União Europeia Ciudadanos rejeita envolver-se em solução governativa com a extrema-direita espanhola

Ciudadanos rejeita envolver-se em solução governativa com a extrema-direita espanhola

O deputado do Ciudadanos Miguel Ángel Gutiérrez admitiu uma coligação pós-eleitoral com o Partido Popular espanhol, de Pablo Casado, mas rejeitou perentoriamente incluir o Vox, de extrema-direita, numa solução de Governo alternativa ao PSOE.
Ciudadanos rejeita envolver-se em solução governativa com a extrema-direita espanhola
Reuters
Lusa 09 de março de 2019 às 19:44

Uma solução de governo com o Vox, "nunca", disse Miguel Ángel Gutiérrez.

"Se houver uma maioria alternativa [ao PSOE, no poder], que reúna os votos necessários para governar, tentá-lo-emos, com certeza que sim. E seria um entendimento de Ciudadanos e PP. Entendo que não há outra alternativa", acrescentou o deputado, que falava à agência Lusa no Porto, onde participou numa sessão do partido português Iniciativa Liberal.

A posição de Miguel Ángel Gutiérrez foi expressa ao ser confrontado com a hipótese de repetição, no pós-legislativas de 28 de abril, de um cenário similar ao da Andaluzia, onde os socialistas ganharam as eleições, mas a direita (Ciudadanos e Partido Popular) formou governo, afastando o PSOE de décadas de poder naquela região, numa solução que beneficiou do apoio do VOX no Parlamento Regional.

Nas suas declarações à Lusa, Miguel Ángel Gutiérrez, um engenheiro de 55 anos, sublinhou a razão do seu partido, que se reclama de centro, para recusar qualquer entendimento com o PSOE, liderado por Pedro Sánchez, atual chefe do executivo espanhol.

"O PSOE, se ganhar, só poderá governar com o apoio dos separatistas e dos populistas de esquerda, não tem outra opção. E se isso suceder, nós estaremos na oposição. Nunca nos vamos coligar e fazer governo com Sánchez e com o PSOE. O Ciudadanos nunca vai estar num governo com aqueles que pretenderam dividir Espanha", declarou.

Questionada sobre a situação na Catalunha, onde o Ciudadanos foi o partido mais votado nas eleições regionais, mas onde quem está no poder é uma coligação apoiada pelos partidos independentistas, o deputado afirmou: "Preocupa-nos a deriva de secessão que existe neste momento na Catalunha, com um governo de independentistas incapaz de fornecer soluções de verdade, limitando-se a dividir os cidadãos entre bons e maus".

Referindo-se ao julgamento dos dirigentes independentistas catalães, que decorre em Madrid, foi parco em palavras: "Respeitamos as decisões judiciais, gostemos delas ou não, pois somos um partido que crê na separação dos poderes político e judicial".

Além de Miguel Ángel Gutiérrez, participaram no debate da Iniciativa Liberal de hoje, no Porto, o cabeça de lista por este partido às eleições europeias, Ricardo Arroja, e o professor universitário e deputado do PSD Miguel Morgado, que analisaram a livre circulação de pessoas e bens no espaço comunitário, o Euro, a liberdade de expressão, migrações e o futuro do estado-nação.

O centro liberal está a governar em sete países europeus porque, na visão do deputado espanhol, "a Europa está cansada do velho debate entre esquerda e direita", procurando outras alternativas.

"E creio que em Portugal pode ser igual", assinalou.




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