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Os olhos de Kirchner aos olhos do mundo

A nacionalização da YPF na Argentina e um elefante morto no Botswana dominaram a semana. Mas houve ministros a falar inglês e bancos a negociar capital. Entre outras coisas.

Negócios negocios@negocios.pt 20 de Abril de 2012 às 18:15
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A semana que agora acaba ficou marcada por uma intensa agenda noticiosa, em vários quadrantes. E o noticiário internacional desta vez dominou a actualidade também em Portugal. O Negócios analisa alguns dos principais temas da semana, permitindo ao leitor a leitura de dezenas de notícias originais dos últimos dias.


Argentina: a nação e a nacionalização


A notícia da expropriação de 51% da petrolífera YPF pela Argentina caiu como uma bomba esta semana. Não por que a notícia fosse totalmente inesperada (há alguns dias que se falava dessa possibilidade: ver aqui a cronologia de uma expropriação anunciada), mas pela sua magnitude. A decisão foi logo considerada "um gesto de hostilidade" contra Espanha e teve repercussões imediatas nas acções em Bolsa. Mas também na percepção nos mercados de dívida: a Argentina passou a ser o terceiro país com mais risco do mundo. O primeiro é Chipre, o segundo é... Portugal.
"Adorar o Estado, idolatrar Cristina"

Se para as empresas portuguesas as relações comerciais são relativamente pequenas, assim não acontece com as empresas espanholas. O "El País" prevenia no dia seguinte: o inferno para as empresas espanholas na Argentina vai começar.

As reacções desencadearam-se. A UE cancelou uma reunião destinada a renovar ajudas financeiras à Argentina. O presidente do Governo espanhol, Mariano Rajoy, endureceu o discurso, afirmando que a "nacionalização" da petrolífera YPF "rompe o bom entendimento que sempre existiu" entre a Argentina e o "país vizinho". Espanha estuda retaliações comerciais e o presidente do Banco Mundial vem considerar a nacionalização "um erro". E até o humor teve espaço para respirar, com a publicação de imagens com uma montagem em que Rajoy "reage" a Kirchner fazendo de Messi refém. Mas como analisou o Negócios, nacionalizar até é fácil. Os custos vêm depois.
"Eva Péron foi santa e, ao mesmo tempo, motivo de desdenha para Jorge Luís Borges. Cristina Kirchner tem sangue latino". Leia aqui o perfil da presidente da Argentina pela pena de Fernando Sobral.

A Argentina defendeu-se. Primeiro, recusou pagar a indemnização de oito mil milhões que a Repsol exigiu. Depois, disse que não teme represálias. Começou a procurar parceiros alternativos para a empresa. E a presidente Cristina Kirchner justificou a nacionalização no FMI e no Banco Mundial com "unhas e dentes". E declarou, referindo-se ao falecido presidente Néstor Kirschner, que era seu marido: "Ele sempre sonhou recuperar a YPF para a Argentina, sempre, sempre".

Mas as decisões na Argentina foram apenas uma das razões pelas quais Espanha esteve em tantos títulos. A crise financeira que agora está a cercar o nosso "país vizinho" foi outra...



A queda do Touro e... o tiro no elefante

Em Espanha, à tempestade financeira sobreveio a tempestade política, causada pela polémica da caçada do rei, Juan Carlos, que em plena crise foi caçar elefantes para o Botswana. A revelação aconteceu depois de um acidente que obrigou Juan Carlos a caminhar de canadianas. Mas desamparo maior terá sido o escândalo. O rei terminou a semana pedindo desculpa e prometendo que tal não se repetiria.

O que pode repetir-se é o calor dos mercados financeiros sobre a dívida espanhola. Logo na segunda-feira, as taxas de juro da dívida espanhola a dez anos passaram a barreira dos 6%, arrastando a bolsa de Madrid para uma perda acumulada no ano já superior a 15%. O ministro espanhol Luis de Guindos desdobrou-se em intervenções tentando acalmar os mercados, sem grande sucesso. O líder do PSOE, Rubalcaba, anuiu: "Não há perspectiva de que seja necessário um resgate". O ministro das Finanças alemão acrescentou: "Espanha não precisa de um resgate". E assim repetiram vários economistas contactados pela Reuters. E ainda o comissário Olli Rehn. E a vice-presidente da Comissão Europeia, Viviane Reding.

Na terça-feira, o nível de risco de Espanha nos mercados financeiros era idêntico ao de Portugal... 15 dias antes do pedido de intervenção externa. As más notícias sobre o aumento do malparado continuam a sair. As previsões do crescimento económico a cair.E as previsões do défice orçamental a levantar dúvidas.

Mais que espanhol, o problema é europeu. Uma análise do Negócios à situação mostra que a Europa só tem bóias para uma Espanha. E no dia mais esperado da semana, quinta-feira, Espanha emitiu dívida pública, conseguindo colocar todo o montante pretendido, mas a uma taxa de juro mais elevada.



FMI contra a cegueira alemã da austeridade

O título é de interpretação livre, mas essa interpretação foi relativamente consensual. Porque o que o Fundo Monetário Internacional disse e publicou esta semana, nomeadamente no World Economic Outlook 2012, foram interpretados como um "puxão de orelhas" a Angela Merkel.

A instituição liderada por Lagarde veio pedir que a Europa crie urgentemente Eurobonds e defendeu uma consolidação orçamental menos agressiva. As previsões para a economia mundial são um pouco melhores do que antes e o FMI previu ainda uma recessão menos cavada para a Zona Euro.



Vá para dentro lá fora

Embalados pela notícia de que Portugal foi o quarto país da UE onde as exportações mais cresceram, Passos Coelho foi a Londres e Vítor Gaspar a Washington. O primeiro-ministro escreveu no "Financial Times" que "Portugal vai mostrar que os cépticos estão enganados", embora tenha admitido que podemos precisar de "ajuda adicional". Um dia depois, a Troika diz que Portugal precisará de mais 16 mil milhões até 2014.

Nos Estados Unidos, o ministro das Finanças tenta cativar os investidores estrangeiros para uma boa imagem de Portugal. Vítor Gaspar afirma que Portugal "serve de lição" para quem defende políticas expansionistas e depois diz, em entrevista à Bloomberg, que não vai pedir condições mais brandas para o ajustamento. Mas a Morgan Stanley é lapidar: Portugal vai precisar de pedir novo pacote de ajuda até Setembro.

Por cá, a OCDE diz que Portugal está entre os países que menos têm de fazer para reduzir a dívida a 50% do PIB. Quem terá de tratar de futuro das emissões de dívida pública é o novo presidente do IGCP: João Moreira Rato. Quem já tomou posso foi António Ramalho, novo presidente da Estradas de Portugal.





Banca ao rubro. Ou seja, no vermelho

Nas empresas, várias notícias marcaram a semana, começando pela novela da OPA sobre a Cimpor. E, para contrariar o pessimismo, a revelação de que "2012 vai ser um novo ano recorde" para a Continental Mabor.

Mas é na banca que há grandes movimentações. O BCP prepara-se para pedir ao Estado dois mil milhões de apoio público - e não quer Estado como seu accionista. Fica a saber-se que os bancos deverão aplicar todo o dinheiro estatal em dívida pública, o que significa que esse dinheiro não chegará às empresas. Os espanhóis do Caixabank anunciam que vão "estreitar" a sua relação com o BPI, o que é entendido como uma boa notícia para o banco português. Mas a banca continua a desvalorizar-se em Bolsa: o Banif perdeu um terço do seu valor nos últimos três meses.

Entretanto, a operação de aumento de capital do BES avançou pela semana adentro, ajustando-se o valor das acções. Para informações completas, pode consultar aqui a calculadora para o aumento de capital do Banco Espírito Santo e aqui as suas datas.

A semana acabou com a publicação de contas do BPI. E com o presidente da Caixa a explicar a "operação Cimpor" no Parlamento.




BPI? La Caixa resolve

A semana fechou com o o BPI a revelar os seus resultados do primeiro trimestre do ano, num regresso aos lucros: 39,9 milhões de euros, menos 13% do que em igual período homólogo. Na conferência de imprensa de apresentação de resultados, Fernando Ulrich disse que enquanto accionista viria com bons olhos uma OPA sobre o BPI, mas que enquanto gestor não tinha conhecimento de qualquer intenção de um investidor para avançar com uma oferta de compra. O banqueiro sabia mais do que dizia, mas o que disse era verdade.

Pouco mais de uma hora depois de Fernando Ulrich ter feito estas declarações o La Caixa informou que detém 48,97% do capital do BPI, depois de ter comprado uma posição detida pelo Itaú. Esta participação não obriga ao lançamento de uma OPA, garante o La Caixa, depois de ter recebido a confirmação da CMVM. A justificar esta decisão está, entre outras questões, o facto dos direitos de voto no BPI estarem blindados a 20%.

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