Seguro "empoderou a UGT" para não celebrar acordo da lei laboral, diz ministra do Trabalho
Maria do Rosário Palma Ramalho entende que o Presidente da República "empoderou a UGT no sentido que tornou dispensável chegar a acordo". Diz estar confiante na legitimidade da reforma laboral e diz que vai negociar com todos os partidos no Parlamento.
- 18
- ...
A ministra do Trabalho, Solidariedade e Segurança Social, Maria do Rosário Palma Ramalho, considera, em entrevista à Antena 1, que o Presidente da República, António José Seguro, "empoderou a UGT" para rejeitar o acordo sobre a lei laboral em sede de concertação social.
"Entendo que a posição do então candidato à Presidente da República empoderou a UGT no sentido que tornou dispensável chegar a acordo", referiu a ministra, defendendo que as palavras de Seguro tiveram o efeito contrário. "O senhor Presidente quereria exatamente o contrário", disse, argumentando que a intenção era sentar os parceiros sociais à mesa para fecharem um acordo. Com as declarações de Seguro, "a UGT ficou legitimada para não celebrar o acordo, como veio a acontecer".
Com a discussão do diploma no Parlamento a aproximar-se e o Governo a não fechar a porta a negociações com nenhum partido, Maria do Rosário Palma Ramalho confia que o Presidente vai "exercer os poderes constitucionais em conformidade" com o texto que receber, sendo que a versão que sair dessa discussão "não será a mesma" que o anteprojeto inicial sobre o qual se pronunciou. "O Presidente tem margem política para voltar atrás na sua palavra, se a reforma não tiver um apoio abrangente", sublinha, defendendo que a reforma terá "legitimidade total" mesmo que seja aprovada apenas pelos partidos à direita (PSD, CDS, Chega e IL), que representam dois terços dos deputados.
(Notícia atualizada às 10:03 horas para corrigir no título a declaração da ministra do Trabalho)