Europa França insiste que novo adiamento do Brexit não "serve os interesses de ninguém"

França insiste que novo adiamento do Brexit não "serve os interesses de ninguém"

Um novo adiamento do ‘Brexit’ não "serve os interesses de ninguém", afirmou hoje a Presidência da República Francesa, instando o parlamento britânico a votar o acordo revisto para a Saída do Reino Unido da União Europeia (UE).  
França insiste que novo adiamento do Brexit não "serve os interesses de ninguém"
EPA
Lusa 19 de outubro de 2019 às 17:29

"Um novo adiamento não serve os interesses de ninguém. Um acordo foi negociado, cabe agora ao parlamento britânico dizer se o aprova ou não. É preciso uma votação sobre o seu conteúdo", reagiu o Palácio do Eliseu, após o Governo britânico ter decidido não submeter à votação parlamentar o acordo do ‘Brexit’, devido à aprovação de uma emenda que obriga o primeiro-ministro, Boris Johnson, a solicitar uma nova prorrogação para além de 31 de outubro.

 

A reação do Eliseu reitera a posição manifestada na sexta-feira, no final da cimeira europeia, por Emmanuel Macron, que defendeu que a UE não deve conceder um novo adiamento do ‘Brexit’ ao Reino Unido.

 

"Para que possamos concentrar-nos no futuro, acredito que devemos cingir-nos à data de 31 de outubro. Penso que uma nova extensão não deve ser concedida", sustentou.

 

O presidente francês não esteve, contudo, sozinho na recusa em contemplar uma nova extensão do Artigo 50.º do Tratado da UE, aquele que prevê um período de dois anos para a saída de um Estado-membro, caso o parlamento britânico não aprovasse hoje o acordo revisto para o ‘Brexit’, uma vez que também o presidente da Comissão Europeia se mostrou desfavorável a esse cenário.

 

"Espero que seja aprovado, confio que seja aprovado. Tem de ser. Seja ou não seja, não haverá extensão", declarou Jean-Claude Juncker na quinta-feira, à chegada ao Conselho Europeu, poucas horas depois de ter ‘fechado’ o acordo revisto para o ‘Brexit’ com Boris Johnson.

O alerta para uma eventual indisponibilidade europeia para autorizar uma nova prorrogação da data de saída do Reino Unido, inicialmente prevista para 29 de março e agora agendada para 31 de outubro, foi dado na sexta-feira pelo primeiro-ministro irlandês, Leo Varadkar.

 

"Penso que os parlamentares britânicos que vão votar amanhã [hoje] não devem partir do pressuposto que haverá unanimidade em torno de uma extensão. O nosso ponto de vista foi sempre um de abertura, mas seria um erro assumir que [um adiamento] é garantido", avisou.

O Governo britânico decidiu hoje não submeter à votação parlamentar o acordo do "Brexit" devido à aprovação de uma emenda que obriga o primeiro-ministro Boris Johnson a solicitar um adiamento para além de 31 de outubro.

 

A Câmara dos Comuns reuniu-se este sábado numa sessão extraordinária para decidir se apoiava o pacto, mas a votação acabou por não acontecer devido à emenda, aprovada com 322 votos a favor e 306 contra.

 

A emenda introduzida pelo deputado independente Oliver Letwin (ex-conservador) suspendia a ratificação final do acordo "Brexit" até ser aprovada a legislação que regulamenta o texto negociado com Bruxelas, devido ao risco de o processo não estar completo até ao final do mês.




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