Lava Jato: Chefe de campanha de Dilma Rousseff entrega-se às autoridades
João Santana, tido como o arquitecto da campanha de Dilma Rousseff, entregou-se às autoridades. Santana estava na República Dominicana e regressou ao Brasil, após ter sido emitido um mandato de prisão no âmbito da operação Lava Jato.
Chama-se João Santana. A agência Reuters define-o como o arquitecto da campanha de Dilma Rousseff, actual Presidente do Brasil, para as eleições presidenciais de 2010 e de 2014. Esta terça-feira, 23 de Fevereiro, regressou ao Brasil, proveniente da República Dominicana e as autoridades levaram-no, detido, para a cidade de Curitiba.
Esta chegada ao Brasil de João Santana tem lugar depois de ontem, 22 de Fevereiro, ter sido emitido mandado de captura no âmbito da operação Lava Jato. Santana é suspeito de ter recebido parte do que cobrou pela campanha "petista" através de contas no exterior que terão sido alimentadas por alegados subornos pagos pela Odebrecht ao Partido dos Trabalhadores, partido que há mais de doze anos controla a presidência do Brasil. Contava ontem a revista Veja que a Polícia Federal identificou pelo menos sete milhões de dólares de transacções suspeitas.
Em comunicado citado pela Reuters, Santana assume que desistiu da campanha para a reeleição do presidente da República Dominicana, Danilo Medina, para se poder defender destas acusações. O jornal Estado de São Paulo adianta que na carta que tornou pública ontem, após a emissão do mandato de prisão, João Santana aponta que existe um clima de "perseguição" no Brasil. "Conhecendo o clima de perseguição que se vive no meu país, não posso dizer que fui completamente surpreendido, mas, ainda assim, fica difícil de acredita", revela, citado por este jornal. Santana diz ainda que regressa a território brasileiro para "defender-se de acusações infundadas" e que está disponível para esclarecer "qualquer especulação", escreve ainda o jornal.
Além do mandato de prisão, Santana tem também as suas contas bloqueadas por ordem judicial, segundo a agência Reuters. A prisão do "arquitecto" da campanha de Dilma constitui-se como uma ameaça à própria presidente. Isto porque no Brasil há vozes que questionam se a campanha presidencial de 2014 foi financiada através de dinheiro de subornos obtidos através da Petrobras.
O jornal brasileiro Folha de São Paulo escreve que João Santana chegou ao Brasil – oriundo da República Dominicana – acompanhado pela esposa, Mónica Moura, e pelo advogado Fábio Tofic. Depois de aterrarem no aeroporto de São Paulo, João Santana e a mulher foram ouvidos, ainda nas instalações do aeroporto, pela Polícia Federal brasileira e posteriormente partiram para a cidade de Curitiba.
O jornal brasileiro adianta ainda que as audiências para que o casal preste declarações perante um juiz ainda não estão agendadas. Porém, a expectativa é que estas audiências ocorram no próximo dia 25 de Fevereiro. Director da Odebrecht detidoO director-presidente da construtora Odebrecht, Benedicto Barbosa da Silva Júnior, foi entretanto detido, segundo a Folha de São Paulo. O líder da construtora foi igualmente detido no âmbito da operação Lava Jato. Ao que relata este jornal, Barbosa da Silva Júnior entregou-se à Polícia Federal no Rio de Janeiro, cidade onde vive, e foi também transportado para a cidade de Curitiba. Foi decretada a sua prisão temporária. Esta medida de coacção foi pedida uma vez que a Polícia Federal sustenta que há indícios que Barbosa da Silva Júnior sabia dos esquemas de corrupção na Petrobras. O presidente e dono da construtora, Marcelo Odebrecht, está preso desde Junho do ano passado.
Director da Odebrecht detidoO director-presidente da construtora Odebrecht, Benedicto Barbosa da Silva Júnior, foi entretanto detido, segundo a Folha de São Paulo. O líder da construtora foi igualmente detido no âmbito da operação Lava Jato. Ao que relata este jornal, Barbosa da Silva Júnior entregou-se à Polícia Federal no Rio de Janeiro, cidade onde vive, e foi também transportado para a cidade de Curitiba.