Urbanidades: “Tem de haver também um simplex do património”
A reabilitação do edifício do antigo cinema Odeon; a sede do BCP e as retrosarias da Baixa; o bairro do Castelo, de onde foi preciso retirar população durante meses, para lhes reabilitar as habitações; ou aquela árvore centenária que, para ser protegida, ficou suspensa no ar enquanto, à sua volta, toda uma obra acontecia - e que ainda lá está, no centro do edifício, agora totalmente renovado. José Maria Lobo de Carvalho, convidado do novo episódio do podcast Urbanidades, disponível esta quarta-feira, é um contador de histórias e é com elas que reflete sobre o que está a mudar nas cidades e sobre a forma como se pode ou não resolver a inevitável tensão que resulta da necessidade de “gerir a herança com o futuro”.
Arquiteto, especialista em conservação do património e reabilitação de edifícios, defende que “devia haver um simplex para o património” e que as câmaras municipais deveriam monitorizar e incentivar o urbanismo comercial, criando “focos identitários” e apoiando espaços comerciais tradicionais.
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José Maria Lobo de Carvalho considera, por outro lado, que há “um paradigma que devia ser alterado” e que “o Estado deveria pensar no património mais do ponto de vista social e menos do ponto de vista turístico”.
“Temos muitos edifícios históricos abandonados pelo país que precisavam de intervenção e que podiam juntar o útil ao agradável, trazer fixação de famílias no interior”, defende.
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Num contexto em que cidades como Lisboa continuam a ter muitos edifícios a precisar de reabilitação, ou de intervenções “muito complexas e muito onorosas”, nomeadamente para um reforço antisismico, o especialista lembra o projeto dos bairros históricos, que foi posto em prática nos anos 90, com “gabinetes técnicos locais para apoiar as pessoas que lá viviam na recuperação das suas casas”.
“Era muito interessante que se voltasse a desenvolver qualquer coisa assim, que apoiasse população local e fixação de população local.Não sei se portugueses estrangeiros, mas pessoas que vivem cá e habitem sem fim, digamos, especulativo”, remata.
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