Educação Politécnico do Porto fecha negócio imobiliário de 11 milhões com a Católica

Politécnico do Porto fecha negócio imobiliário de 11 milhões com a Católica

Seis anos após comprar o edifício de biotecnologia à universidade privada, o maior Politécnico do país completa o projeto no polo da Asprela com um avultado investimento para agregar os centros de investigação e inovação.
Politécnico do Porto fecha negócio imobiliário de 11 milhões com a Católica
Rui Pinheiro - IPP
António Larguesa 30 de setembro de 2019 às 16:29

O Instituto Politécnico do Porto (IPP) vai avançar para a aquisição de um edifício e do direito de superfície de um outro imóvel no polo universitário da Asprela, localizado junto ao hospital de São João, num negócio que significa um encaixe de quase 11 milhões de euros para a Universidade Católica Portuguesa.

 

Os encargos financeiros desta operação na cidade Invicta, já autorizada pelo Governo através de uma resolução do Conselho de Ministros com a data de 19 de setembro, serão "suportados por verbas do orçamento do IPP, estando assegurada a respetiva cobertura orçamental por receitas próprias".

 

Em causa estão duas propriedades vizinhas ligadas há várias décadas à organização regional da Católica, ambas situadas na Rua Arquiteto Lobão Vital, na freguesia de Paranhos. Paga 1,725 milhões de euros por um prédio de dois pisos e 1.690 m2 e desembolsa 9,225 milhões, também "livres de ónus e encargos", pela aquisição do direito de superfície sobre um outro edifício de sete pisos e logradouro, com a superfície coberta de 3.472 m2 e descoberta de 2.834 m2, cujo direito de solo é propriedade da Câmara do Porto.

 

 

Neste local vai nascer o novo centro de investigação, transferência de tecnologia e inovação desta instituição de ensino (PORTIC na sigla inglesa), que vai agregar num único espaço físico a quase totalidade dos atuais 24 centros de investigação pertencentes às nove escolas deste que é o maior Politécnico do país, contabilizando mais de 18 mil estudantes.

 

"Este centro, para além de permitir dotar os atuais centros de investigação de instalações definitivas e de acordo com as suas necessidades, permite ainda criar um ecossistema de conhecimento, ciência, transferência e reprodução em sintonia com as melhoras práticas internacionais", lê-se no diploma assinado pelo primeiro-ministro, António Costa.

 

Por outro lado, atendendo ao aumento do número de estudantes do IPP nas 56 licenciaturas e nos 62 mestrados, a transferência destas unidades de investigação para um novo espaço possibilita ainda "melhorar áreas fundamentais em algumas escolas, a nível de ensino e de apoio ao ensino, tais como salas de aulas e laboratórios e salas de estudo e biblioteca".

 

Da biotecnologia privada à saúde pública

 

O negócio agora acertado completa o investimento iniciado há cerca de seis anos pelo IPP, numa polémica transação avaliada em 7,2 milhões de euros, que envolveu a compra das instalações onde funcionava a Escola Superior de Biotecnologia da Universidade Católica. Na altura, o Bloco de Esquerda chegou a questionar o Ministério sobre uma alegada "tentativa de apoio financeiro de forma encapotada" à instituição privada de Ensino Superior.

 

Para os mais de mil jovens que ali estudavam, a mudança de rotinas foi gradual e só a partir deste ano letivo 2019/2020 é que ficou completa, com todas as atividades da Universidade Católica na Invicta concentradas agora no campus da instituição na Foz, na zona ocidental da cidade, onde já funcionavam as escolas de Direito, Artes, Psicologia, Teologia e a Católica Porto Business School.

A Escola Superior de Biotecnologia da Católica ocupa agora um novo edifício no campus da Foz.
A Escola Superior de Biotecnologia da Católica ocupa agora um novo edifício no campus da Foz.

Para o antigo edifício cor-de-rosa de Biotecnologia, o IPP transferiu em 2016 a Escola Superior de Saúde, que anteriormente funcionava num edifício arrendado à Câmara de Gaia. A terceira maior escola do Politécnico – liderado desde 2018 por João Rocha, que sucedeu a Rosário Gamboa – tem perto de 2.500 estudantes, 312 docentes, 12 licenciaturas, nove mestrados e vários cursos de formação contínua, estando agora mais próxima dos serviços comuns da instituição e das conhecidas escolas dedicadas à Engenharia (ISEP) e à Contabilidade e Administração (ISCAP).

 

A instalação do PORTIC carece de uma área de dimensões adequadas, com proximidade aos principais centros de investigação das escolas do Instituto Politécnico do Porto. Resolução do Conselho de Ministros n.º 166/2019

  

No diploma em que reconhece o "interesse público" deste novo investimento, o Executivo socialista refere precisamente que a instalação do PORTIC ("Porto Research, Technology & Innovation Center") "carece de uma área de dimensões adequadas, com proximidade aos principais centros de investigação das escolas do IPP e com características específicas, tais como gabinetes de trabalho, salas de reuniões, espaços laboratoriais, letivos e sociais".




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