Ventura: "Não aceito que velhos do Restelo digam que depois do 25 de Abril foi tudo bom"
Líder do Chega esteve esta segunda-feira num debate com o historiador Pacheco Pereira depois de André Ventura ter afirmado no Parlamento que houve mais presos políticos depois do 25 de Abril.
O historiador José Pacheco Pereira e André Ventura estão esta segunda-feira frente-a-frente num debate televisionado na CNN Portugal, isto depois do líder do Chega ter afirmado em Parlamento que havia mais presos políticos depois do 25 de Abril. Frente a Pacheco Pereira, e ao citar o historiador Rui Ramos, reafirmou que na noite antes do 25 de Abril havia "menos de 200 presos políticos" e que "meses depois tínhamos entre dois mil a três mil presos políticos".
Ventura recordou ainda os "dezenas de milhares de expatriados" que "nunca ninguém fez justiça". "Foram perseguidos pelos novos donos do sistema, que eram os que fizeram a revolução. (...) O sistema anterior errou, mas o novo não trouxe nos meses a seguir coisas muito boas."
Questionado pelo jornalista se gostava mais ditadura do que da Democracia que temos, respondeu: "Pelo contrário. Gostava de ter uma Democracia plena em que ninguém fosse perseguido, (...) não houvesse presos políticos e torturados como aconteceu depois do 25 de Abril, e antes também. O que não aceito é aqueles velhos do Restelo que dizem: 'antes era tudo mau e depois do 25 de Abril foi tudo bom'."
Pacheco Pereira ripostou logo de seguida: "O André Ventura mete-se em cada sarilho....". E deu início ao seu raciocínio: "O número de presos políticos que eram guerrilheiros era relativamente pequeno por uma razão: porque a maioria dos presos que eram guerrilheiros ou ia parar à PIDE ou ia para os aquartelamentos militares e muitos foram executados e torturados."
André Ventura contrapôs: "Grande parte dos presos, quer na Guiné, quer em Moçambique, quer em Angola, eram pessoas que tinham atacado o Estado português, o exército português, que tinham violado e morto mulheres e bebés." E não deixou de reconhecer que "as torturas em Lisboa eram comuns a seguir ao 25 de Abril", mas quanto a isso Pacheco Pereira acusou-o de estar a mentir. "É uma grande mentira", garantiu. O líder do Chega deixou o historiador prosseguir com o seu raciocínio, mas deixou claro que ia proceder ao contraditório: "Não é Alexandra Leitão", recordou.
Pacheco Pereira explicou que "grande parte dos presos que estavam em Angola, Moçambique e Cabo Verde eram enfermeiros, funcionários dos correios, professores primários, pastores protestantes, que em muitos casos eram estudantes aliciados para regressarem a Portugal e eram presos nas colónias". A isto, André Ventura respondia: "É mentira". Ao citar um documento disse: "Vou ler quem estava preso politicamente em 1975: carpinteiro, comerciante, advogado, construtor civil, reformado... Não eram os militares que estavam presos, nem os políticos. Eram pessoas que discordavam da extrema-esquerda", alegou.
E o historiador continuou: "Ou admite que eles não são portugueses, eram combatentes nacionalistas porque eram moçambicanos, angolanos, cabo-verdianos, e nesse caso como bom nacionalista admite que esses homens viviam num país que estava ocupado por outro e tinham direito a se revoltar, ou por simplesmente os considera portugueses."