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Advogado de André Esteves diz que procuradores do Lava Jato se acham "semideuses" (corr)

António Carlos de Almeida Castro falou com a Bloomberg e não fugiu a perguntas sobre ao seu cliente mais mediático, o banqueiro que ajudou a vender a PT à Altice e que foi preso no final do ano passado.

André Esteves btg pactual
André Esteves btg pactual Reuters
01 de Fevereiro de 2016 às 10:10

António Carlos de Almeida Castro recebeu "300 chamadas" no dia em que André Esteves, o carismático banqueiro líder do BTG Pactual, foi preso, no âmbito da operação Lava Jato.

O advogado, sempre cauteloso, falou com a Bloomberg sobre o caso, sem revelar como é que Esteves o tinha contratado (já o representava). Castro, também conhecido como Kakay, "ganhou" 10 clientes com a Lava Jato.

André Esteves foi preso a 25 de Novembro, alguns meses depois de ter intermediado a venda da PT aos franceses da Altice. Além disso, o banqueiro estava no centro do processo de fusão entre as brasileiras Oi e TIM, que está agora a marcar passo depois do escândalo. 

O advogado admite que os procuradores que trabalham no Lava Jato achavam-se "semideuses", e também critica a fúria do povo brasileiro em "criminalizar os ricos". O próprio Kakay vive numa mansão, com a mulher e o filho.

O primeiro desafio que encontrou no caso de André Esteves foi tentar tirar o banqueiro da prisão de Bangu, no Rio de Janeiro, onde dormia numa cama de cimento. Esteves foi acusado de tentar fazer um acordo para que o ex-director da Petrobrás. Nestor Cerveró, saísse do país, numa altura em que estava a ser investigado.

António Castro e a sua equipa conseguiram convencer um juiz a libertar Esteves e colocá-lo em prisão domiciliária. E promete agora deitar por terra todas a acusações contra o seu cliente mais mediático. 

A operação Lava Jato já resultou em na prisão de 100 pessoas e tem mexido com as elites poderosas brasileiras. O BTG Pactual também está a ser investigado.

Correcção: António Castro referia-se aos procuradores como "semideuses" e não aos acusados. 

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