Crato: “Larga maioria dos professores não se identifica com estas atitudes”
Ministro da Educação lamenta boicotes à prova de avaliação de conhecimentos e capacidades.
O ministro da Educação, Nuno Crato, aceita que houvesse quem não quisesse fazer a prova, mas repudiou quem impediu os outros docentes de a fazerem e acredita que daqui a uns anos, em que a prova vai ser algo normal, este será visto como um “incidente de percurso”.
“A larga maioria dos professores não se identifica com estas atitudes”, resumiu Crato, em entrevista esta noite à RTP.
Para o ministro da Educação, há um direito à não greve que não foi respeitado. E para que esses professores que não conseguiram fazer esta manhã a prova não sejam prejudicados, haverá uma nova prova. “Marcaremos data o mais breve possível, muito naturalmente será em Janeiro”, garantiu o governante.
Quando questionado sobre se os professores que hoje não fizeram a prova porque não quiseram poderão repeti-la, Crato respondeu: “penso que esses não se vão querer inscrever nesta prova. Professores que não querem fazer a prova não devem fazê-la”, mas o júri “terá de verificar isso”.
“Tudo isto vai ser regularizado em breve e daqui a alguns anos vamos ver como um incidente de percurso”, rematou.
Nuno Crato não avançou com dados de quantos professores fizeram a prova por estarem a ser ainda recolhidos e escusou-se a responder aos números avançados pela Fenprof. Segundo a estrutura sindical cerca de 6.000 docentes, dos 13.500 inscritos, não realizaram a prova.
“Esta é uma prova de capacidades mínimas para os professores”
O ministro reiterou a ideia de que esta prova servirá para garantir aos pais e às famílias que só os “melhores professores” leccionam nas escolas públicas. “Esta é uma prova de capacidades mínimas para os professores e o que nós queremos é que a partir de agora esta prova se torne normal”, frisou Crato, que acabou por enumerar todas as medidas no sentido de reforçar a qualidade da escola pública.
Entre essas novidades estão a introdução de exames a português e matemática para acesso à licenciatura de educação; uma alteração à estrutura curricular das escolas de formação de professores e ainda o reforço da formação contínua.
O dia de hoje ficou marcado pela realização da prova de avaliação de conhecimentos e capacidades, prevista desde 2007, e pelos vários episódios que atribularam e boicotaram mesmo a realização de provas em algumas das 113 escolas destacadas para este dia. Esta prova destinou-se a todos os docentes contratados com menos de cinco anos de carreira.