Starmer quer investir na defesa mas prioriza "finanças públicas sólidas"
Primeiro-ministro britânico escreveu uma carta dirigida a John Healey, que anunciou a demissão inesperadamente esta quinta-feira, frustrado com o financiamento insuficiente do Plano de investimento na Defesa.
O primeiro-ministro britânico, Keir Starmer, admitiu esta quinta-feira, após a demissão do ministro da Defesa, que é preciso investir mais nas forças armadas britânicas mas argumentou que "finanças públicas sólidas" fazem parte do que mantém o país seguro.
"Tem também razão ao dizer que temos de ir mais longe", escreveu numa carta publicada hoje dirigida a John Healey, que anunciou a demissão inesperadamente esta manhã, frustrado com o financiamento insuficiente do Plano de investimento na Defesa.
Mas Starmer alegou ser necessário "garantir que o dinheiro é gasto de forma sensata".
"Os aumentos na despesa que sustentam este plano serão sustentáveis e justos. Implicarão redistribuições significativas de financiamento entre os departamentos governamentais e as escolhas adequadas para proteger a nossa nação. Finanças públicas sólidas fazem parte do que nos mantém seguros - o endividamento irresponsável apenas coloca isso em risco", salientou.
O primeiro-ministro admitiu que "tomar estas decisões nunca é fácil".
Na carta de demissão, Healey mostrou-se frustrado porque o primeiro-ministro "tem sido incapaz, e o Ministério das Finanças tem-se mostrado relutante, em disponibilizar os recursos de que a nação necessita para defender o país neste momento de ameaças crescentes".
O valor para o Plano de investimento na Defesa "apresentado na íntegra pela primeira vez na tarde de segunda-feira desta semana", criticou, "fica muito aquém do que é necessário para a defesa e para o país neste momento perigoso".
"O apoio adicional é adiado, quando a pressão das operações e a necessidade imperativa de acelerar a prontidão para o combate se concentram nos primeiros dois anos, e sobe para apenas 2,68% do PIB em 2030, quando atingiremos 2,6% no próximo ano com o investimento que já estamos a fazer", acrescentou.
O Reino Unido comprometeu-se a aumentar as suas despesas militares nos próximos anos para reforçar as suas capacidades reduzidas devido pelos cortes nos investimentos na defesa de governos anteriores.
O primeiro-ministro anunciou que o governo publicaria o seu plano de investimento na defesa "antes da cimeira da NATO", prevista para o início de julho.
O Reino Unido comprometeu-se a aumentar as suas despesas militares para 2,5% do PIB até 2027 (um aumento que inclui as agências de informações), e até 3% após 2029.