Trump manifestou-se "claramente desiludido" com NATO em encontro com Rutte
O secretário-geral da NATO, Mark Rutte, afirmou que o Presidente norte-americano, Donald Trump, se mostrou, durante a reunião de ambos quarta-feira na Casa Branca, "claramente desapontado" com a aliança, mas que saiu "recetivo" do encontro.
Em entrevista à CNN, Rutte assegurou que, apesar do claro descontentamento do Presidente norte-americano com a Organização do Tratado do Atlântico-Norte (bloco de defesa ocidental), "ouviu atentamente" os argumentos apresentados sobre a situação na Europa em relação à guerra no Irão.
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Depois de na semana passada Trump ter admitido o abandono da NATO pelos Estados Unidos devido à falta de apoio aliado no conflito no Irão, a reunião na Casa Branca terá durado cerca de duas horas, sem que o Presidente norte-americano se tenha pronunciado sobre o encontro com Rutte.
Na capital norte-americana, Rutte reuniu-se ainda com o secretário de Estado, Marco Rubio, também sem declarações finais, dispondo-se ambos apenas a ser fotografados e filmados juntos antes da reunião, visivelmente bem dispostos.
Em comunicado, o Departamento de Estado disse que Rubio e Rutte discutiram o conflito com o Irão, juntamente com os esforços norte-americanos para negociar o fim da guerra entre a Rússia e a Ucrânia e “reforçar com os aliados da NATO a coordenação e a transferência de responsabilidades”.
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Antes da reunião, a porta-voz da Casa Branca, Karoline Leavitt, reiterou que o futuro na NATO dos Estados Unidos, de longe o aliado com maior capacidade militar, está em aberto.
A saída da Aliança Atlântica dos Estados Unidos "é uma questão que o Presidente já abordou e, creio, é algo que discutirá dentro de algumas horas", disse a porta-voz em resposta a perguntas dos jornalistas durante a sua conferência de imprensa semanal.
A visita a Washington do secretário-geral da NATO, que já estava agendada há algum tempo, ocorre numa altura de crescente tensão entre Trump e os Estados-membros, dado que o líder republicano não tem poupado críticas públicas aos aliados por não participarem ativamente numa operação para reabrir o Estreito de Ormuz.
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Trump chegou a chamar "cobardes" aos membros da NATO, a descrever a aliança como um "tigre de papel" e a ameaçar várias vezes nas últimas semanas, com a retirada dos Estados Unidos da organização.
Perante as perguntas da comunicação social a esse respeito, Leavitt insistiu na posição oficial da Casa Branca: "Tenho uma citação precisa do Presidente dos Estados Unidos sobre os Estados-membros da NATO, e vou partilhá-la convosco: 'Foram postos à prova e falharam'".
"E acrescentaria que é lamentável que a NATO tenha virado as costas ao povo norte-americano nas últimas seis semanas, quando é precisamente o povo norte-americano que tem financiado a sua defesa", sublinhou, referindo-se à falta de apoio dos aliados à guerra dos Estados Unidos e de Israel contra o Irão, iniciada a 28 de fevereiro.
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Sobretudo quando o motivo invocado para a ofensiva foi a inflexibilidade da República Islâmica nas negociações para pôr fim ao enriquecimento de urânio no âmbito do seu programa nuclear, que sempre afirmou destinar-se apenas a fins civis.
Esta quarta-feira, o Wall Street Journal avançou que Administração Trump estará a avaliar um plano para punir alguns membros da NATO que considera não terem ajudado os EUA e Israel na guerra com o Irão, antes de Mark Rutte visitar a Casa Branca.
A proposta passa pela saída dos militares norte-americanos dos países da NATO que não colaboraram no esforço de guerra contra o Irão e colocá-los em países que apoiaram a ofensiva no Médio Oriente.
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O plano não inclui a saída da organização, como Trump tem ameaçado, decisão que que não poderia tomar sem autorização do Congresso.
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