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Itália espera flexibilidade da UE nas regras orçamentais devido ao coronavírus

A vice-ministra italiana das Finanças considera que Bruxelas deve estar preparada para intervir se uma economia transalpina em risco de estagnação for muito penalizada pelo coronavírus. Castelli admite que a UE poderá ter de conceder maior flexibilidade a Itália no cumprimento das regras orçamentais comunitárias.

Reuters
David Santiago dsantiago@negocios.pt 25 de Fevereiro de 2020 às 16:37
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O governo italiano poderá vir a solicitar maior flexibilidade relativamente ao cumprimento das regras orçamentais comunitárias junto da União Europeia devido ao crescente impacto do coronavírus em Itália, sobretudo na região norte do país, onde o setor industrial transalpino é preponderante.

Em declarações feitas na manhã desta terça-feira, 25 de fevereiro, à rádio RAI, a vice-ministra italiana da Economia e Finanças, Laura Castelli, sustenta que "existem recursos que a UE" pode atribuir a Itália "relacionados com eventos económicos que possam baixar consideravelmente o PIB".

Ainda assim, a governante do Movimento 5 Estrelas declarou não esperar que Itália venha a precisar de tal exceção da parte de Bruxelas: "Esperamos não precisar", disse.

Esta declaração surge um dia depois de o próprio primeiro-ministro italiano, Giuseppe Conte, ter reconhecido o perigo de o surto do Covid-19 ter um "impacto muito forte" para a economia transalpina.

No fim de semana, o governador do banco central italiano, Ignazio Visco, já tinha alertado que o coronavírus poderia retirar 0,2 pontos percentuais de crescimento ao produto de Itália.

Estes receios surgem numa conjuntura já de si pouco favorável à terceira maior economia da Zona Euro, em risco de estagnação depois de ter encolhido 0,3% no quarto trimestre do ano passado.

Com a segunda maior dívida pública em função do PIB na área do euro, Itália permanece sob apertada vigilância de Bruxelas quanto ao cumprimento das regras do Pacto de Estabilidade e Crescimento (PEC).

O PEC prevê a possibilidade de ser "permitida flexibilidade nos desvios" às regras em caso de "ocorrências excecionais como o afluxo de refugiados, catástrofes naturais ou ameaças à segurança", cabendo à Comissão Europeia decidir se tal se pode ou não aplicar em cada circunstância. Em 2018, Itália beneficiou de alguma flexibilidade na sequência dos sismos que atingiram o centro do país e também devido à queda de uma ponte em Génova.

Vírus alastra-se ao sul e prejudica turismo

São diversas as cidades e cerca de 50 mil pessoas que estão em quarentena, decisão governamental com o intuito de conter a propagação do coronavírus. Apesar de sobretudo concentrado no norte do país, foi já detetado um caso na Sicília, o primeiro a sul da capital Roma, o que atesta a crescente disseminação do vírus.

Com mais de 280 casos de contaminação já confirmados e sete mortes, Itália é o país europeu mais afeto pelo novo vírus da pneumonia.

E se o impacto do coronavírus nas regiões do norte transalpino como a Lombardia e o Véneto pode refletir-se numa diminuição da atividade industrial e comercial, já que grande parte da atividade industrial e da indústria exportadora está localizada nestas zonas, o surto por todo o país afetará também o turismo, atividade que representa cerca de 13% da economia italiana.

Ainda antes dos dados que esta terça-feira confirmaram o crescente contágio por coronavírus em Itália, a bolsa de Milão perdeu praticamente 5,5% na segunda-feira, sendo que hoje segue a prolongar perdas com uma queda superior a 1%.

O surto do coronavírus ameaça ainda provocar uma crise institucional em Itália. O primeiro-ministro Conte afirmou que se as autoridades sanitárias da Lombardia não forem capazes de suster a disseminação do vírus, então o governo sediado em Roma será obrigado a atuar, uma declaração que rapidamente levou o ex-vice-primeiro-ministro e líder nacional-populista da Liga, Matteo Salvini, a considerar que tal possibilidade seria uma interferência inaceitável para os governos regionais transalpinos.

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