Economia Maioria dos jovens em Portugal não consegue arrendar ou comprar casa, diz Cáritas

Maioria dos jovens em Portugal não consegue arrendar ou comprar casa, diz Cáritas

A maioria dos jovens em Portugal não consegue arrendar ou comprar casa devido aos empregos precários e a um mercado de habitação com preços muito elevados, segundo um relatório da Cáritas Europa, que é divulgado esta terça-feira em Lisboa.
Maioria dos jovens em Portugal não consegue arrendar ou comprar casa, diz Cáritas
Miguel Baltazar
Lusa 27 de fevereiro de 2018 às 00:23

"Os preços da habitação em Portugal, quando comparados com a média dos valores dos rendimentos, são desproporcionados. Os jovens precisam de um futuro", refere o estudo, que descreve os principais desafios relacionados com a pobreza e a exclusão social entre os jovens em Portugal.

 

O desemprego, os empregos precários, os contratos irregulares e os baixos salários fazem com que seja "muito difícil" um jovem conseguir suportar os custos de habitação, alerta o documento. "Assim sendo, os jovens não se comprometem com o arrendamento ou compra de habitação", salienta o documento, que destaca um estudo do Núcleo de Observação Social da Cáritas Portuguesa (NOS), segundo o qual "a situação da habitação tornou-se incontrolável", apesar de algumas medidas implementadas,

 

Segundo o estudo, o preço das casas antigas sofreu um novo aumento (9,2%), mais elevado que o preço das casas novas (3,5%) subindo em média 7,1% em 2016 e 7% apenas no primeiro trimestre de 2017".

 

A maioria das habitações sociais precisa de obras, estimando-se que os custos superem os 50 milhões de euros, refere o documento, observando ainda que a oferta de casa para os grupos mais vulneráveis "praticamente desapareceu".

 

Em declarações à agência Lusa, o presidente da Cáritas Portuguesa, Eugénio Fonseca, adiantou que "a autonomia dos jovens é adquirida cada vez mais tarde". "A autonomia passa muitas vezes por uma vida independente que é ter habitação própria e os jovens com o dinheiro que auferem não têm acesso à habitação, as rendas são muito elevadas", disse Eugénio Fonseca, sublinhando que, nos últimos anos, o valor das rendas em bairros antigos aumentou 20%.

 

Para ultrapassar este problema, o relatório recomenda aos decisores políticos que facilitem a "habitação a preços acessíveis para os jovens de acordo com os seus rendimentos e proporcionar-lhes a oportunidade de iniciar uma vida independente".

 

O relatório alerta ainda para o desemprego jovem, afirmando que "é um flagelo que atinge muitas famílias, e acima de tudo, condiciona os sonhos e aspirações da juventude em Portugal" e "compromete o futuro do país".

 

"As oportunidades de emprego e os níveis salariais diminuíram acentuadamente desde a crise financeira de 2008. Portugal regista ainda um elevado nível de desemprego jovem, muitos deles emigraram a as habilitações de nível superior não estão a ser valorizadas pelo mercado de trabalho", sublinha.

 

Analisando o relatório, Eugénio Fonseca disse que este aponta para "a necessidade de uma maior articulação e de acompanhamento das políticas sectoriais".  "Há que identificar os atores que têm intervenção directa na superação das causas da pobreza", disse, defendendo que essa responsabilidade não pode apenas ser entregue ao Ministério do Trabalho, da Solidariedade e da Segurança Social".

 

Segundo o presidente da organização, "todas as preocupações colocadas no relatório foram cruzadas com as preocupações europeias". "Situámo-nos naquilo que nos parece ser a pobreza mais preocupante no domínio dos jovens que é a educação, a habitação e o trabalho", vincou.

 

Eugénio Fonseca explicou que as propostas apresentadas já têm em conta algumas medidas que os governos têm implementado em Portugal, mas também a experiência dos 20 países da Europa que cooperaram na elaboração do relatório".




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comentários mais recentes
Anónimo 27.02.2018

Se os jovens tivessem mais e melhores empregos e salários condignos talvez não tivessem dificuldade em comprar ou arrendar casa, entretanto o governo cacareja que o desemprego baixou não tendo contribuindo em nada para isso, se não fosse os privados estávamos todos a chuchar na teta da vaca voadora.

Anónimo 27.02.2018

O comuno-socialismo luso, presente em todos os sindicatos e em muitos partidos de Portugal, obedece a uma intrigante lógica que agita a bandeira da educação mas que quando vê alguém que se educou e foi capaz de inovar ao ponto de fazer desaparecer onerosas e ineficientes carreiras que garantem postos de trabalho obsoletos pagos por contribuintes, consumidores, investidores e trabalhadores com real procura de mercado, levanta de imediato uma bandeira especial do trabalho e diz, em mau tom, ao inovador educado, para fugir do país ou mudar compulsivamente de ocupação abdicando dos potenciais rendimentos que adviriam da inovação conseguida. O comuno-socialismo é psicopata e criminoso. Uma verdadeira doença mental grave, perigosa para todo e qualquer processo de criação de valor.

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