Fitch teme que incerteza política em Espanha ponha em causa orientação reformista

A agência de notação acredita que os resultados eleitorais "inconclusivos" em Espanha elevam o risco de o percurso de reformista ser interrompido ou revertido. O banco central estima que a economia espanhola cresça 0,8% no quarto trimestre.
Reuters
David Santiago 22 de Dezembro de 2015 às 12:53

Numa nota divulgada ainda na passada terça-feira, a agência de notação financeira Fitch considerou que o caminho de reformas estruturais seguido em Espanha pode estar em causa devido ao que classifica de resultados eleitorais "inconclusivos". Para a agência norte-americana, a incerteza política em Espanha eleva o risco de abrandamento ou mesmo reversão das reformas estruturais implementadas nos últimos quatro anos.

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As eleições de domingo não permitiram a nenhum partido alcançar a maioria. O PP venceu as eleições mas não detém nenhuma aliança natural que lhe garante apoio maioritário no Parlamento.

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E numa altura em que o primeiro-ministro em funções, Mariano Rajoy, anunciou que vai encetar negociações tendo em vista a formação de um "Governo estável", o PSOE já garantiu que votará contra a investidura do presidente do PP. Os socialistas abrem mesmo a porta a um entendimento com o Podemos, sendo que as duas forças também não garantem maioria absoluta.

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Perante este cenário, a Fitch nota que qualquer coligação de Governo deverá ter de ser composta por pelo menos três partidos, o que torna mais frágil um eventual Executivo formado nestas condições. Como tal, a agência refere que o agendamento de novas eleições gerais já em 2016 "é uma possibilidade".

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A Fitch recorda que quando reiterou o rating "BBB+" à dívida soberana espanhola já notava que a ascensão de partidos como o Podemos e o Cidadãos abria caminho a múltiplas combinações de governo. No entanto, a agência salienta que um Governo fraco e, ou, dependente de partidos radicais pode representar um recuo face aos resultados já alcançados com as reformas estruturais aplicadas desde 2011.

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Ainda assim, a Fitch valoriza a forte recuperação económica de Espanha, que permite inclusivamente compensar alguns riscos relacionados com a consolidação orçamental em vésperas de eleições. Pelo que antecipa que o défice face ao PIB seja de 4,3% em 2015, de 3,1% no próximo ano e de 2,7% em 2017, o que compara com um défice médio de 8,3% verificado entre 2010 e 2014.

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No entanto, a Fitch alerta para o facto de a consolidação orçamental continuar incompleta. Um aviso que surge já depois de a Comissão Europeia ter antecipado que o défice de Espanha seja de 4,7% do PIB em 2015, mais do que os 4,2% acordados entre Madrid e Bruxelas.

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Banco de Espanha estima crescimento de 0,8% no quarto trimestre

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Já esta terça-feira, 22 de Dezembro, o banco central de Espanha anunciou que o produto interno bruto (PIB) deverá crescer 0,8% no último trimestre deste ano, mantendo a tendência de recuperação já verificada nos trimestres anteriores. Em comparação com o período homólogo, no terceiro trimestre a economia cresceu 3,4%.

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Para o ano de 2015, o banco central antecipa um crescimento de 3,2%, uma estimativa ligeiramente mais optimista do que aquela feita pela Comissão Europeia que aponta para um aumento do PIB de 3,1%.

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Entretanto os mercados parecem ter acalmado, depois de na ressaca das eleições de domingo ter sido registado algum receio relacionado com as perspectivas de instabilidade política, levando mesmo os juros da dívida pública para máximos de cinco semanas. Mas após ter desvalorizado mais de 3,5% nas sessões de ontem, o índice bolsista espanhol Ibex segue hoje a somar mais de 0,5%.

 

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Também o comportamento dos juros associados às obrigações de dívida espanholas estabilizou esta terça-feira. Depois de uma sessão em que no prazo a 10 anos os a taxa de juro subiu 8,2 pontos para 1,775%, os juros da dívida pública seguem hoje a crescer apenas 0,6 pontos para 1,781%. 

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