Montenegro fala em "adesão reduzida". "Maioria quis trabalhar", garante
O primeiro-ministro fala de um índice de "adesão muito reduzido" no setor privado e na administração pública rondará "os 23%". Quanto ao diploma que já está no Parlamento, espera que possa ser "enriquecido" com os contributos dos partidos da oposição.
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O primeiro-ministro acredita que a "maioria dos portugueses quis trabalhar" e que os índices de adesão à greve geral convocada pela CGTP para contestar o pacote laboral do Governo são "muito reduzidos" no setor privado.
"Toda a informação que nos é carregada por variadíssimas entidades, confederações empresariais, empresas propriamente ditas que nos transmitiram os índices de adesão é que são, eu diria, muito, muito reduzidos. Não quero estar a adjetivar, mas são muito reduzidos", afirmou Luís Montenegro no final da reunião do Conselho de Ministros desta quarta-feira, 3 de junho.
Quanto ao setor público, o primeiro-ministro afirmou que, "em média, a taxa de adesão andará nos 23%. E onde a maior parte dos serviços que não esteve disponível não foi por ter 100% dos seus colaboradores a exercer a greve. Foi porque determinadas funções, não sendo possíveis, impossibilitam que um ou outro departamento, um ou outro equipamento possa estar aberto."
A greve geral convocada pela CGTP contesta as alterações ao Código do Trabalho apresentadas pelo Governo e que serão debatidas na generalidade no próximo dia 18 de junho no Parlamento.
Recusando estar a pôr em causa o direito à greve, o primeiro-ministro disse esta paralisação "não trouxe nenhuma novidade e também não trouxe nenhuma solução", voltando a referir, tal como na greve geral de dezembro do ano passado, "que muitas pessoas, muitas famílias, foram prejudicadas indiretamente por causa desta greve."
Questionado sobre o calendário conhecido esta quarta-feira - dia da greve - para a discussão na generalidade do diploma a 18 de junho, e dizendo que "não é responsável pela agenda do Parlamento", o chefe do Governo respondeu que "é a democracia a funcionar". "A nossa convicção é que o Parlamento tem agora a possibilidade e a responsabilidade de poder contribuir com as suas posições, as posições de todos os grupos parlamentares para enriquecer o texto que foi remetido à Assembleia da República e para podermos ter uma lei, um trabalho, um novo enquadramento jurídico das relações laborais que dê maior competitividade e produtividade à economia portuguesa."
Quanto ao diploma descer à comissão respetiva sem votação, o primeiro-ministro lembrou que o processo legislativo está agora na mão dos deputados. "É manifestamente extemporâneo estar a tomar uma posição sobre isso", respondeu aos jornalistas, acrescentando que "a dinâmica parlamentar tem as suas incidências." Quanto às negociações com os partidos da oposição, Montenegro garantiu que o Governo está "inteiramente disponível para, no processo legislativo, poder esclarecer, poder interagir, poder aproximar posições com os grupos parlamentares, nomeadamente para garantir a aprovação deste importante instrumento." Assumindo que "não excluí ninguém" (...), garantiu a "disponibilidade total do Governo para esclarecer, para aprofundar, eventualmente para modificar um ou outro ponto da proposta que seja suscetível de uma aproximação com as posições dos partidos na Assembleia da República."
Notícia atualizada às 17:35