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Mario Draghi aceitou ser primeiro-ministro e anunciou composição de governo de unidade nacional

Após ter aceitado "com reserva" a incumbência de formar governo, Mario Draghi comunicou ao fim desta tarde ao presidente da República italiana que aceita tomar posse como primeiro-ministro. Draghi revelou ainda os nomes que vão integrar um executivo de unidade nacional, com mais ministros políticos do que se esperava.

David Santiago dsantiago@negocios.pt 12 de Fevereiro de 2021 às 18:53
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O economista Mario Draghi está em vias de se tornar oficialmente o novo primeiro-ministro de Itália. Ao final desta tarde, o primeiro-ministro encarregado de formar governo esteve na residência oficial (palácio do Quirinale) do presidente da República transalpino para comunicar a Sergio Mattarella que aceita liderar o próximo executivo, tendo ainda apresentado a lista dos ministros que devem integrar uma espécie de governo de unidade nacional. Por seu turno, Mattarella aceitou os nomes indicados.

No final de uma reunião que durou cerca de 40 minutos,o secretário-geral da presidência transalpina confirmou que o antigo presidente do Banco Central Europeu aceitara, agora sem reservas, o mandato atribuído por Mattarella para formar governo e anunciou que este sábado, às 12:00 horas em Roma (11:00 de Lisboa), Draghi e o restante elenco governativo vão prestar juramento para, formalmente, iniciarem funções executivas. 

Após ter aceitado a incumbência de formar governo "com reserva", Mario Draghi aceitou agora essa responsabilidade sem reservas na sequência do amplo apoio partidário recebido, dos mais variados campos da política transalpina. O executivo de emergência nacional conta com o apoio do Movimento 5 Estrelas (o partido antisistema que detém a maior representação parlamentar e que na última madrugada aprovou o apoio a Draghi através de um referendo na plataforma Rousseau), da Liga (extrema-direita) de Matteo Salvini, do PD (centro-esquerda), do Itália Viva (centro-esquerda) de Matteo Renzi, do Livres e Iguais (esquerda democrática) e ainda do Força Itália (centro-direita) de Silvio Berlusconi.

Olhando para os maiores partidos italianos, apenas o Irmãos de Itália (extrema-direita nacionalista) de Georgia Meloni se opôs ao executivo de Draghi, a solução proposta por Mattarella de modo a evitar a realização de eleições antecipadas em plena crise sanitária e económica e, assim, acautelar o aprofundamento da crise política aberta com a demissão dos ministros do Itália Viva que integravam o executivo liderado pelo independente Giuseppe Conte. 

Ainda assim, apesar deste compromisso partidário quase transversal no apoio a Draghi, o novo governo não deixará de causar quezílias na vida interna dos partidos envolvidos. A título de exemplo, Alessandro Di Battista, deputado e um dos principais quadros do 5 Estrelas já anunciou o abandono do partido por não aceitar participar de um governo que inclui partidos como a Liga e o Força Itália. E com ele deverão sair outras figuras do partido, escreve a imprensa italiana. O risco de cisões é real e abrange a generalidade das forças envolvidas na solução governativa proposta por Draghi. 

Governo com 23 ministros e mais político do que técnico
Logo à partida para a missão de amealhar apoios, Mario Draghi fez questão de dizer que pretendia formar um executivo "híbrido", ou seja, metade composto por ministros de perfil político e a outra metade de pessoas com características tecnocratas. Esta foi a estratégia usada desde logo para superar a rejeição de partidos como a Liga e o 5 Estrelas a um governo tecnocrata. 

No entanto, os nomes indicados por Draghi, e já validados por Mattarella, divididos entre 15 homens e oito mulheres, apesar de garantir um governo "misto", tem maior prevalência de elementos com evidente perfil político. Enquanto 15 ministros vêm de partidos políticos, há oito governantes técnicos. Com quatro ministros, entre os quais Luigi Di Maio que continua à frente dos Negócios Estrangeiros, o 5 Estrelas é a força mais representada, seguida da Liga (garantiu o relevante ministério do Desenvolvimento Económico, pasta que terá sido determinante para o apoio conferido por Salvini), PD e Força Itália com três ministros cada. O Itália Viva e o Livres e Iguais contam com um ministro cada.

Nota ainda para Daniele Franco, até aqui diretor-geral do banco central transalpino, que ocupará a pasta da Economia e Finanças.

Todavia, os governantes que ficarão responsáveis pelas pastas mais ligadas à definição dos projetos e aproveitamento dos meios do fundo de recuperação da UE são técnicos, a forma encontrada pelo futuro primeiro-ministro para despolitizar o destino e dar aos mais de 200 mil milhões de euros que Itália receberá da Europa para promover um relançamento económico enquadrado pelas transições climática e digital. Recorde-se que foram precisamente as divergências em torno do plano transalpino para a absorção dos dinheiros europeus que levou à cisão de Renzi e posterior queda do segundo governo liderado por Conte. 

O próximo governo conta com algumas novidades, com a criação dos ministérios para a Transição Ecológica e para a Transição Digital à cabeça, e que serão respetivamente tutelados por Roberto Cingolani e por Vittorio Colao.

Depois da sessão solene deste sábado em que os membros do futuro governo irão prestar juramento, Mario Draghi terá ainda de se submeter à votação do respetivo programa político em ambas as câmaras do parlamento italiano, precisando assegurar a confiança tanto da Câmara dos Deputados como do Senado. As votações deverão decorrer entre quarta e quinta-feira da próxima semana, contudo não se esperam grandes surpresas dado o largo apoio de que beneficia o executivo consensualizado entre Draghi e os principais partidos.

(Notícia atualizada)
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