Trump insiste que Irão quer chegar a acordo com os EUA. Teerão não tem intenções de negociar
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Trump insiste que Irão quer chegar a acordo com os EUA
O Presidente dos EUA, Donald Trump, voltou a insistir esta quarta-feira que o Irão continua interessado em chegar a um acordo para a guerra no Médio Oriente, mesmo depois de o ministro dos Negócios Estrangeiros do país ter dito que Teerão não tem interesse em negociar.
“Eles estão a negociar, já agora, e querem chegar a um acordo tão desesperadamente, mas têm medo de dizê-lo porque acham que serão mortos pelo seu próprio povo”, disse Trump num evento de angariação de fundos, citado pela AP.
Trump acrescentou que os dirigentes iranianos “também têm medo de serem mortos” pelos norte-americanos, acrescentando que ninguém quer liderar o Irão com medo de ser assassinado pelos EUA.
Com reservas em máximos, Iraque vê produção de petróleo afundar 80%
O bloqueio do estreito de Ormuz está a deixar os países do Golfo Pérsico sem opções para escoarem os seus "stocks" de petróleo. O Iraque é um dos mais afetados e, de acordo com dados recolhidos pela Reuters, a produção de crude do país já afundou cerca de 80% desde o estalar do conflito no Médio Oriente para cerca de 800 mil barris por dia. Antes da guerra, estava nos 4,3 milhões.
O estreito de Ormuz é uma das artérias mais importantes do comércio global por onde passa perto de 20% de todo o petróleo e crude consumidos por todo o mundo. O estreito tem sido usado como arma política por parte do Irão para pressionar os EUA e Israel a pararem com as ofensivas no Médio Oriente, ao bloquear a passagem de vários petroleiros e navios de mercadorias. A soberania sobre este estreito é, aliás, um das condições que Teerão apresentou para acabar com a guerra.
O bloqueio tem levado os preços do petróleo a dispararem e atingirem máximos de 2022, quando o mundo ficou mergulhado numa crise energética devido à invasão da Ucrânia por parte da Rússia. Desta vez, os grandes produtores do Golfo ficaram quase sem alternativas para continuarem a exportar crude para outros países e regiões, levando a uma disrupção do abastecimento global. O Brent - de referência para a Europa - está a negociar acima dos 100 dólares.
A falta de opções para escoar o seu "stock" levou o Iraque a pedir a uma série de empresas para reduzirem a produção de petróleo. Entre elas encontra-se a BP, que reduziu a extração de crude no campo petrolífero de Rumaila em 100 mil barris por dia, e a italiana Eni, que cortou a produção no campo de Zubair em 70 mil barris.
Irão não planeia negociar com EUA, diz ministro dos Negócios Estrangeiros
Apesar da insistência da administração Trump de que estão em curso negociações para o fim do conflito, o Governo iraniano continua a dizer que as conversações nunca existiram.
Numa entrevista à televisão pública do Irão, o ministro dos Negócios Estrangeiros do país, Abbas Araghchi, além de negar as negociações, diz que Teerão não tem planos para as iniciar.
“Não aconteceram negociações com o inimigo até agora e não planeamos quaisquer negociações”, disse o responsável, citado pela AP.
"Falar em negociações agora seria o mesmo que admitir a derrota", afirmou o chefe da diplomacia de Teerão, acrescentando que o Irão pretende “terminar a guerra nos próprios termos" e criar condições "para que nunca mais se repita".
Na terça-feira, os EUA apresentaram um plano de paz com 15 pontos ao Irão, que foi rejeitado no dia seguinte por Teerao, que apresentaram uma contraproposta.
*Com agências
Casa Branca insiste que negociações estão em curso apesar do desmentido de Teerão
A secretária de Imprensa da Casa Branca, Karoline Leavitt, insistiu que as negociações com o Irão estão em curso, mesmo após o desmentido dos responsáveis de Teerão.
“As conversações continuam. Estão a ser produtivas, como disse o Presidente na segunda-feira, e continuam a ser”, afirmou no briefing diário com os jornalistas.
Reiterando o prazo de quatro a seis semanas para a intervenção militar, Leavitt reiterou que as forças norte-americanas “estão muito perto de atingirem os objetivos principais” na ofensiva contra o Irão e que, caso as negociações não sejam bem sucedidas, seguir-se-ão mais ataques.
“Se o Irão não aceitar a realidade do momento atual, se não entenderem que foram derrotados militarmente (…) Trump vai assegurar que serão atingidos com mais força do que alguma vez foram antes”, afirmou.
Contudo, Leavitt recusou dar detalhes sobre as negociações, dizendo que é um assunto sensível que continua em curso. A porta-voz recusou também dizer quais os responsáveias iranianos com os quais a Administração está a negociar.
De acordo com a CNN Internacional, os EUA estão a tentar organizar uma reunião este fim de semana no Paquistão para as negociações sobre o conflito.
Soberania sobre o estreito de Ormuz e pagamento por danos de guerra. Irão fixa condições para acabar com a guerra
O Irão avançou com cinco requisitos para terminar a guerra. De acordo com a Press TV, uma televisão iraniana em inglês, citada pela Bloomberg, uma dessas condições é o reconhecimento internacional e garantias em relação ao direito soberano do Irão em exercer autoridade sobre o estreito de Ormuz.
Teerão exige também um pagamento pelos danos causados pela guerra e o estabelecimento de mecanismos concretos para garantir que a guerra não é reimposta. O regime quer ainda uma suspensão total da "agressão e assassinatos" levados a cabo pelo inimigo, bem como o fim do combate em todas as frentes e para todos os grupos armados na região.
Ministro francês lamenta uso da expressão "choque petrolífero"
O ministro da Economia francês, Roland Lescure, disse esta quarta-feira "lamentar" o uso, na véspera, da expressão "choque petrolífero", destacando que a mesma se aplicava "à situação internacional e de forma alguma à situação francesa".
"A França está melhor preparada, está menos exposta (...) do que os seus vizinhos europeus, e, ainda mais, evidentemente, do que os países asiáticos que estão diretamente envolvidos. Portanto, o termo de choque é válido num certo número de países asiáticos, onde há medidas de racionamento de combustíveis", disse Lescure depois do Conselho de Ministros.
Na terça-feira, Roland Lescure, afirmou na Assembleia Nacional que a guerra no Médio Oriente estava a provocar "um novo choque petrolífero" que pesará na economia francesa.
"Esta situação [as perturbações no transporte de petróleo dos países do Golfo para o resto do mundo] constitui um novo choque petrolífero", afirmou então o governante.
"Se este choque energético persistir além de algumas semanas, a crise poderá alastrar-se mais amplamente à economia e assumir, no fundo, uma natureza mais sistémica", declarou Lescure, ouvido na Comissão das Finanças.
Irão recusa cessar-fogo proposto pelos EUA
O Irão recusou uma proposta dos EUA para um cessar-fogo, informa a agência Fars, que diz que Teerão considera que "não é lógico entrar nesse processo com partes que violam acordos".
O Irão diz estar interessado em atingir "objetivos estratégicos" e apenas quando esses forem conseguidos é que o fim da guerra será possível - e não um cessar-fogo.
A agência diz ainda que os EUA têm reforçado as tentativas de negociação, através de "conversações indiretas".
Agência nuclear da ONU admite negociações entre EUA e Irão
O diretor-geral da Agência Internacional de Energia Atómica (AIEA), admitiu hoje que negociações entre Washington e Teerão podem ocorrer no Paquistão no fim de semana, dado que o Presidente norte-americano "mudou o tom" em relação à guerra no Médio Oriente.
Em entrevista ao jornal italiano Corriere della Sera, Rafael Grossi disse ainda que estão em curso contactos com vista a um acordo.
Teerão negou reiteradamente qualquer contacto diplomático com Washington.
Mesmo assim, o diretor da AIEA acredita que podem vir a realizar-se conversações no próximo fim de semana em Islamabade, Paquistão, abordando questões ligadas com a energia nuclear, o uso de mísseis e as ligações de Teerão com as milícias aliadas da República Islâmica.
O responsável indicou que a agência das Nações Unidas está disponível para participar nas eventuais negociações como "interlocutor imparcial e virado para a paz".
Grossi indicou que as mais de três semanas de guerra podem ser um "novo fator" para Washington e Teerão ultrapassarem divergências após o fracasso dos contactos de fevereiro, quando os Estados Unidos terminaram abruptamente o processo diplomático com o ataque surpresa conjunto com Israel contra o Irão.
"Três semanas de guerra deixaram marcas. Causaram muitos danos, paralisando a infraestrutura económica, energética e produtiva do Irão. Isso pode tornar a conversa diferente", disse Grossi.
O diplomata argentino referiu ainda que as negociações não vão ser sobre "acordos parciais", mas sim sobre "algo mais substancial", sendo de esperar que os Estados Unidos exijam "enriquecimento zero" de urânio.
Grossi sublinhou que os ataques militares não causaram danos "decisivos" nas instalações nucleares do Irão.
A AIEA deixou de ter presença no Irão desde o início da guerra, explicou Grossi, reiterando que os níveis de enriquecimento de urânio no Irão são preocupantes.
As declarações de Grossi ao jornal italiano ocorreram numa altura em que as autoridades paquistanesas se ofereceram para acolher negociações entre os Estados Unidos e o Irão para pôr fim à guerra que afeta o Médio Oriente desde o passado dia 28 de fevereiro.
Hoje, o embaixador do Irão do Paquistão reiterou, em declarações à Agência France Presse, que não se verificam contactos entre Teerão e Washington.
Sánchez fala em "desastre absoluto" e cenário "muito pior" que em 2003 com Iraque
O primeiro-ministro espanhol reiterou hoje que a guerra iniciada com ataques dos EUA e Israel ao Irão é ilegal e falou em "desastre absoluto" e num cenário "muito pior" do que o de 2003, com o Iraque.
Pedro Sánchez, que está hoje no parlamento nacional de Espanha para explicar a posição do Governo que lidera em relação à situação no Médio Oriente, repetiu o "não à guerra" que assumiu desde os primeiros ataques ao Irão, em 28 de março, e voltou a condenar os Estados Unidos e Israel por terem iniciado o conflito.
Depois de comparar o que aconteceu agora com o Irão com o ataque ao Iraque em 2003, por iniciativa dos EUA, a que somaram Espanha e Reino Unido, Sánchez considerou que, porém, "o cenário não é o mesmo da guerra ilegal do Iraque, é algo muito pior", com "um potencial impacto mais amplo e bem mais profundo".
O líder do Governo espanhol defendeu que a guerra no Iraque, para que outros países foram "arrastados" também por um Presidente dos EUA (George W. Bush), se transformou "no maior desastre geopolítico do mundo depois da guerra no Vietname", com mais de 300 mil mortos e cinco milhões de deslocados, um país (Iraque) que ficou em ruínas, uma onda de ataques terroristas na Europa ou crises migratórias de dimensões inéditas, a par de ter sido o rastilho para guerras como a da Síria ou o reforço e crescimento de grupos radicais como a Al-Qaeda ou o Estado Islâmico.
Sánchez sublinhou que o Irão, ao contrário do Iraque, é uma "potência militar" e tem um poder económico várias vezes superior, com impacto a nível mundial, e considerou que a guerra atual é já "um desastre absoluto", por ter sido iniciada sem qualquer consulta ou aviso por parte dos EUA aos aliados, sem "amparo legal" e sem um "objetivo definido", poucos dias depois de notícias que davam conta de avanços em negociações com o regime de Teerão e quando até cargos norte-americanos confirmam que não existia uma ameaça nuclear iminente.
Para o líder do Governo espanhol, a guerra está só a destruir a legalidade internacional, a desestabilizar o Médio Oriente ou "a enterrar Gaza nos escombros do esquecimento e da indiferença" e aquilo que conseguiu até agora foi substituir uma liderança iraniana por outra "ainda mais sanguinária", beneficiar a Rússia e enfraquecer a Ucrânia, com o Moscovo a beneficiar do levantamento de sanções, e perturbar a economia mundial.
"Isto é um desastre absoluto. Calar perante uma guerra injusta e ilegal não é prudência ou lealdade, é um ato de cobardia e de cumplicidade", afirmou.
Sánchez reiterou que Espanha não autorizou os EUA a usarem bases militares em território espanhol para qualquer operação relacionada com os ataques ao Irão, incluindo para planos de voo para reabastecimento de aeronaves, e revelou que "não foi fácil".
"Mas fizemo-lo porque assim o permite o acordo bilateral para a utilização das bases e porque somos um país soberano que não quer participar em guerras ilegais", afirmou.
O líder do governo espanhol pediu, por outro lado, aos deputados para validarem na quinta-feira o plano de resposta ao impacto da guerra na economia, aprovado na semana passada pelo Governo e que contempla descidas do IVA nos combustíveis, gás e eletricidade, a par de outros descontos fiscais e apoios a setores da economia e às energias renováveis.
O executivo prevê que o plano mobilize cinco mil milhões de euros de recursos públicos e, apesar de as medidas estarem já em vigor desde sábado, têm de ser validadas no prazo de um mês pelo parlamento para se manterem.
"A última coisa de que precisava o mundo era de outra guerra", sobretudo "uma guerra ilegal e absurda", que afasta os governos "das prioridades" como os serviços públicos ou o acesso à habitação e serve para "alimentar os interesses de uns poucos", afirmou Sánchez.
"Não é justo que alguns incendeiem o mundo e outros tenham de engolir as cinzas. Não é justo que os espanhóis e espanholas e o resto dos europeus tenham de pagar do seu bolso a fatura desta guerra ilegal", lamentou.
Mediadores pressionam EUA e Irão a reunirem-se até quinta-feira
Mediadores da Turquia, do Egito e do Paquistão estão a pressionar as partes envolvidas na guerra no Médio Oriente para que seja marcada uma reunião entre responsáveis norte-americanos e iranianos nas próximas 48 horas, ainda que ambas as partes continuem muito distantes quanto a um possível acordo, avança o The Wall Street Journal (WSJ), que cita autoridades árabes e um responsável norte-americano a par das discussões.
As autoridades iranianas afirmaram inicialmente que estariam abertas a conversações, mas ainda não deram aprovação formal a uma reunião em Islamabad, capital do Paquistão, que se ofereceu para mediar negociações entre Washington e Teerão.
A agência Axios já tinha noticiado anteriormente que vários países estariam a pressionar os EUA e o Irão para se reunirem já nesta quinta-feira.
China apoia todas as iniciativas que contribuam para reduzir as tensões
A China indicou hoje que "é sempre melhor negociar do que intensificar os combates", apelando à resolução do conflito no Médio Oriente, e afirmou apoiar "todas as iniciativas que contribuam para reduzir tensões".
As declarações, feitas em conferência de imprensa pelo porta-voz do ministério dos Negócios Estrangeiros chinês Lin Jian, surgem após fontes governamentais do Paquistão terem assegurado que o país lidera uma iniciativa de mediação com a Turquia e o Egito para pôr fim à guerra entre o Irão, os Estados Unidos e Israel.
Trump afirmou na segunda-feira ter mantido conversações "ótimas e produtivas" com Teerão para alcançar o fim das hostilidades e garantiu que os contactos vão continuar ao longo da semana, embora o Exército do Irão tenha negado hoje a existência de negociações com Washington.
Lin afirmou ainda que "a China espera que todas as partes aproveitem qualquer oportunidade e janela para a paz e iniciem, o mais rapidamente possível, um processo de diálogo".
Acrescentou também que a situação está a afetar a segurança energética global, o funcionamento das cadeias de abastecimento e produção, bem como a ordem do comércio internacional, sublinhando que a China "está disposta a reforçar a coordenação e cooperação com a comunidade internacional para enfrentar conjuntamente os desafios em matéria de segurança energética".
Na véspera, o ministro chinês dos Negócios Estrangeiros, Wang Yi, manteve uma chamada telefónica com o seu homólogo iraniano, na qual apelou ao regresso à via do diálogo para pôr fim à guerra do Irão e iniciar negociações de paz "o mais cedo possível".
Wang insistiu que todas as questões sensíveis devem ser resolvidas através do diálogo e da negociação, e não pelo recurso à força.
A guerra no Médio Oriente entra na sua quarta semana, após a escalada iniciada a 28 de fevereiro com ataques coordenados dos Estados Unidos e de Israel em território iraniano.
Em resposta, o Irão lançou vagas de mísseis e veículos aéreos não tripulados ("drones") contra Israel e alvos estratégicos no Golfo, além de manter bloqueado o Estreito de Ormuz, por onde passa cerca de um quinto do abastecimento mundial de petróleo.
A China, principal parceiro comercial de Teerão e maior comprador do seu petróleo, tem condenado reiteradamente os ataques ao Irão, embora também tenha apelado ao "respeito pela soberania" dos países do Golfo, com os quais mantém igualmente relações estreitas.
AIE disponível para libertar mais reservas de petróleo "se necessário"
A Agência Internacional de Energia (AIE) está disposta a libertar mais reservas estratégicas de petróleo "se for necessário", disse hoje o diretor executivo da organização, Fatih Birol, durante uma reunião no Japão com a primeira-ministra japonesa, Sanae Takaichi.
"Birol expressou a sua gratidão ao Japão pela sua decisão exemplar de libertar as suas reservas estratégicas entre os membros da AIE, e afirmou que poderia considerar outra fase de libertação, se necessário", detalhou o Ministério dos Negócios Estrangeiros japonês num comunicado.
O responsável respondeu assim ao pedido japonês para "preparar possíveis libertações adicionais coordenadas no futuro", caso a guerra entre os Estados Unidos e Israel contra o Irão se prolongue.
A primeira-ministra japonesa recebeu Birol em Tóquio para discutir possíveis formas de estabilizar o fornecimento de petróleo bruto, cerca de uma semana depois de a AIE ter aumentado a libertação das suas reservas estratégicas para 426 milhões de barris, a maior da sua história, para compensar perdas de abastecimento devido à interrupção do tráfego marítimo no Estreito de Ormuz.
O responsável da AIE afirmou no início desta semana, a partir da Austrália, que a situação é "muito grave" e ultrapassa as crises energéticas da década de 1970.
Teerão nega acordo com Trump e afirma que preço do petróleo continuará alto
O Irão respondeu hoje às declarações do Presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, de que estaria a negociar com Teerão: "Não chames acordo à tua derrota. A era das tuas promessas chegou ao fim", disse o Exército iraniano.
Num comunicado divulgado pela agência Tasnim, ligada à Guarda da Revolução Islâmica iraniana, o porta-voz do Comando Unificado de Operações Khatam al-Anbiya, o coronel Ebrahim Zolfaghari, insistiu que as declarações da Casa Branca sobre as negociações com a República Islâmica são falsas.
"Não chames acordo à tua derrota. A era das tuas promessas terminou. Existem hoje duas frentes: a verdade e a mentira. E nenhum amante da verdade se deixa seduzir pelas tuas ondas mediáticas", afirma o comunicado.
"Será que os teus conflitos internos chegaram a um ponto em que estás a negociar contigo mesmo?", continuou.
O Exército iraniano também advertiu que o preço do petróleo não voltará a ser o que era até que as Forças Armadas iranianas "garantam a estabilidade da região".
"Nem os vossos investimentos na região se concretizarão, nem verão os preços da energia e do petróleo de antes, até compreenderem que a estabilidade na região é garantida pela mão poderosa das nossas forças armadas", acrescenta o texto do Comando Unificado de Operações.
Donald Trump manifestou-se na terça-feira convencido de que Teerão e Washington vão "chegar a um acordo" no âmbito das conversações que o Presidente norte-americano afirma estar a manter com a República Islâmica, onde se verificou "uma mudança no regime".
Teerão reconheceu ter mantido alguns contactos indiretos com a Casa Branca, mas rejeitou categoricamente qualquer tipo de negociação.
Trump afirmou ainda que os representantes do Irão com quem Washington está a dialogar "concordaram que nunca terão a arma nuclear" e que Teerão lhe concedeu um "grande presente" relacionado com o estreito de Ormuz, rota comercial fundamental para o petróleo, controlada pelo Irão, e pedra angular deste conflito.
O Exército iraniano declarou, porém, que, até que a sua "vontade" seja feita, nenhuma situação "voltará a ser o que era": "Ninguém como nós chegará a um acordo com alguém como vocês", sublinhou o porta-voz.
O The New York Times noticiou na terça-feira, citando uma fonte, que falou sob condição de anonimato, que a Casa Branca terá submetido ao Irão um plano de cessar-fogo com 15 pontos, através de intermediários do Paquistão, que se ofereceram para acolher negociações entre Washington e Teerão.
Paralelamente, o Pentágono está a mobilizar duas unidades da Marinha que irão adicionar à presença militar norte-americana na região cerca de 5.000 fuzileiros navais e milhares de marinheiros.
As duas medidas estão a ser interpretadas como uma manobra de Trump para se garantir "máxima flexibilidade" quanto ao que irá fazer a seguir, acrescentou a fonte.
Autoridades israelitas, que têm defendido que Trump continue a guerra contra o Irão, ficaram surpreendidas com a apresentação de um plano de cessar-fogo, ainda segundo a mesma fonte.
A Casa Branca não respondeu aos pedidos da Associated Press para um comentário sobre esta notícia.
Entretanto, ataques aéreos atingiram a República Islâmica, enquanto mísseis e drones iranianos atacaram Israel e alvos em toda a região.
Com os preços do petróleo a subir e os consumidores a sentirem o impacto nas bombas de gasolina, Trump tem estado sob crescente pressão interna para pôr fim à guerra.
O bloqueio de Teerão ao estreito de Ormuz paralisou o transporte marítimo internacional, fez disparar os preços dos combustíveis e ameaça a economia mundial.
"O poder estratégico de que costumavam falar transformou-se num fracasso estratégico", afirmou Zolfaghari.
"Aquele que se autointitula superpotência mundial já teria saído desta confusão se pudesse. Não disfarcem a vossa derrota como um acordo. A vossa era de promessas vazias chegou ao fim", reiterou.
Conflito prolongado eleva risco de tensões sociais na Ásia-Pacífico, diz Fitch
A agência de notação financeira Fitch alertou para um aumento do risco de tensões sociais e protestos na região da Ásia-Pacífico provocado pelo aumento do custo de vida, caso o conflito no Golfo se prolongue.
"O papel central do Golfo nos mercados globais de fertilizantes", a subida do preço do gás natural e "as perturbações no comércio" podem elevar os custos dos fertilizantes, sublinhou a Fitch, num relatório divulgado na terça-feira.
Em 28 de fevereiro, Israel e os Estados Unidos iniciaram uma vaga de bombardeamentos contra o Irão. Em retaliação, Teerão tem atacado alvos nos países vizinhos do Golfo, incluindo bases militares e infraestruturas energéticas, e encerrou o Estreito de Ormuz, por onde transita cerca de 20% do petróleo e gás natural do mundo.
Desde o início do conflito, os mercados asiáticos registaram um aumento de 143% no preço do gás natural liquefeito, componente que representa a maioria dos custos de produção de fertilizantes.
A China já impôs restrições às exportações de fertilizantes fosfatados e a Fitch disse esperar que a medida se mantenha, "restringindo o fornecimento em toda a região" da Ásia-Pacífico.
Uma subida no custo dos fertilizantes poderá tornar mais caros os alimentos e mais pesados os encargos financeiros dos países que têm "grandes programas" de subsídios à agricultura, referiu a agência.
Com menos fertilizante disponível no mercado, explicou a Fitch, os alimentos produzidos serão menos nutritivos, "aumentando os riscos para a segurança alimentar", particularmente nos países com baixos rendimentos.
Potenciais interrupções no fornecimento de petróleo podem também acelerar a inflação e limitar o crescimento nos países da Ásia-Pacífico, altamente dependentes das importações de combustíveis fósseis, referiu a Fitch.
"O impacto será desigual em toda a região", prevê a agência, com a Índia, Coreia do Sul, Paquistão, Filipinas, Maldivas e Tailândia entre os mais afetados.
Pelo contrário, os exportadores líquidos de energia, como a Austrália e a Malásia, poderão obter maiores receitas da venda de petróleo e gás natural, refere o relatório.
No entanto, a Fitch espera que nenhuma economia da Ásia-Pacífico beneficie, de forma geral, de um conflito prolongado no Golfo, devido ao impacto na inflação e no crescimento económico e às "pressões políticas associadas".
A agência diz que jurisdições como Singapura ou Macau, com "grandes reservas financeiras", podem implementar apoios aos combustíveis, eletricidade ou aos fertilizantes para estabilizar a economia.
Mas "as finanças públicas deterioraram-se em muitos países da região Ásia-Pacífico desde a pandemia de covid-19", lembrou ainda a Fitch, o que resultou na diminuição das reservas disponíveis para a política orçamental.
Taiwan assegura que abastecimento de gás natural está garantido até junho
O abastecimento de gás natural em Taiwan está "totalmente garantido" até junho, assegurou hoje o ministro dos Assuntos Económicos, Kung Ming-hsin, numa altura de preocupação com possível escassez energética devido ao conflito no Médio Oriente.
Em declarações citadas pela agência noticiosa CNA, o governante indicou que a programação para junho já está concluída em cerca de 50%, o que "garante a estabilidade geral do abastecimento".
O ministério dos Assuntos Económicos indicou anteriormente que o fornecimento de gás natural se manteria estável até ao final de maio e que as fontes de importação da ilha estão diversificadas por 14 países, reduzindo a dependência exclusiva do Médio Oriente.
"Perante o impacto do conflito, a empresa estatal CPC Corporation reforçou a redistribuição de fornecimentos provenientes de fora do Médio Oriente para assegurar um abastecimento suficiente", referiu o ministério, em comunicado divulgado na segunda-feira.
Segundo dados da Administração de Energia, o gás natural liquefeito (GNL) foi a principal fonte de produção de eletricidade em Taiwan em 2025, representando mais de 47% do total, à frente do carvão (35,4%), das energias renováveis (13,1%) e da energia nuclear (1,1%).
As principais origens das importações de GNL foram o Qatar (33,7%), que na semana passada foi alvo de ataques com mísseis iranianos contra infraestruturas de gás, seguido da Austrália (33,5%), dos Estados Unidos (9,9%) e da Papua-Nova Guiné (7,9%).
Taiwan, sede da TSMC, maior fabricante mundial de 'chips' avançados para inteligência artificial, depende fortemente de combustíveis importados por via marítima, o que a torna particularmente vulnerável a eventuais interrupções no fornecimento.
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