o tratamento matemático da informação, nomeadamente, para cálculo dos intervalos de confiança.

O que significa o intervalo de confiança?

As fichas técnicas incluem obrigatoriamente estimativas para a margem de erro da sondagem. Por exemplo: um intervalo de confiança de 95% para um erro de mais ou menos 3% pontos percentuais sobre o valor da sondagem. Isto quer dizer que se a sondagem fosse realizada 20 vezes, apenas em uma delas o resultado correcto estaria fora do intervalo criado pelo valor da sondagem - aumentado ou subtraído de três pontos percentuais. Visto pelo prisma de Pedro Magalhães: "O intervalo de confiança usado na maioria das sondagens [95%] significa que uma em 20 sondagens estaria fora do resultado dado. Um em vinte não é assim tão difícil", diz, defendendo por isso a importância de se considerarem muitas sondagens. Um outro problema, mais grave, resulta do facto do intervalo de confiança só ter sentido matemático se calculado para amostras aleatórias, o que não acontece na maioria das sondagem. Magalhães defende, contudo, que as diferenças nos erros (e intervalos de confiança) entre amostras aleatórias e as que são efectivamente usadas são pequenas.

Quantas empresas de sondagens existem?

Na Entidade Reguladora para a Comunicação Social (ERC) estão registadas 17 empresas. Destas, apenas cinco fazem sondagens a nível nacional para vários órgãos de comunicação social: Aximage (Correio da Manhã e Jornal de Negócios); Eurosondagem (Expresso, Rádio Renascença e SIC); Centro de Estudo e Sondagens de Opinião da Universidade Católica (RTP, Antena 1, Jornal de Notícias e Diários de Notícias); Marktest (Diário Económico e TSF). As restantes 12 empresas trabalham essencialmente a nível mais regional ou municipal. Algumas destas empresas fazem sondagens também para partidos.

Quanto custa uma sondagem e que recursos implica?

Os valores e recursos variam muito com o tipo de inquérito. Em Portugal, uma sondagem política consegue fazer-se com custos a partir dos cinco mil euros, mas pode custar bem mais. Nas últimas sondagens depositadas na ERC o número de entrevistadores por sondagem ronda as quatro a cinco dezenas e o número de inquiridos varia entre os 600 e os 2000. No caso de inquéritos de grande dimensão, normalmente de cariz académico, os custos podem facilmente ultrapassam os de cem mil euros.

Uma taxa de resposta elevada é bom?

Em princípio sim. Se se cria uma amostra aleatória e depois só se entrevista uma parte pequena dessa amostra - a que esteve mais disponível para responder - então estar-se-á a enviesar os resultados incluindo um peso desproporcional de pessoas mais motivadas a responder. Nesse caso, diz Pedro Magalhães, "a amostra deixa de ser aleatória para se tornar numa amostra das pessoas que gostam de responder a sondagens", que avisa ainda: "Nas fichas técnicas é óbvio que as empresas não estão a falar do mesmo quando se referem a taxas de resposta: não é possível uma amostra ter uma taxa de sucesso de 15% e outra de 75%", diz, acrescentando: "têm de estar a falar de coisas diferentes". A não uniformização de critérios é, aliás, uma das criticas do investigador à ERC.

Quem regula o sector?

A Entidade Reguladora para a Comunicação Social (ERC) é o regulador. Força ao registo das empresas e ao depósito e publicação das fichas técnicas das sondagens no seu site. Mas Pedro Magalhães entende que seria preciso fazer melhor.

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