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Passos diz que os jovens estarão na primeira linha da empregabilidade – verdade?

Verdadeiro ou falso? O Negócios confronta declarações de Passos Coelho com factos.

Nuno Aguiar naguiar@negocios.pt 10 de Outubro de 2013 às 14:26
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22h32 

A verdade é que é uma geração muito mais qualificada que a minha geração, o que significa que, quando a economia começar a retomar, muito naturalmente os jovens portugueses estarão numa primeira linha da empregabilidade.

O primeiro-ministro foi bastante assertivo em relação às suas expectativas para a empregabilidade futura dos jovens. Contudo, o histórico recente e o pessimismo de organizações internacionais não parece permitir ter o nível de confiança expresso por Passos Coelho.

 

Por um lado, como o próprio governante reconheceu, nos próximos anos o desemprego terá uma descida muito lenta, devido ao previsível crescimento lento da economia. No caso dos jovens em concreto, a Organização Internacional do Trabalho (OIT) está pessimista em relação aos anos que se avizinham. Segundo um relatório publicado em Maio deste ano, a taxa de desemprego dos jovens europeus terá uma descida bastante lenta e não ficará abaixo de 17% até 2016. Actualmente, a taxa de desemprego para menores de 25 anos na Zona Euro é 24% e, em Portugal, 37%. Se Portugal seguir essa trajectória geral prevista pela OIT ainda deverá ter um desemprego jovem superior a 25% dentro de três anos.

 

No caso dos jovens em concreto, a Organização Internacional do Trabalho (OIT) está pessimista em relação aos anos que se avizinham. Segundo um relatório publicado em Maio deste ano, a taxa de desemprego dos jovens europeus terá uma descida bastante lenta e não ficará abaixo de 17% até 2016.

 

Actualmente, a taxa de desemprego para menores de 25 anos na Zona Euro é 24% e, em Portugal, 37%. Se Portugal seguir essa trajectória geral prevista pela OIT ainda deverá ter um desemprego jovem superior a 25% dentro de três anos.

 

Os jovens portugueses têm sido um dos grupos mais penalizados no mercado de trabalho devido a terem vínculos mais precários e períodos menores de permanência nas empresas, o que os torna alvos mais fáceis de despedimentos. Portugal tem um conhecido problema de segmentação do mercado de trabalho, com um grupo relativamente protegido (empregos mais velhos com contrato sem termo) e outro grupo sujeito a uma precariedade muito mais elevada (mais novos com contratos a prazo e recibos verdes). Esse problema não foi resolvido e dificilmente será no curto e médio prazo.

 

Mais: Passos Coelho argumenta que, o facto de esta ser a geração mais qualificada de sempre, deverá dar-lhe vantagem na procura de emprego no futuro. No entanto, não é a isso que se tem assistido no passado recente. Em 2011, Portugal tinha uma taxa de desemprego de 29% entre jovens com qualificação universitária, o terceiro valor mais elevado na Zona Euro. E este não é um fenómeno provocado pela crise. Em 2005 já estava nos 24%, destacando-se entre os parceiros europeus.

 

Mesmo que se assista a uma recuperação do emprego entre os mais novos, será necessário avaliar que tipo de emprego se trata. A OIT alerta para a elevada incidência do trabalho temporário e em part-time dos jovens. Em Portugal, esse fenómeno está bastante presente. A incidência de trabalho temporário entre os jovens portugueses é mais do dobro do que se observa na média da OCDE. Além disso, os jovens – tal como o resto dos portugueses – deverão ser penalizados nos salários que lhes irão oferecer nos futuros empregos. Segundo o Banco de Portugal, em 2012, as empresas reduziram em média 11% o salário pago a novos trabalhadores.

 

Por outro lado, está a assistir-se ao mesmo tempo a um aumento significativo da emigração dos portugueses mais jovens, algo que, apesar de ser negativo para o futuro da economia portuguesa, pode ajudar a atenuar o fenómeno do desemprego jovem.

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