Tarifas, imigração e política externa: os grandes temas do discurso de Trump sobre o Estado da União

Donald Trump vai ao Capitólio para o primeiro discurso do Estado da União desde que tomou posse. Republicano promete um discurso "longo", numa altura em que enfrenta desafios em várias frentes. Com as eleições intercalares à vista, vai tentar galvanizar os republicanos e conter os estragos provocados pela perda de força em estados-chave.
Donald Trump avisa que discurso sobre o Estado da União será longo porque há 'muito que conversar'.
EPA
Joana Almeida 17:04

Donald Trump vai fazer esta terça-feira o primeiro discurso sobre o Estado da União desde que foi reeleito presidente dos Estados Unidos. O discurso – que  – vai servir para estabelecer prioridades e apresentar a sua visão para o país, numa altura em que enfrenta complicações em várias frentes, nomeadamente no que toca às tarifas e à política de imigração.

O , será uma oportunidade para Trump moldar a mensagem dos republicanos antes das eleições intercalares deste ano e conter o pânico dentro do seu próprio partido face à sucessão de derrotas em vários estados-chave, com destaque para o Texas. Recorde-se que, a 3 de novembro, os norte-americanos vão votar para renovar toda a Câmara dos Representantes e um terço do Senado, o que pode pôr em risco a estreita maioria republicana no Congresso.

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No ano passado, Donald Trump discursou também no Congresso mas, como , não foi considerado formalmente um discurso sobre o Estado da União. Por norma, os discursos do Estado da União são longos e este ano promete não ser diferente, já que o .

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O fez mossa na agenda económica do republicano e deve ser um dos temas em destaque no discurso do Estado da União deste ano. Depois de ter feito das tarifas a sua principal bandeira económica e ter , o Supremo Tribunal decidiu, na passada sexta-feira, considerar "ilegais" as tarifas "recíprocas", com o argumento de que a Administração Trump excedeu a autoridade ao invocar uma lei federal, com poderes de emergência, para impor a medida.

Em resposta, . Ainda durante o fim de semana, tratou de anunciar um , desafiando a decisão do Supremo Tribunal que entende que a lei não confere a Trump autoridade para impor impostos sobre importações – uma competência que a Constituição norte-americana atribui ao Congresso. Todavia, .

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A inconstância na política comercial de Trump tem levado ao adiamento de trocas comerciais entre os Estados Unidos e o resto do mundo, e é esperado que tenha um impacto na inflação norte-americana. Várias sondagens revelam que as tarifas não são populares entre os norte-americanos, que receiam uma aceleração nos preços de venda ao consumidor final.

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O crescimento económico dos Estados Unidos deverá ser outro dos temas que Trump irá abordar. , com uma inflação "praticamente nula" e um crescimento económico "extraordinariamente alto". Prometeu ainda que, em breve, esse crescimento atingirá valores que "talvez nenhum país jamais tenha visto". Mas os mais recentes dados económicos são pouco favoráveis a essa narrativa.

Embora os Estados Unidos continuem a ser a maior economia mundial, o . Esse abrandamento é explicado, em parte, pelo , mas observou-se uma travagem no consumo privado – que é o motor da economia dos Estados Unidos –, bem como um corte no desempenho das despesas públicas e do comércio externo, penalizado pelas tarifas.

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No que toca à inflação, 2025 terminou com o índice de preços das despesas pessoais de consumo (PCE) – o indicador favorito da Reserva Federal dos Estados Unidos (Fed) para medir a inflação –, a . Acresce que a economia norte-americana criou apenas 584 mil empregos em 2025, contra dois milhões no ano anterior. 

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O discurso do Estado da União surge numa altura em que o Departamento de Segurança Interna está a enfrentar uma paralisação parcial, por falta de acordo entre democratas e republicanos no Congresso para aprovar novos recursos que permitam o seu funcionamento. Por isso, o tema deverá marcar também a intervenção de Trump perante os congressistas, já que o impasse mantém-se há mais de uma semana. 

Os democratas votaram contra a legislação que financia o Departamento de Segurança Interna, cujas operações de detenção de imigrantes ilegais – envolvendo a Agência de Imigração e Alfândega (ICE, na sigla inglesa) e outras forças – têm causado indignação em todo o país. A morte de dois cidadãos norte-americanos em Minneapolis às mãos dos agentes federais foi a gota de água para os democratas avançarem com uma lista de exigências aos republicanos, onde consta, entre outras medidas, a identificação visível dos agentes, a obrigatoriedade de mandados nas detenções, um código de conduta vinculativo e o uso de câmaras corporais.

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Em reação aos protestos por todo o país, Trump anunciou a redução do número de agentes de imigração e fronteiras no Estado do Minnesota – estado onde montou o maior destacamento de agentes de controlo da imigração –, mas mantém-se firme em relação à necessidade de uma política de imigração "dura" nos Estados Unidos.

É esperado que Trump aproveite o Estado da União para expor também a sua visão para a política externa dos Estados Unidos. Desde que tomou posse, tem-se mostrado muito ativo nessa frente, assumindo ser um "presidente de ação". Exemplo disso, foram a captura do ex-presidente venezuelano Nicolás Maduro, o embargo económico a Cuba e a potencial intervenção militar no Irão. No caso do Irão, Trump deu 10 dias para fechar um acordo sobre o programa nuclear iraniano, mas .

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A questão da Gronelândia também pode vir a ser mencionada, depois da . Em Davos, foi anunciado um princípio de acordo sobre a Gronelândia, mas desconhecem-se pormenores sobre o que estará em cima da mesa. 

Noutra frente, a e ainda não há o prometido acordo de paz, que Trump prometeu que conseguiria "numa questão de dias" após tomar posse. Já o conflito na Faixa de Gaza saiu do foco mediático, depois de ter sido obtido um , mas a situação continua a levantar preocupações.

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Este é um dos temas que arriscam ficar de fora do discurso de Trump mas cujo silêncio pode ter leituras políticas. A divulgação de documentos do falecido criminoso sexual condenado Jeffrey Epstein têm feito "rolar cabeças" em todo o mundo. Na semana passada, o por suspeita de má conduta em cargo público. Antes dele, foram abertas investigações em mais de uma dezena de países, que envolvem cerca de 300 figuras públicas.

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Trump tem alegado que "não tem nada a esconder" mas . Sabe-se que Trump privou com o falecido magnata e que mantiveram contactos em Palm Beach e Nova Iorque na década de 90 até terem cortado, alegadamente, relações no início do anos 2000. 

Nesse contexto, vários representantes democratas decidiram convidar para assistir ao debate do Estado da União familiares das vítimas do falecido criminoso sexual, que morreu em 2019 depois de, segundo as autoridades, se ter suicidado. O convite serve para pressionar Trump a manifestar-se em relação ao caso.

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