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Mourinho Félix: "O tempo encarregar-se-á de Dijsselbloem"

O secretário de Estado das Finanças de Portugal, Ricardo Mourinho Félix, afirmou esta quinta-feira, em entrevista à CNBC, que o tempo irá encarregar-se do presidente do Eurogrupo.

Correio da Manhã
Carla Pedro cpedro@negocios.pt 20 de Abril de 2017 às 21:01
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A polémica continua. Ricardo Mourinho Félix sublinhou esta quinta-feira, em declarações à CNBC, que os dias de Jeroen Dijsselbloem à frente do Eurogrupo estão contados.

 

Dizendo-se chocado com as declarações de Dijsselbloem – que no passado dia 19 de Março disse numa entrevista ao Frankfurter Allgemeine Zeitung, que os países do sul não podem "gastar o dinheiro todo em álcool e em mulheres" –, o secretário de Estado das Finanças de Portugal salientou hoje que "o tempo encarregar-se-á de Dijsselbloem".

"Portugal e o governo português mantêm tudo o que foi dito desde o momento em que Dijsselbloem expressou ideias erradas e da forma errada", acrescentou Mourinho Félix.

 

No passado dia 7 de Abril, Mourinho Félix confrontou o presidente do Eurogrupo à entrada da reunião dos ministros das Finanças da Zona Euro, pedindo que apresentasse um pedido de desculpas na reunião. Dijsselbloem reagiu prontamente, dizendo que a postura de Portugal neste processo foi "chocante".

 

Desde a publicação dessas declarações, muita água tem corrido, mas Dijsselbloem tem-se mantido de pedra e cal e assegurou que, naquela mesma reunião do Eurogrupo, nenhum país – incluindo Portugal – pediu a sua demissão nem sugeriu que se procurasse um sucessor. As Finanças não desmentem a versão do ministro holandês.

1 de Abril

1 de Abril
Expresso noticia que Centeno foi "sondado" para o Eurogrupo - Mário Centeno é, segundo o Expresso, um dos nomes falados para substituir o presidente do Eurogrupo, Jeroen Dijsselbloem. Onze dias antes, o holandês tinha dito em entrevista que "eu não posso gastar o meu dinheiro todo em aguardente e mulheres e pedir-lhe de seguida a sua ajuda", gerando uma enorme polémica e pedidos de demissão, entre os quais o de António Costa que classificara as declarações de "xenófobas, racistas e sexistas". O semanário cita uma fonte governamental anónima e acrescenta que o Governo considera que, "para já", colocar Centeno na presidência do Eurogrupo "não é uma prioridade".

4 de Abril

4 de Abril
Primeiro-ministro confirma possibilidade - Em entrevista à RR, Costa afirma que Centeno foi sondado para presidir ao Eurogrupo, sem revelar onde nem por quem, mas acrescenta que essa não é uma "prioridade", pelo menos "nesta fase". "Não temos como prioridade a candidatura do Dr. Mário Centeno" e "julgamos que nesta fase é útil" o ministro das Finanças "ter uma margem de liberdade maior". Volta a pedir a saída de Dijsselbloem, dizendo que este se mostrou "incapaz" de exercer as suas funções. Também antes, em 22 de Março, repetira esse pedido, dizendo que "numa Europa a sério o presidente do Eurogrupo já estava demitido".

7 de Abril

7 de Abril
Dijsselbloem considera reacção de Portugal "chocante" - Dijsselbloem considera "chocante" a reacção de Portugal, referindo-se às palavras de António Costa. Fá-lo perante o secretário de Estado das Finanças e depois de Mourinho Félix lhe pedir que se retractasse. Perante câmaras de TV, à entrada da reunião do Eurogrupo em Malta, Mourinho diz: "Quero dizer-lhe que foi profundamente chocante aquilo que disse dos países que estiveram sob resgate e gostaríamos que pedisse desculpas perante os ministros e a imprensa." Resposta do holandês: "Eu vou dizer alguma coisa sobre isso, mas a reacção de Portugal também foi chocante. Não lhe vou exigir um pedido de desculpa, mas vou dizer alguma coisa."

10 de Abril

10 de Abril
Dijsselbloem sublinha que Portugal não pediu demissão - Em entrevista a um jornal holandês, o presidente do Eurogrupo afirma que, ao contrário do que esperava, Mourinho Félix não pediu a sua demissão durante a reunião de Malta. "Esperava que o colega português pedisse a minha demissão, mas ele não o fez." Dijsselbloem garante também que nenhum ministro o fez e que recebeu "apoio activo e passivo" dos seus pares nesse encontro. Sobre a polémica frase, diz que "alguns consideraram que foi uma formulação infeliz. Outros disseram 'entendi exactamente o que você quis dizer'. Mas quase todos partilharam a minha mensagem sobre direitos e obrigações."

11 de Abril

11 de Abril
Costa diz que saída do holandês "é uma questão de tempo" e admite apoiar De Guindos - Em entrevista ao El País, António Costa não pede mais a demissão, afirma que a saída de Dijsselbloem do Eurogrupo "é uma questão de tempo" (no máximo, concluirá o segundo mandato, em Janeiro de 2018) e admite apoiar Luis de Guindos, caso o ministro espanhol avance. O Público fala em "cortina de fumo": nota que o Madrid quer Guindos na vice-presidência do BCE e escreve que o Governo português ainda não recusou definitivamente a ideia de enviar Centeno para o Eurogrupo. Está à espera de evoluções na frente externa, designadamente do novo governo holandês e das eleições alemãs (Setembro).


Quanto questionado pela CNBC, na entrevista de hoje, se já tinha passado tempo suficiente para pensar em partilhar uma cerveja com Dijsselbloem, Mourinho Félix respondeu que não. "Nunca fui beber uma cerveja com Dijsselbloem ou com quaisquer outros membros, pelo que posso dizer que se trata de uma relação institucional e que esta relação institucional será preservada. Portugal e a Europa têm muitos outros assuntos importantes para discutir", frisou.



(notícia actualizada às 22:06)

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