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Preços no consumidor dispararam 6,3% desde o início da guerra na Ucrânia

O INE revela que produtos energéticos foram os que mais subiram ao longo dos mais de seis meses de duração da guerra. Mas são os alimentos que mais têm contribuído para a aceleração do índice geral de preços. Eletricidade, combustíveis, carne e peixe registam as maiores subidas.

Inflação em maio atingiu o valor mais alto desde fevereiro de 1993, com os produtos alimentares e energéticos a liderarem subidas de preços.
João Cortesão
Joana Almeida JoanaAlmeida@negocios.pt 12 de Setembro de 2022 às 13:01
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A inflação acelerou 6,3% desde o fevereiro, mês em que começou a guerra na Ucrânia. Os dados divulgados esta segunda-feira pelo Instituto Nacional de Estatística (INE) mostram que os produtos energéticos foram os que mais subiram ao longo dos mais de seis meses de duração da guerra, mas são os produtos alimentares que mais têm contribuído para a aceleração do índice geral de preços no consumidor.

O INE indica que, desde fevereiro, o índice de preços relativo aos produtos energéticos registou uma variação homóloga de 14,7%, apesar de ser já "visível" uma redução em agosto. Os preços dos produtos energéticos recuaram 7,2 pontos percentuais em agosto, face ao mês anterior, para se fixarem nos 24%. A explicar essa queda esteve a "redução de preços verificada na componente dos combustíveis".

Enquanto isso, o índice relativo aos produtos alimentares cresceu 12% desde fevereiro e, ao contrário do que se verifica nos produtos energéticos, ainda não deu sinais de abrandamento.

"Em termos de contributos para a variação do IPC entre fevereiro e agosto, destacam-se os produtos alimentares, que contribuíram em cerca de 40% para a variação total do IPC [índice de preços no consumidor]", lê-se na nota do INE, onde é referido que "neste grupo são recolhidos mais de 60 milhares de preços relativos a mais de 250 produtos".

Os principais contributos para esta subida da inflação registaram-se nos produtos alimentares e bebidas não alcoólicas, bem como em restaurantes e hotéis, transportes e habitação, água, eletricidade, gás e outros combustíveis. Já a saúde foi "a única a apresentar um contributo negativo relevante, em consequência do alargamento dos critérios de isenção das taxas moderadoras ocorrido em junho".

Eletricidade, combustíveis, carne, peixe e pão entre as maiores subidas
A um nível mais desagregado, o INE indica de que, além das categorias relacionadas com o turismo ("cuja sazonalidade resulta em preços mais elevados nos meses de verão"), os maiores contributos para a subida da taxa de inflação foram registados nos produtos energéticos e produtos alimentares. 

Nos produtos energéticos, os maiores aumentos dizem respeito à eletricidade (que registou uma variação de 28% face a fevereiro), e dos combustíveis e lubrificantes para equipamento para transporte pessoal, nomeadamente do gasóleo (que aumentou 8,2%) e da gasolina (1,2%), embora tenham apresentado "reduções nos últimos dois meses face ao máximo atingido em junho".

Já o comportamento dos preços do gás natural "reflete o impacto significativo da guerra na Ucrânia, registando uma variação de 35,5% entre fevereiro e agosto, com máximos de 39,2% em maio e junho".

Nos produtos alimentares, destaca-se a subida de 16,7% nos preços da carne, em particular a carne de aves (25,1%) e a carne de porco (23,4%). Além disso, registou-se um aumento de 10,7% nos preços do pão e cereais, 8,7% no peixe, 13,7% nas frutas, 10,3% no leite, queijo e ovos, e 22,9% nos óleos e gorduras (22,9%).

"Os óleos e gorduras registaram aumentos relevantes de preços a partir de março, sendo o impacto mais tardio e menos intenso nos restantes subgrupos em análise", diz o INE.

Nos serviços "menos sujeitos a flutuações sazonais de preços", o INE destaca ainda o contributo dos restaurantes, cafés e estabelecimentos similares, com um aumento de 4,5% face a fevereiro.
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