Economia "O PSD não está cheio de vontade de ir ao pote"

"O PSD não está cheio de vontade de ir ao pote"

Na entrevista que esta noite deu à RTP, Passos Coelho diz que haver eleições este ano só depende do Governo. É preciso que Sócrates "se deixe de fitas e governe". Porque os social-democratas não estão "cheios de vontade de ir ao pote".
Elisabete Miranda 17 de fevereiro de 2011 às 22:27
Pedro Passos Coelho está preparado para ser primeiro-ministro. Se não apoiou a moção de censura do Bloco de Esquerda foi por uma questão de coerência, e não de oportunidade: é preciso que o Governo mostre do que é – ou não é – capaz de fazer com o mandato que lhe foi dado. Até quando deixará José Sócrates a dar provas do que vale é uma pergunta que fica sem resposta.

Na entrevista de 30 minutos que esta noite concedeu à RTP, Pedro Passos Coelho rejeitou que tenha sido por falta de preparação para ser primeiro-ministro que segurou o Governo por mais alguns meses: “Se não estivesse preparado para ser primeiro-ministro não me teria candidatado à liderança do PSD”, afirmou. E, tal como Passos Coelho, também o partido está pronto: “O PSD está preparado. Tem o seu trabalho de casa feito. Vai concluir a revisão do seu programa” no final de Fevereiro, um programa que em praticamente todas as áreas sectoriais é acompanhado de “um relatório extenso e aprofundado” por parte do gabinete de estudos que actualmente conta já com mais de uma centena de pessoas.

Eleições "dependem inteiramente do Governo"

A razão pela qual os social-democratas resolveram deixar a garrafa de oxigénio de José Sócrates ligada é de coerência, não de táctica política, garantiu. Passos Coelho diz que o seu partido foi um intérprete da vontade da sociedade portuguesa. Não faria sentido fazer cair um governo dois meses depois de ter sido aprovado um Orçamento do Estado que impõe “sacrifícios terríveis” aos portugueses. Primeiro, é preciso deixar que o PS mostre que é capaz de reverter a situação, com os instrumentos que lhe foram dados, argumenta.

Quando questionado insistentemente sobre até quando vai dar o voto de crédito ao Governo, ou que condições farão perder a paciência, Pedro Passos Coelho foi esquivo: “Não vou marcar uma data para dizer que apresento uma moção de censura. Não seria responsável e não se espera do principal líder da oposição que venha aqui dizer qual a data em que vai abrir uma crise política”, referiu.

“O PSD não anda à espreita de uma oportunidade, não está cheio de vontade de ir ao pote”. Por isso, haver ou não haver eleições este ano “depende inteiramente do governo”. A lista de tarefas que os social-democratas querem ver cumpridas foram as enunciadas recentemente por Miguel Macedo, líder parlamentar do partido: redução do défice, lançamento de reformas estruturais em diversas áreas, e boa gestão da situação de emergência financeira.

É preciso reformar o modelo social

Passos Coelho, considera que “há sinais que não são tranquilizadores sobre a insolvência financeira” nacional, e que o Governo não tem sido suficientemente diligente.

Se o PSD fosse Governo, e não o PS, os remédios para a crise não teriam sido tão duros porque o País não teria caído numa situação tão irremediável.

Para sair dela, será preciso “uma revisão do modelo social”, “evitar que mais pessoas sejam lançadas no desemprego e que mais pessoas fechem porque senão o défice continua a crescer mais”, garantir que o pouco crédito que existe chegue às empresas e apresentar um plano de racionalização do sector empresarial do Estado, referiu.





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