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Invasão do Capitólio: O “assalto” que feriu a democracia

Contestação de Trump aos resultados eleitorais levou milhares de americanos a tentarem sabotar a vitória de Biden. Ato foi classificado de terrorismo interno.
Joana Almeida 24 de Dezembro de 2021 às 09:00

As quatro horas e invasão terminaram com cinco vítimas mortais. Invasores conseguiram infiltrar-se na polícia, mas não conseguiram o que queriam: queimar os votos e impedir a vitória de Biden.

Cinco mortos, 140 feridos e mais de 700 processos-crime instaurados. Este é o balanço de um dos dias mais negros da democracia norte-americana. O Congresso preparava-se para certificar a vitória de Joe Biden como 46.º presidente dos Estados Unidos quando a sede do poder legislativo foi abalada por uma tentativa de golpe de Estado incitada pelo Presidente vencido, Donald Trump. A insurreição foi mal sucedida, mas deixou uma dolorosa mancha numa democracia que gosta de servir de exemplo para o mundo.

Durante cerca de quatro horas, milhares de apoiantes de Donald Trump tomaram o Capitólio de assalto com o argumento de que as eleições de novembro foram uma "fraude" e que a vitória do democrata Joe Biden não era "legítima". A narrativa, alimentada por Trump durante meses, gerou protestos violentos para impedir a validação da vontade expressa pelos eleitores nas urnas.

Horas antes da invasão ao Capitólio, Trump apelava, em comício, a um "grande protesto", depois de a Justiça ter negado anular a eleição. "Vamos ao Capitólio e dar aos republicanos o orgulho e ousadia que precisam", referiu. Apesar de posteriormente o Senado ter decidido não julgar Trump pelo crime de incitamento ao ódio, essas palavras foram o combustível necessário para o caos que se gerou na tarde de 6 de janeiro de 2021. "Tragam armas. É agora, ou nunca", escreviam os apoiantes de Trump, nas redes sociais.

Por volta das 13h00 (18h00 em Portugal), a multidão empurrou as barreiras de segurança e entrou no Capitólio onde decorria a sessão de certificação dos votos. O que se seguiu foi um rasto de destruição e um balanço trágico: quatro manifestantes e um polícia morreram nos confrontos e partes do edifício histórico ficaram danificadas. Soube-se mais tarde que alguns polícias permitiram a entrada dos invasores, tendo inclusive pousado para "selfies", que foram mais tarde reveladas. Entre os manifestantes estavam supremacistas brancos e membros de grupos de extrema-direita.

Das centenas de detidos, 50 foram condenados por conspiração. O FBI classificou os acontecimentos de terrorismo doméstico e a comissão de inquérito ao caso continua ainda a apurar responsabilidades. Já os votos, que os manifestantes queriam queimar, foram salvos e permitiram confirmar a eleição de Joe Biden, que tomou posse a 20 de janeiro.

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