Europa aproxima-se de acordo sobre ativos russos após conversações em Londres
A reunião em Londres entre Starmer, Zelenskiy e os líderes da França e da Alemanha ocorreu num contexto de preocupação dos governos europeus de que uma iniciativa de paz mediada pelos EUA para pôr fim ao conflito na Ucrânia implique demasiadas concessões ao líder russo Vladimir Putin.
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Os líderes europeus estão cada vez mais confiantes de que chegarão a um acordo para usar os ativos russos congelados antes do final do ano, após conversações em Londres, mesmo com a distância que ainda existe entre a Europa e os EUA quanto à concessão de garantias de segurança a Kiev.
Volodymyr Zelenskiy e os seus aliados fizeram "progressos positivos" para utilizar os ativos soberanos russos imobilizados para apoiar um empréstimo de 90 mil milhões de euros para a reconstrução da Ucrânia, afirmou o gabinete do primeiro-ministro britânico Keir Starmer após a reunião de segunda-feira. Os líderes europeus estão agora otimistas quanto à possibilidade de se chegar a um acordo antes do Natal, segundo avança a Bloomberg, citando pessoas familiarizadas com o assunto.
Os aliados da Ucrânia estão sob crescente pressão para encontrar novas fontes de financiamento depois de a Administração dos EUA, liderada por Donald Trump, ter suspendido em grande parte a ajuda ao país devastado pela guerra. À medida que as negociações de paz entre Washington, Moscovo e Kiev se intensificaram nas últimas semanas, os EUA chegaram mesmo a sugerir que poderiam usar o dinheiro para investimentos no pós-guerra.
A União Europeia apresentou na semana passada uma proposta para utilizar os ativos imobilizados, uma vez que estima que a Ucrânia precisará de 135 mil milhões de euros nos próximos dois anos para manter os serviços básicos em funcionamento e apoiar as suas forças armadas.
Mas a UE teve de enfrentar a oposição ao plano por parte de vários países do bloco, incluindo a Bélgica, onde se encontra a maior parte dos fundos. Os líderes reunir-se-ão em Bruxelas a 18 de dezembro para tentar chegar a um acordo.
"Estamos agora muito perto de encontrar uma solução legal e politicamente sustentável", disse a ministra dos Negócios Estrangeiros da Finlândia, Elina Valtonen, numa entrevista à Bloomberg TV esta segunda-feira. "Penso que usar os ativos do banco central russo para financiar a sobrevivência da Ucrânia não é apenas moralmente, mas de muitas outras formas, a coisa certa a fazer".
A reunião em Londres entre Starmer, Zelenskiy e os líderes da França e da Alemanha ocorreu num contexto de preocupação dos governos europeus de que uma iniciativa de paz mediada pelos EUA para pôr fim ao conflito na Ucrânia implique demasiadas concessões ao líder russo Vladimir Putin.
Os líderes "alinharam uma posição comum sobre a importância das garantias de segurança e da reconstrução e concordaram com os próximos passos", disse Zelenskiy no X. O controlo sobre as regiões orientais da Ucrânia, bem como as garantias de segurança dos aliados, estão entre uma série de "questões sensíveis" que requerem mais discussões, segundo explicou ainda o Presidente ucraniano à Bloomberg News.
A reunião em Londres foi seguida por uma chamada com líderes da UE, Finlândia, Noruega, Itália, Dinamarca, Polónia, Suécia, Países Baixos, NATO e um alto representante da Turquia.
A declaração britânica indicou que os conselheiros de segurança nacional dos governos europeus continuariam as discussões nos próximos dias. "Todos os líderes concordaram que este é um momento crítico e que devemos continuar a aumentar o apoio à Ucrânia e a pressão económica sobre Putin para pôr fim a esta guerra bárbara", avançou o gabinete de Starmer.
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