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Petróleo, tapetes persas e pistachios: vão entrar em vigor sanções dos EUA ao Irão

A Administração vai impor, a partir desta terça-feira, novas sanções a Teerão, tendo reafirmado a intenção de aplicar sanções ainda mais duras sobre as vendas de petróleo daquele país a partir de Novembro.

Bloomberg
Carla Pedro cpedro@negocios.pt 06 de Agosto de 2018 às 22:57
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Numa altura em que o presidente iraniano, Hassan Rohani, se vê cada vez mais pressionado em matéria económica e política, o seu homólogo dos EUA anunciou que a partir de amanhã vai restabelecer algumas sanções a Teerão. Donald Trump foi mais longe e acrescentou que a partir de Novembro será ainda mais duro no querespeita às exportações iranianas de crude.

 

Trump assinou esta segunda-feira uma ordem executiva que restringe a compra de dólares por parte do Irão, impossibilitando assim que aquele país transaccione ouro e outros metais preciosos e impedindo também que compre ou venda vários outros metais industriais que são denominados naquela moeda.

 

As medidas, que entram em vigor esta terça-feira, 7 de Agosto, visam também a indústria automóvel e boicotam a importação pelos EUA de tapetes persas e pistachios.

 

Num discurso à nação emitido na TV, Rohani disse que o Irão está aberto a negociações se os EUA forem "sinceros". Mas declarou, citado pela Bloomberg, que quaisquer esforços nesse sentido serão infrutíferos se o Irão já estiver a ser alvo de sanções.

"Negociações ao mesmo tempo que as sanções? Que significado tem isso?", questionou-se o presidente iraniano.

 

No passado dia 30 de Julho, Trump garantiu que estava disponível para se reunir com os líderes iranianos "a qualquer altura" e sem "qualquer exigência ou pré-requisito", mas nada avançou.

 

Hoje, Rohani disse, citado pela Reuters, que os EUA irão arrepender-se de impor sanções a Teerão. "A América irá lamentar ter imposto sanções ao Irão. Os EUA já estão isolados no mundo. Estão a impor sanções às crianças, aos doentes e à nação iraniana", declarou.

 

O presidente iraniano tinha já advertido a 22 de Julho os Estados Unidos para não "brincarem com a cauda do leão", assegurando que um conflito com Teerão será "a mãe de todas as guerras".

 

Recorde-se que no passado dia 8 de Maio o chefe da Casa Branca anunciou a sua retirada do acordo internacional de 2015 destinado a impedir o Irão de obter a bomba nuclear e que travava o seu processo de enriquecimento de urânio, por o considerar demasiado permissivo.

 

Nessa altura, anunciou que iria restabelecer todas as sanções norte-americanas suspensas no âmbito deste acordo, incluindo as sanções secundárias contra as empresas estrangeiras que continuam a negociar com Teerão.

 

Na sequência desta decisão de Trump de rasgar o acordo nuclear com o Irão – que é um dos maiores produtores da Organização dos Países Exportadores de Petróleo (OPEP) – o presidente norte-americano ameaçou entretanto com sanções os países e empresas que não tivessem deixado de comprar petróleo ao Irão até 4 de Novembro próximo, dizendo que teriam de optar entre os seus investimentos no Irão e o seu acesso ao mercado dos EUA.

 

Entretanto, já recuou nesta sua ameaça a quem negoceie com o Irão, mas a qualquer momento poderá anunciar nova decisão nesse sentido.

 

Os aliados europeus dos EUA que não rasgaram o acordo nuclear com Teerão condenam Trump pela decisão de reimpor sanções àquele país do Médio Oriente.

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