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Economista do BCE diz que bazuca da UE pode ser curta e fundos têm de ser gastos "com sabedoria"

Numa entrevista ao jornal francês Les Echos, a economista do BCE considera que o apoio orçamental desenhado pela UE poderá vir a revelar-se curto. Em termos de política monetária, Schnabel diz para os mercados não se focarem muito no ritmo de compras semanais.

Gonçalo Almeida goncaloalmeida@negocios.pt 17 de Março de 2021 às 11:33
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Isabel Schnabel, membro do Conselho Executivo do Banco Central Europeu (BCE), considera que o pacote de apoio orçamental desenhado pela União Europeia (UE) para combater a atual crise poderá vir a revelar-se curto, apesar de admitir que ainda é prematuro ter esta discussão.

Numa entrevista ao jornal francês Les Echos, questionada sobre se a UE deveria ter sido mais ambiciosa no seu "Next Generation EU" (750 mil milhões de euros), comparando com o plano de apoio da administração Biden (1,9 biliões de dólares), Schnabel respondeu que o apoio europeu se poderá revelar "insuficiente", mas "o que importa agora é que os fundos europeus acordados sejam entregues o mais rapidamente possível. Isso é absolutamente fundamental".

"Não nos podemos dar ao luxo de atrasar [a distribuição dos apoios], isso seria prejudicial. Quanto mais cedo os fundos forem disponibilizados, melhor. Ainda mais importante, precisamos de garantir que os países gastem os fundos com sabedoria, a fim de promover o seu potencial de crescimento", continua.

Apesar de considerar que os apoios dos Estados Unidos são muito maiores admite que a comparação com a UE não é "tão simples quanto isso", uma vez que "parte das medidas anunciadas pela administração dos Estados Unidos atuam como estabilizadores, algo que já é parte do sistema de segurança social na Europa. Por isso, a diferença é menos significativa do que aparenta". 

No final do ano passado, os líderes dos Estados-membro da UE deram "luz verde" ao programa de apoio orçamental no valor de 750 mil milhões de euros a ser distribuído pelos países da região, de forma a ultrapassar a atual crise provocada pela pandemia.

Nos Estados Unidos, a administração Biden conseguiu a aprovação este mês do plano de resgate da economia norte-americana e que contempla um envelope de 1,9 biliões de dólares, sendo este o terceiro plano de apoio orçamental desenhado pela maior economia do mundo desde que a pandemia começou.

Compras semanais aceleradas...ou talvez não 
No âmbito da bazuca monetária desenhada pelo BCE, a presidente Christine Lagarde disse na última reunião, que ocorreu na semana passada, que o ritmo de compras semanais seria aumentado "significativamente" no  âmbito do Programa de Emergência Pandémica, numa tentativa de travar a subida dos juros e da inflação.

Contudo, na conferência de imprensa que sucedeu ao anúncio de medidas, Lagarde deixou no ar que seria conveniente os mercados não se focarem em demasia no ritmo de compras e para não estarem a contar com um aumento brusco na semana seguinte. 

Agora, através do seu Twitter, Isabel Schnabel teceu algumas considerações sobre este programa, reforçando a ideia deixada na reunião pela líder da instituição.
O volume de compras caiu nas últimas duas semanas até 5 de março consecutivamente para os 12 mil milhões de euros, tendo voltado a subir para o patamar dos 14 mil milhões na última semana. Apesar do aumento ligeiro, o número fica aquém da média semanal de cerca de 18 mil milhões desde que o programa começou, há um ano.

Na reunião deste mês, o BCE optou por manter o envelope total do Pandemic Emergency Purchase Programme (PEPP) em 1.850 mil milhões de euros e o horizonte temporal para as compras líquidas também continua a ser março de 2022, ou até o BCE "considerar que o período de crise do coronavírus terminou". Já as aquisições líquidas ao abrigo do programa de compra de ativos (asset purchase programme – APP) vão continuar a um ritmo mensal de 20 mil milhões de euros.
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