Europa está a reavaliar posição sobre armas nucleares. França quer dar proteção aos aliados
Emmanuel Macron tenciona oferecer o "chapéu nuclear" francês aos restantes países europeus até ao final do mês. Volumes de investimento em tecnologia militar podem ser um entrave a uma maior independência europeia.
Vários países europeus têm discutido entre si a necessidade de um reposicionamento no que diz respeito ao arsenal nuclear da Europa. As conversações já envolveram políticos e militares de diferentes países, segundo avança a agência de notícias financeiras Bloomberg.
A notícia dá mesmo conta que o Presidente francês, Emmanuel Macron, tenciona disponibilizar o "chapéu nuclear" francês – uma expressão usada para designar quando um país com armas nucleares se compromete a defender os países aliados com o arsenal nuclear como forma de dissuasão –, num discurso que deverá ser feito até ao final de fevereiro.
Entre os países europeus, apenas o Reino Unido e a França têm armas nucleares próprias.
Estas conversações e mudança de posicionamento no tema do armamento nuclear têm por base as recentes tensões entre os países europeus e os EUA no que toca a temas de defesa. Segundo a Bloomberg, os países europeus têm feito um esforço para manter os EUA ligados à NATO enquanto operam um rearmamento em segundo plano.
A agressividade dos EUA no tema da Gronelândia e o facto de ter cortado, em março de 2025, informações críticas à Ucrânia, têm feito aumentar a ideia de que, em caso de necessidade de defesa, os EUA podem não ser um parceiro totalmente fiável na resposta.
Isso, aliado ao facto de a Rússia ter o maior arsenal nuclear do mundo – país com o qual as tensões políticas e comerciais têm escalado nos últimos tempos –, está a obrigar a Europa a reconsiderar o seu posicionamento também em matéria de armas nucleares.
"Imaginem se a Rússia invade a Estónia", teoriza Pavel Povdig, do Instituto das Nações Unidas para o Desarmamento. "Em França existe este cálculo – eles têm capacidade de gerar muitos danos à Rússia, mas a Rússia definitivamente tem uma capacidade muito superior de provocar danos em França. Isto será algo que Paris está disposta a contemplar?", comenta.
"É uma questão muito complicada, porque a dissuasão nuclear francesa não é um verdadeiro chapéu nuclear como aquele que a NATO oferece", comentou o primeiro-ministro belga, Bart De Wever, à Bloomberg.
A agência de notícias financeiras nota ainda que os países europeus, caso optem por um aumento do arsenal nuclear, podem incorrer em sanções internacionais relacionadas com a não proliferação desta tipologia de armas, além dos elevados custos associados a produzir e manter armas nucleares. Estima-se que o Reino Unido e a França gastem cerca de 11 mil milhões de euros por ano na manutenção de 400 armas nucleares.
O tema da dissuasão nuclear deverá ser um dos tópicos em destaque na Conferência de Segurança de Munique, que começa nesta sexta-feira.
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