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Irlandês Donohoe eleito sucessor de Centeno no Eurogrupo

Ao contrário do que apontavam as bolsas de apostas, o ministro irlandês das Finanças, Paschal Donohoe, venceu a corrida à presidência do Eurogrupo. Donohoe assume liderança da instituição informal no próximo dia 13 de julho.

David Santiago dsantiago@negocios.pt 09 de Julho de 2020 às 18:27
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O conservador irlandês Paschal Donohoe (ao centro na foto) é o novo presidente do Eurogrupo para os próximos dois anos e meio. O ministro irlandês das Finanças assegurou a maioria simples dos votos dos 19 ministros das Finanças que integram a instituição informal na segunda ronda de votações da eleição que decorreu esta quinta-feira, por videoconferência. 

Foi o próprio Mário Centeno, que abandona o cargo no próximo dia 12 de julho, que, através do Twitter, revelou ter sido Donohoe o vencedor, num tweet em que aproveitou para dar os "parabéns ao novo presidente do Eurogrupo". O governante irlandês inicia funções a 13 de julho e tem prevista a sua primeira reunião como líder do bloco do euro para 11 de setembro.  

Donohoe derrotou nesta eleição dois outros candidatos: a espanhola e favorita Nadia Calviño, que à partida para a eleição contava com o apoio de países como Portugal, Alemanha, França e Itália; e o luxemburguês Pierre Gramegna. Apesar de a votação ser secreta, sabe-se que Gramegna decidiu não participar na segunda votação eletrónica, necessária porque a primeira teve um resultado inconclusivo (nenhum candidato teve pelo menos 10 dos 19 votos).  
O ministro das Finanças irlandês pertence ao partido conservador Fine Gael (centro-direita), que integra o grupo europeu do PPE, e que recentemente formalizou uma inédita coligação de governo com os arquirivais do Fianna Fáil e dos Verdes. 

A recente confirmação de uma solução governativa estável (a aliança tem acordo para governar até ao final de 2022) foi um contributo importante para as aspirações europeias de Paschal Donohoe, uma vez que o titular da chefia do Eurogrupo tem obrigatoriamente de ser simultaneamente ministro das Finanças de um país da moeda única.

Na carta de motivação que remeteu para Bruxelas aquando da oficialização da sua candidatura, o experiente político irlandês - antes de assumir as Finanças da Irlanda, em junho de 2017, tutelou a pasta dos Transportes, Turismo e Desporto entre 2014 e 2016 e foi ministro dos Assuntos Europeus entre 2013 e 2014), mostrou-se em sintonia com as novas prioridades políticas da Comissão Europeia ao prometer trabalhar para um crescimento económico assente nas transições ambiental e digital.

Uma potencial vitória de Calviño permitia manter, no essencial, os equilíbrios político e regional que presidem à distribuição dos lugares de topo da hierarquia comunitária, pois, tal como Centeno, é oriunda de um país do sul europeu e integra a família dos Socialistas & Democratas (S&D, centro-esquerda).

Já a eleição do irlandês é menos neutra e implica uma maior alteração na atual relação de poderes, reforçando o peso do maior grupo político europeu (PPE) e retirando peso ao sul da Europa. Mas a escolha de um conservador pode também ser vista como uma aproximação aos interesses dos países mais reticentes relativamente à proposta da Comissão Europeia para o relançamento económico e um empurrão no sentido de um acordo entre os 27 líderes europeus na cimeira da próxima semana. 

Já depois de eleito, Paschal Donohoe reiterou o que já escrevera na missiva enviada para Bruxelas, prometendo ser um fazedor de pontes entre norte e sul, e leste e oeste e assumindo como grande prioridade a promoção de uma resposta eficaz à crise pandémica e uma "recuperação justa e inclusiva". 
A despedida de Centeno
Esta reunião foi a última de Mário Centeno como líder do Eurogrupo (e a primeira de João Leão como titular das Finanças). "Foi uma honra participar nos trabalhos do Eurogrupo nos últimos cinco anos", disse o ex-ministro das Finanças notando que esse foi o período entre a crise das dívidas soberanas e a crise da covid-19.

Logo no arranque do encontro, Centeno falou brevemente sobre o seu mandato, recebendo aplausos no final e elogios do ministro de Malta, Edward Scicluna, que agradeceu o trabalho do português em nome de todos os participantes.

Quanto a Donohoe, Centeno assumiu ter sido "um prazer trabalhar com ele" e garantiu que "será um excelente presidente do Eurogrupo". "Meu colega, meu amigo e agora meu governador, Mário Centeno", retribuiu o sucessor elogiando o trabalho do português para tornar a união económica e monetária "mais coesa e resiliente".

Já o comissário da Economia, Paolo Gentiloni, prometeu ao novo líder total colaboração e elogiou o "trabalho árduo" de Centeno. Depois avisou que as novas previsões de Bruxelas, mais pessimistas ao anteciparem agora uma quebra da economia da UE de 8,3% em 2020, mostram que "o risco de aumento das divergências é agora claramente materializado". 

(notícia atualizada)
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