Outros sites Cofina
Notícias em Destaque
Notícia

Sánchez fecha a porta a governo com Podemos e só admite pacto parlamentar

O líder do PSOE e grande vencedor das eleições do passado domingo reiterou que quer governar sozinho, voltando assim a fechar a porta  à intenção do Podemos integrar o próximo executivo. Pedro Sánchez quer repetir pacto parlamentar com Pablo Iglesias.

EPA
David Santiago dsantiago@negocios.pt 02 de Maio de 2019 às 19:56
  • Assine já 1€/1 mês
  • ...

Pedro Sánchez liderou um governo unicolor nos últimos 10 meses e assim quer continuar depois de ter vencido as eleições gerais espanholas do passado domingo e apesar da disponibilidade do Podemos para integrar o próximo executivo.

Não obstante a insistência de Pablo Iglesias, para quem é "imprescindível" a presença do Podemos no governo para concretizar uma "política de esquerda", o secretário-geral do PSOE e primeiro-ministro em funções pretende liderar um governo minoritário com base num pacto parlamentar com aquela formação de esquerda.

Sánchez mantém a vontade, enunciada durante a campanha eleitoral, de formar um governo progressista composto somente por ministros socialistas e independentes. Iglesias contrapõe que só com o Unidas Podemos o bloco da esquerda supera os mandatos do bloco da direita (PP, Cidadãos e Vox).

O El Mundo enquadra a posição de Pedro Sánchez como reflexo dos resultados eleitorais de 28 de abril, já que o PSOE passou de 85 para 123 mantados e a Unidos Podemos recuou de 71 para 42.

Ou seja, para Sánchez não faz sentido dar espaço de afirmação ao Podemos com a presença no governo, o que por outro lado abriria o flanco para críticas da direita por se aliar à "extrema-esquerda" que ameaça a integridade do território espanhol.

O facto de o ainda primeiro-ministro ter agendado, para a próxima segunda e terça-feira, encontros com os líderes do PP (Pablo Casado), do Cidadãos (Albert Rivera) e Iglesias, exatamente por esta ordem, que é a mesma da representação parlamentar conquistada no domingo, mostra uma aparente equidistância e confirma a promessa de que após as eleições dialogaria com todas as forças políticas.

Por outro lado sinaliza que o PSOE vai tentar normalizar as relações com as principais forças da direita moderada (PP e Cidadãos) após anos de enorme conflitualidade.

Pablo Iglesias não esconde a insatisfação por ficar para depois na agenda dialogante de Sánchez, desde logo porque acreditava que o PSOE daria prioridade à esquerda.

Ainda assim, os socialistas atribuem um caráter "preferencial" a acordos com o Podemos, pegando na expressão utilizada por José Luís Ábalos, responsável pela organização interna do PSOE.

"É lógico pensar que com o Unidas Podemos poderemos chegar a acordos de caráter programático", afirmou Ábalos nos festejos do 1 de maio.

O também ministro do Desenvolvimento clarifica depois a vontade socialista: "A nossa intenção é ter um governo como o atual, sozinhos, embora com vontade de chegar a acordos com outros partidos, sendo certo que a preferência recai sobre o Unidas Podemos, com quem já existe uma experiência prévia de entendimento".

Note-se que Sánchez chegou à Moncloa com o apoio parlamentar da aliança então denominada Unidos Podemos e de um conjunto de pequenas forças regionalistas e independentistas. Foi, contudo, às mãos dos independentistas catalães (ERC e Juntos pela Catalunha), que não apoiaram o orçamento socialista, que o governo de Sánchez acabou por cair.

Como salienta o El País, a preferência do PSOE recai no estabelecimento de pactos parlamentares com o Unidas Podemos e os nacionalistas bascos (PNV), no entanto em conjunto estas forças não somam os 176 deputados que conferem a maioria absoluta da câmara baixa do parlamento espanhol.

Assim, em Espanha não está ainda colocada fora de órbita a hipótese de Pedro Sánchez alcançar algum tipo de entendimento com o Cidadãos ou o PP nas reuniões da próxima semana.

Ver comentários
Saber mais Pedro Sánchez Espanha Pablo Iglesias PP PSOE Vox Unidas Podemos Pablo Casado Albert Rivera José Luís Ábalos PNV
Mais lidas
Outras Notícias