Emprego Taxa de desemprego desce para mínimo de 2008 no primeiro trimestre

Taxa de desemprego desce para mínimo de 2008 no primeiro trimestre

O desemprego continua a descer em Portugal. Os dados do INE mostram que o arranque de 2018 manteve a tendência de descida.
Tiago Varzim 09 de maio de 2018 às 11:02

A taxa de desemprego desceu para os 7,9% no primeiro trimestre deste ano, de acordo com os dados revelados esta quarta-feira pelo Instituto Nacional de Estatística (INE). Este é o valor mais baixo desde o quatro trimestre de 2008. No quarto trimestre de 2017 a taxa de desemprego situou-se nos 8,1%. 

"A taxa de desemprego do primeiro trimestre de 2018 foi 7,9%", revelou o INE esta quarta-feira, indicando que "este valor é inferior em 0,2 pontos percentuais (p.p.) ao do trimestre anterior e em 2,2 p.p. ao do trimestre homólogo de 2017". Esta evolução ocorreu num trimestre em que a população activa diminuiu ligeiramente. 


O que aconteceu no arranque de 2018? O INE explica que a variação trimestral da população empregada foi influenciada pelo aumento das mulheres empregadas, especialmente entre os 45 e os 64 anos, com ensino secundário ou superior, a trabalhar no sector dos serviços a tempo completo.

"O emprego nas actividades de comércio por grosso e a retalho, reparação de veículos automóveis e motociclos, nas de transportes e armazenagem e nas de alojamento, restauração e similares assegurou mais de metade deste aumento", exemplifica o INE.

Do lado da população desempregada, os decréscimos são justificados principalmente pela saída dessa situação de mulheres, entre os 15 aos 24 anos, que estavam à procura do primeiro emprego em sectores como a indústria, construção, energia e água.

Desde o segundo trimestre de 2016 que a população desempregada tem vindo a descer. Do final do ano passado para o arranque de 2018, o número de desempregados reduziu-se em 11,9 mil, o que corresponde a uma diminuição de 2,8%. A comparação com o mesmo período do ano anterior mostra que, num ano, a diminuição foi de 113,8 mil (-21,7%).

Contudo, isso não significa que a população empregada tenha aumentado na mesma ordem. Estimada em 4.806,7 mil pessoas, a população empregada "registou uma variação trimestral relativa quase nula", classifica o INE, referindo que o  acrescento foi de apenas 1,8 mil pessoas. Já o aumento homólogo foi de 148,6 mil (+3,2%).



As boas notícias são partilhadas também pela população mais jovem. "A taxa de desemprego de jovens (15 a 24 anos) foi 21,9%, o valor mais baixo da série iniciada no primeiro trimestre de 2011", assinala o INE, referindo que houve uma queda de 1,6 pontos percentuais em comparação com o quarto trimestre de 2017. Já a taxa de subutilização do trabalho foi de 15,2%.

Para este ano o Governo prevê que a taxa de desemprego anual chegue aos 7,6%, o mesmo valor previsto pelo Conselho das Finanças Públicas. Já o Banco de Portugal e o Fundo Monetário Internacional são mais optimistas com uma previsão de 7,3%.


Anteriormente, o INE já tinha indicado que, em Fevereiro, a taxa de desemprego mensal tinha sido de 7,4%, o valor mais baixo dos últimos 14 anos. Contudo, estes dados são ajustados de sazonalidade pelo que não comparam com os valores trimestrais.


Em 2017, a taxa de desemprego em Portugal ficou nos 8,9%, menos 2,2 pontos percentuais que em 2016. No ano passado, a economia adicionou mais 3,2% de empregos.

Na semana passada, a Comissão Europeia alertou que a economia portuguesa vai continuar a criar mais empregos, mas com salários abaixo da média. "O aumento do salário médio na economia portuguesa deverá ser parcialmente compensado por uma forte criação de emprego em sectores com salários abaixo da média", avisou Bruxelas. 

 
(Notícia actualizada pela última vez às 11:56)



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