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Endividamento da economia portuguesa disparou para 368,8% do PIB em 2020

No ano em que surgiu a covid-19, o peso do endividamento da economia portuguesa deu um salto superior a 30 pontos percentuais, o agravamento anual mais acentuado de sempre. Atingiu um máximo desde 2017 nos 368,8% do PIB, apesar de em valor ter fixado um novo recorde.

António Mendonça Mendes quer plano para recuperar benefícios.
Kazbek Basaev/Reuters
Nuno Carregueiro nc@negocios.pt 18 de Fevereiro de 2021 às 10:55
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O endividamento da economia portuguesa voltou a agravar-se em dezembro, tocando num novo máximo histórico de 745,8 mil milhões de euros, anunciou o Banco de Portugal.

Esta subida elevou o peso do endividamento do Estado, empresas e famílias para um valor que equivale a 368,8% do PIB, um agravamento considerável face ao registado no final de 2019 (336,8% do PIB).

No ano da pandemia, o peso do endividamento da economia portuguesa deu assim um salto  acima de 30 pontos percentuais, com os vários setores da economia a aumentarem a dívida para responderem à pandemia. De acordo com o Banco de Portugal, deste aumento de 32 pontos percentuais, 19,2 pontos estão relacionados com a queda do PIB.

Apesar do agravamento considerável, a economia portuguesa já registou um endividamento mais acentuado quando medido o peso no PIB, que é a forma mais correta de medir o endividamento de uma economia. Em meados de 2013 superou os 420% do PIB.

O agravamento no quarto trimestre (o quarto consecutivo) elevou o rácio para máximos do terceiro trimestre de 2017, acentuando a inversão de tendência de desalavancagem que a economia portuguesa registou entre 2013 e 2019. 


Subida anual mais forte de sempre
O agravamento anual acima de 30 pontos percentuais é o mais acentuado desde que o Banco de Portugal colige estes dados, em 2007. O aumento anual mais forte aconteceu em 2012, quando saltou quase 30 pontos percentuais para mais de 420% do PIB.


Desde aí desceu todos os anos, sendo que a subida de 2020 pôs assim fim a uma série de sete anos na melhoria do endividamento da economia portuguesa, quando medido o peso no PIB. Acresce que nos últimos cinco anos a redução tinha sido sempre superior a 10 pontos percentuais.

O endividamento da economia portuguesa acaba por estar apenas ligeiramente acima do registado a nível mundial. De acordo com o Instituto de Finanças Internacionais, o total da dívida global subiu para um máximo histórico de 281 biliões de dólares no final de 2020.

Este valor equivale a mais de 355% do PIB mundial, um aumento de 35 pontos percentuais face a 2019. Assim, apesar do endividamento da economia portuguesa estar acima da média mundial, aumentou de forma menos acentuada em 2020.

No que diz respeito ao valor nominal do endividamento do setor não financeiro, deu um salto superior a 27 mil milhões de euros em 2020, fechando o ano a renovar o recorde que atingiu ao longo de vários meses do ano passado.

O Banco de Portugal detalha que este aumento resultou do acréscimo de 24,9 mil milhões de euros no endividamento do setor público e do aumento de 2,5 mil milhões de euros no endividamento do setor privado.

Ainda segundo o Banco de Portugal, a "subida do endividamento do setor público refletiu-se no aumento do financiamento concedido por todos os setores financiadores, com destaque para o setor financeiro (16,6 mil milhões de euros), seguido das próprias administrações públicas e do exterior".

No setor privado, observou-se o incremento do endividamento dos particulares em 2,3 mil milhões de euros,enquanto o endividamento das empresas privadas aumentou 200 milhões de euros.

O endividamento das famílias fechou o ano em 69,6% do PIB, o que compara com 65,2% no final de 2019. Nas empresas o endividamento passou de 122,7% do PIB em 2019 para 129,5% do PIB no ano passado.

 



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