Fórum para a Competitividade estima crescimento entre 1,5% e 1,9% e novo excedente em 2026
Entidade liderada por Pedro Braz Teixeira estima que, em 2025, a economia tenha crescido ligeiramente abaixo do previsto pelo Governo. Para este ano, antevê uma conjuntura "genericamente favorável" e um crescimento do PIB mais robusto. Consumo continua a apoiar crescimento e há margem para um salto no investimento. Excedente orçamental em 2026 é uma possibilidade.
O Fórum para a Competitividade estima que a economia portuguesa cresça entre 2% e 2,3% este ano. A entidade liderada por Pedro Braz Teixeira antevê que a conjuntura económica nacional seja "genericamente favorável" em 2026 e que o ritmo de crescimento do produto interno bruto (PIB) português acelere ligeiramente face ao observado no último ano.
"Em termos conjunturais, o ano de 2026 até se apresenta um pouco mais favorável para Portugal do que 2025", lê-se na nota de conjuntura relativa a dezembro de 2025, a que o Negócios teve acesso. "As condições conjunturais da economia portuguesa são genericamente favoráveis. O PIB está próximo do seu potencial, devendo crescer em linha com este".
No quatro trimestre de 2025, o Fórum para a Competitividade estima que o PIB terá crescido "entre 0,5% e 0,7% em cadeia", um valor que compara com crescimento de 0,8% no terceiro trimestre impulsionado pelo consumo privado. Em termos homólogos, a variação estimada corresponde a uma subida "entre 1,7% e 1,9%", o que significa que a economia portuguesa terá abrandado na reta final do ano – no terceiro trimestre de 2025, o PIB cresceu 2,4%.
A desaceleração económica nos últimos três meses de 2025 é explicada, segundo o Fórum para a Competitividade, sobretudo pelo "excecional crescimento" em cadeia que foi observado no quarto trimestre de 2024 (1,2%), o que faz com que, em termos comparativos, o ritmo de crescimento do período entre outubro e dezembro de 2025 tenha sido menor.
Com base nessas previsões, a instituição liderada por Pedro Braz Teixeira antecipa que, no conjunto de 2025, o PIB terá crescido 1,9%, menos uma décima do que o estimado pelo Governo. No próximo ano, a previsão é de que o crescimento da economia possa ser superior entre 0,1 e 0,4 pontos percentuais ao estimado para 2025, com o impulso continuado do consumo.
O consumo deverá continuar a ser suportado por "um apreciável crescimento do emprego, por um aumento dos salários reais, mas já sem alívio fiscal e sem redução adicional das taxas de juro", nota o Fórum para a Competitividade. O investimento "tem condições para uma forte aceleração", no último ano de execução do Plano de Recuperação e Resiliência (PRR), e será necessário impulsionar as exportações que, segundo a entidade, têm tido "um comportamento modesto".
O Fórum para a Competitividade estima que, no próximo ano, a taxa de desemprego deverá permanecer "no intervalo da taxa natural de desemprego" (entre 6% e 7%). "O emprego tem vindo a registar elevados níveis de crescimento (da ordem dos 3%), porventura excessivos, na medida em que dificultam o aumento do nível de capital por trabalhador. É provável algum abrandamento do crescimento do emprego, em linha com as alterações na legislação da imigração", refere.
A instituição nota ainda que as contas públicas têm sido excedentárias e que o Governo tem estado focado na redução do rácio da dívida pública, "ao contrário do que tem sucedido em muitos outros países da Zona Euro, em especial França". O Fórum para a Competitividade acredita que, no ano que se inicia, "talvez se consiga um novo superávit orçamental, apesar dos estímulos associados à finalização do PRR [Plano de Recuperação e Resiliência]", que penalizam o saldo.
No que toca às contas externas, estima que se tenha registado um "ligeiro excedente" em 2025. Esse saldo positivo tem permitido, segundo a entidade, a "redução sucessiva" da dívida externa, "cujo nível muito elevado foi a principal razão para a necessidade de pedir ajuda à 'troika'". A redução da dívida e o excedente externo são "dois aspetos que deverão prosseguir em 2026", diz.
Em termos estruturais, o Fórum para a Competitividade traça um retrato menos risonho. "O potencial de crescimento do nosso PIB continua demasiado baixo, em torno de 2%, e a produtividade mantém níveis de crescimento demasiado baixos. Relacionado com isso, o peso do investimento no PIB continua abaixo da média histórica e do necessário para impulsionar o capital por trabalhador e, por essa, via a produtividade e os salários", sublinha.
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