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Pedir desculpa? Dijsselbloem diz que postura de Portugal foi "chocante"

Sobre a polémica da "bebida e mulheres", o secretário de Estado das Finanças, Mourinho Félix, exigiu esta sexta-feira um pedido de desculpas a Dijsselbloem, dizendo que Portugal ficou "chocado". O líder do Eurogrupo respondeu na mesma moeda.

Reuters
Paulo Zacarias Gomes paulozgomes@negocios.pt 07 de Abril de 2017 às 10:28
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O presidente do Eurogrupo considerou esta manhã "chocante" a reacção de Portugal às suas palavras sobre os países do Sul da Europa e não se comprometeu com um pedido de desculpas.

As palavras de Jeroen Dijsselbloem, captadas pelas câmaras de televisão, surgiram depois de o secretário de Estado das Finanças, Mourinho Félix, ter exigido pessoalmente ao líder do grupo de ministros das Finanças do euro que se retractasse das palavras sobre gastos em "bebida e mulheres".

"Quero dizer-lhe que foi profundamente chocante aquilo que disse dos países que estiveram sob resgate e gostaríamos que pedisse desculpas perante os ministros [das Finanças] e a imprensa," pediu Mourinho Félix, enquanto apertava a mão a Dijsselbloem antes da reunião do Eurogrupo desta sexta-feira, 7 de Abril, Malta.

Nas imagens transmitidas pela TVI, sem que Mourinho Félix largue a mão do seu interlocutor, Dijsselbloem responde: "Eu vou dizer alguma coisa sobre isso, mas a reacção de Portugal também foi chocante. Vou dizer alguma coisa sobre isso. Não lhe vou exigir um pedido de desculpas mas vou dizer alguma coisa…".

A conversa termina com um "Bom…" de Mourinho Félix, que hoje representa Portugal em Malta, na ausência de Mário Centeno da reunião.

"Tornamo-nos previsíveis quando nos comportamos de forma consequente e o Pacto (de Estabilidade) da Zona Euro baseia-se em confiança. Na crise do euro, os países do norte da zona euro mostraram-se solidários para com os países em crise. Como social-democrata, considero a solidariedade da maior importância. Porém, quem a exige também tem obrigações. Eu não posso gastar o meu dinheiro todo em aguardente e mulheres e pedir-lhe de seguida a sua ajuda. Este princípio é válido a nível pessoal, local, nacional e até a nível europeu," disse no mês passado Dijsselbloem numa entrevista ao jornal alemão Frankfurter Algemeine Zeitung.

As declarações levaram o Governo português, nomeadamente o primeiro-ministro António Costa, a pedir a demissão de Dijsselbloem do cargo, alegando que não tem condições para continuar depois do que disse.

"Numa Europa a sério, o senhor Dijsselbloem já estava demitido neste momento. Não é possível que quem tem uma visão xenófoba, racista e sexista possa exercer funções de presidência de um organismo como o Eurogrupo," afirmou António Costa a 22 de Março

O governante holandês haveria de se referir depois ao assunto por várias vezes, lamentando a forma como as suas palavras foram interpretadas e justificando as suas palavras com a "frontalidade holandesa"

Ainda esta sexta-feira Dijsselbloem garantiu que não se demite: "Certamente que não", respondeu Jeroen Dijsselbloem aos jornalistas, citado pela Lusa. "Só sei de duas coisas: Ainda sou ministro das Finanças da Holanda e presidente do Eurogrupo e que o meu mandato no Eurogrupo acaba em Janeiro", afirmou, segundo a mesma fonte.

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