Economia Portugueses são os que menos se identificam como classe média

Portugueses são os que menos se identificam como classe média

A maioria das famílias dos países da OCDE identifica-se como classe média, mas isso não acontece em Portugal, onde apenas duas em cada cinco famílias diz ter um rendimento mediano.
Portugueses são os que menos se identificam como classe média
Susana Paula 10 de abril de 2019 às 20:00

Portugal é um dos países da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Económico(OCDE) onde as famílias de classe média menos se identificam como tal.

Num estudo dedicado à evolução da classe média nas últimas três décadas, divulgado nesta quarta-feira, 10 de abril, a entidade afirma que a maioria da população nos países da OCDE se identifica como estando na classe média.

A identificação é maior nos países nórdicos, na Holanda, no Luxemburgo e na Suíça, onde quatro em cinco pessoas dizem ser da classe média. "Em contraste, apenas duas em cinco pessoas ou menos se identificam na classe média em Portugal, no Brasil, no Chile e no Reino Unido".

Portugal é mesmo o país onde menos famílias de classe média se identificam como tal, já que apenas 32% diz ser da classe média. Em contraste, 82% da população na Holanda diz ser da classe média.

Segundo a OCDE, esse "preconceito com a classe média" pode ser explicado em parte pelo nível mínimo que as famílias consideram corresponder à classe média, que é, tendencialmente, "substancialmente inferior para pessoas da classe baixa e notávelmente mais alto para pessoas mais ricas".

O que é a classe média?

Neste estudo, a OCDE define a classe média como "a classe de rendimento médio", sendo que insere-se num intervalo entre os 75% e os 200% do rendimento mediano da população. Consulte um simulador interativo da OCDE e veja qual é a posição relativa dos seus rendimentos.

Segundo a OCDE, 60,1% da população portuguesa está na classe média, 16,8%, têm um rendimento baixo (entre 50% e 75% da mediana), 12,4% é pobre e 10,6% tem rendimentos altos. 

Ao longo das últimas três décadas, a classe média encolheu, no conjunto dos países da OCDE, de 64% para 61%, cerca de um 1% por década. "Desde meados da década de 1980, os rendimentos médios cresceram significativamente menos do que os rendimentos mais altos e a crise financeira global exacerbou esta tendência ainda mais", afirma a organização liderada por Ángel Gurría.

Entre 2007 e 2016, a taxa de crescimento real (excluindo a inflação) dos salários medianos foi de 0,3% na média da OCDE, comparando com a subida de 1% entre meados de 1980 e de 1990 e de 1,6% entre meados de 1990 e de 2000.


Embora a entidade sediada em Paris não disponibilize dados sobre Portugal para as duas décadas anteriores, a taxa de crescimento dos rendimentos das famílias da classe média em Portugal também foi de 0,3%. Isto quer dizer que os salários mantiveram-se praticamente estagnados nos últimos dez anos, também em Portugal.




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