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Corbyn propõe que parlamento britânico vote realização de novo referendo

Após longos meses de indefinição sobre as reais pretensões dos trabalhistas, Jeremy Corbyn quer que os deputados britânicos discutam e votem a possibilidade de realizar um segundo referendo sobre a permanência britânica na UE.

Reuters
David Santiago dsantiago@negocios.pt 22 de Janeiro de 2019 às 12:25
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O Partido Trabalhista quer que os deputados britânicos decidam sobre a realização de um novo referendo à permanência na União Europeia. Ainda ao início da noite de ontem, o partido liderado por Jeremy Corbyn apresentou uma proposta de alteração à moção da primeira-ministra Theresa May para o Brexit que defende que seja o parlamento a ter a última palavra sobre a eventual realização de nova consulta popular.

Os trabalhistas concretizam, pela primeira vez, que admitem a possibilidade de um segundo referendo. No entanto, o texto da emenda ao plano de May é cauteloso e em momento nenhum é defendida a realização desse referendo ou esclarecida a posição do partido nesse cenário, sendo apenas proposto que os deputados possam discutir e votar essa possibilidade.

A proposta dos trabalhistas insta o governo liderado por Theresa May a submeter duas votações no parlamento: o plano B para o Brexit e a possibilidade de legislar no sentido da "realização de um referendo a um acordo ou proposta" capaz de receber apoio da "maioria do parlamento".

Se a maioria da Câmara dos Comuns votar favoravelmente a realização de um referendo, o parlamento poderá forçar o executivo de May a seguir essa via.

Mesmo assim, trata-se de uma relevante mudança de orientação política dos trabalhistas relativamente ao Brexit, já que até aqui Corbyn sempre rejeitou dizer o que pretendia do processo. O líder trabalhista limitava-se a defender a negociação com Bruxelas de uma união aduaneira "abrangente" e a recusar qualquer cenário de saída sem acordo.

Segundo o The Guardian, Jeremy Corbyn deverá agora ficar imóvel na expectativa pelo resultado da votação do plano de May prevista para o próximo dia 29 de janeiro. Esta cautela resultado do facto de o Partido Trabalhista acreditar existir uma maioria clara no parlamento contrária à hipótese de defesa aberta e imediata de outra consulta ao eleitorado britânico.

"A nossa emenda permitirá aos deputados votar as possibilidades de acabar com este impasse no Brexit e prevenir o caos de um não acordo. É chegado o tempo para a proposta alternativa trabalhista ser discutida, mantendo todas as opções em cima da mesa, incluindo a possibilidade de um voto popular", disse Jeremy Corbyn.

Depois de uma sondagem a militantes do Partido Trabalhista ter concluído que mais de 70% são a favor da realização de um novo referendo, na semana passada 71 deputados trabalhistas emitiram um comunicado a defender essa possibilidade.

Porém, Jeremy Corbyn sempre foi um eurocético e nunca assumiu uma posição definitiva na questão da saída britânica da União, tendo até aqui sempre centrado a sua ação na defesa de eleições antecipadas e na insistência de que o governo de May está esgotado na sua capacidade e legitimidade.

Esta segunda-feira, mais do que um plano alternativo ao acordo de saída chumbado na semana passada, a primeira-ministra May acabou por manter o essencial do compromisso rejeitado e oferecer apenas maior abertura ao diálogo e prometendo maior participação dos deputados na negociação do Brexit, em concreto no estabelecimento da relação futura entre Londres e Bruxelas.

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