Um ano de Troika: o que mudou nas previsões
Comparando o que se previa no "momento zero" e o que se prevê agora, que se completou um ano de exames de troika, a melhor notícia veio das exportações, a pior do desemprego. A primeira não deverá repetir-se; a segunda vai agravar-se.
Fazer previsões num ambiente de extrema incerteza transformou-se num exercício ainda mais arriscado. Mas o que aconteceu adere ao que era previsto há um ano? E o que se prevê agora para o futuro mais imediato “cola” com a programação de base feita em Junho de 2011?
Comparando o que se previa no “momento zero” e o que se prevê agora que se completou um ano de exames de troika, a melhor notícia veio das exportações, que cresceram 7,4% em 2011, bem acima dos 6,2% inicialmente previstos. O dinamismo do sector exportador permitiu acomodar uma maior queda do investimento e contribuiu para que o PIB tivesse recuado menos do que se suponha. A queda do Produto foi de 1,6%, em vez de 2,2%, mas para este resultado foi igualmente determinante – mais determinante até - uma menor queda do consumo privado (que explica quase dois terços do PIB) e também do consumo público, que caiu 3,9%, bem menos do que os 6,8% previstos. Também o desemprego e a dívida pública começaram a furar as previsões logo em 2011, mas os desvios foram, em ambos os casos, contidos.
E para 2012?
Há um ano antecipava-se que a recessão já tivesse começado a abrandar: a primeira base de trabalho assumia uma nova queda do PIB, de 1,8%, menos acentuada que a prevista para o ano anterior (-2,2%, que se revelou -1,6%). Mas o que agora se prevê é uma retracção mais cavada, com o PIB a encolher 3%, movida por um fortíssimo recuo do consumo privado (deverá cair 6%, e não 4,4%) e do investimento (-12,2% em vez de -7,4%). E já não se antecipam mais “milagres” vindos do sector exportador – pelo contrário. O mais recente quadro macroeconómico da troika assume como expectável um crescimento de 3,5% das exportações, quase metade dos 6% que estavam inscritos no primeiro programa.
A correcção fortíssima do saldo negativo da balança corrente que vem de 2011 deverá ser prosseguida neste ano, mas a contribuição decisiva deverá agora ser dada pelas importações que deverão duplicar a queda face ao que era previsto há 12 meses. Os desvios, mais amplos em todas as variáveis, estendem-se agora de forma muito significativa ao desemprego: há um ano, a troika esperava uma taxa média de 12,7% no fim de 2012; hoje espera 15,5%, 2,8 pontos percentuais mais elevada. Também a previsão para o rácio da dívida pública surge agora mais 2,2 pontos agravada, passando para 114,4% do PIB.
E como se pensa hoje que será 2013? Pior do que se suponha há um ano em praticamente todos os indicadores – a grande excepção vai para o grau de correcção do saldo negativo da balança corrente. O PIB crescerá marginalmente (0,2%),o desemprego será quase três pontos superior ao que a troika inicialmente projectava e a dívida pública subirá para 118,6% do PIB, já próximo do limiar de 120% que implicitamente ficou estabelecido, com a reestruturação na Grécia, como o “limiar” de sustentabilidade.