"Queremos estimular a presença de mais empresas portuguesas em Angola", diz ministro

Ministro de Estado para a Coordenação Económica de Angola diz que há "oportunidades concretas" para as empresas, sobretudo no setor agrícola.
José de Lima Massano, ministro de Estado para a Coordenação Económica de Angola
João Cortesão / Jornal de Negócios
Diana do Mar e João Duarte Fernandes 06 de Março de 2026 às 11:06

"Queremos estimular a presença de mais empresas portuguesas em Angola", declarou o ministro de Estado para a Coordenação Económica de Angola, José de Lima Massano, apontando a segurança alimentar como um dos "pilares" com "oportunidades concretas".

 Na , que o Negócios promove esta sexta-feira, em Lisboa, José de Lima Massano sinalizou, perante uma plateia de centenas de representantes de empresas, muitas dos quais ativos no país africano, deixou claro que o país "gostaria de ter mais capital envolvido na segurança alimentar", na medida em que há uma "mão cheia de produtos" em que dependem das importações.

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José de Lima Massano deu o exemplo da carne de frango, do arroz, do trigo, do açúcar ou do óleo alimentar. "São produtos que incomodam porque, na verdade, o país tem potencial em relação a estes produtos para se tornar exportador. Temos vastas áreas para produção, terras aráveis, água, energia barata e uma população jovem - cerca de 60% dos 37 milhões de habitantes têm menos de 25 anos -, pelo que temos de ser capazes de mobilizar mais conhecimento e capacidade financeira e fazer o exercício de melhoria de ambiente de negócios".

É que "são produtos que nos consomem, em média, por mês, cada um, perto de 20 milhões de euros  E quando olhamos para uma fatura desta magnitude significa que há trabalho por desenvolver para a reverter", insistiu.

E, neste sentido, "qualquer ação que possa potenciar conhecimento capaz de trazer maior produtividade ao campo faz com que nosso crescimento possa ser exponencial. Produção de alimentos é um dos setores que vemos oportunidades concretas", argumentou.

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À luz de , há 1.200 empresas portuguesas que atuam diretamente em Angola e há 5.000 exportam bens ou serviços para o país africano. A balança comercial é favorável a Portugal, que, em 2025, exportou 2,5 mil milhões de euros e importou 700 milhões de euros.

"Precisamos de mais investimento em infraestruturas produtivas, de mais bens e serviços produzidos em Angola, e vemos na comunidade empresarial portuguesa, até pelas relações históricas ou pela língua, potencial imenso", sublinhou.

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"Temos a classe executiva da TAAG e da TAP preenchida, o que significa que os empresários continuam à procura de oportunidades" e "temos um bom número de empresas que atuam em Angola", mas há terreno fértil para mais, na perspetiva do governante.

O turismo, que "tem hoje um peso inferior a 2% no Produto Interno Bruto, figura como outro setor promissor do ponto de vista de Luanda: "Temos uma atração de turistas internacionais pequena, de não mais de 250 mil pessoas, e vemos grande potencial".

José de Lima Massano, que descreveu Portugal como uma "referência no turismo", apontou em várias frentes: desde a necessidade de o país ter escolas de turismo, que encerra a "oportunidade clara na formação profissional", até ao "espaço para construir hotéis", lembrando, aliás, que ainda recentemente o Estado tomou a decisão de privatizar um conjunto de unidades hoteleiras, mas "sem muito sucesso".

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