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EUA atacam base aérea na Síria em resposta a uso de armas químicas

Trump justificou a intervenção - que vinha ameaçando nos últimos dias - com a necessidade de "prevenir e parar a disseminação do uso de armas químicas mortais". Moscovo já condenou o ataque que, diz, compromete relações com Washington.

Reuters
Paulo Zacarias Gomes paulozgomes@negocios.pt 07 de Abril de 2017 às 07:01
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O presidente norte-americano Donald Trump ordenou na madrugada desta sexta-feira, 7 de Abril, o lançamento de 59 mísseis Tomahawk a partir de navios no Mediterrâneo contra uma base aérea de forças fiéis ao governo sírio de Bashar al-Assad, em Shayrat, como resposta pelo uso de armas químicas num ataque esta semana. Foi a primeira intervenção militar directa dos Estados Unidos contra o regime sírio. 

Trump justificou a intervenção - que vinha ameaçando nos últimos dias - com o "interesse vital" de "prevenir e parar a disseminação do uso de armas químicas mortais". A luz verde para a acção armada ocorreu no primeiro dia da cimeira entre Trump e o seu homólogo chinês, Xi Jinping, um encontro visto como sensível do ponto de vista económico mas também geopolítico.

 

O presidente russo - a Rússia e a Síria são tradicionais aliados - não foi informado do ataque, segundo o New York Times. Já a CBS refere que as forças russas foram avisadas antes da intervenção, algo que o porta-voz do Pentágono, Jeff Davis, confirmou.

O secretário de Estado Rex Tillerson acusou a Rússia de não ter cumprido a promessa de acabar com as armas químicas neste conflito e sugeriu cumplicidade de Moscovo com este ataque: "Ou a Rússia tem sido cúmplice, ou a Rússia tem sido simplesmente incompetente na sua capacidade de apresentar resultados".

"Anos de tentativas de tentar mudar Assad fracassaram e fracassaram dramaticamente," acrescentou Trump, citado pela Lusa. 

 

Putin: Ataques causam danos significativos à relação EUA-Rússia

O Kremlin reagiu entretanto, referindo que os ataques significam uma agressão a uma nação soberana, violaram a lei internacional e causaram danos significativos na relação entre os EUA e a Rússia.

A Reuters, citando agências locais, avança que Putin considera que os ataques são um sério obstáculo à criação de uma coligação internacional para combater o terrorismo e que a acção militar foi um "pretexto" para desviar as atenções das muitas mortes de civis causados no Iraque. Não houve vítimas de nacionalidade russa envolvidas nesta acção.

A acção militar, iniciada às 1:40, hora em Portugal Continental, a partir do navio USS Ross, visou hangares e depósitos de combustível da base aérea. 


Shayrat estará ligada ao ataque da passada terça-feira, 4 de Abril, que deixou pelo menos 86 mortos na localidade de Khan Cheikhun, em Idleb, noroeste da Síria, com recurso a um gás neurotóxico, tipo 'sarin'. As forças norte-americanas divulgaram mapas com trajectos de aeronaves que partiram naquele dia daquela base aérea, sobrevoaram a localização atingida com armas químicas e regressaram à base.

Entretanto, a oposição a Assad já se congratulou com o ataque e pede mais a Donald Trump: "A coligação da oposição saúda o ataque e pede a Washington que neutralize a capacidade [do Presidente síro, Bashar al-] Assad de realizar bombardeamentos", indicou à agência noticiosa France Presse (AFP) Ahmad Ramadan. "Esperamos que os ataques continuem", acrescentou, refere a Lusa.

A França, por seu lado, admitiu ter sido avisada com antecedência: "Fui informado por Rex Tillerson durante a noite," disse o ministro dos Negócios Estrangeiros gaulês Jean-Marc Ayrault à Reuters .

Esta quinta-feira, de acordo com a Lusa, a antiga candidata presidencial Hillary Clinton, tinha defendido um recurso à força e a destruição das bases de apoio ao regime sírio.

"Ainda acredito que devíamos ter estabelecido uma zona de exclusão aérea, acredito que devíamos ter estado mais dispostos a confrontar [Bashar al-] Assad. (...) Acredito realmente que devíamos, e ainda devemos, destruir as suas bases aéreas e impedi-lo de ser capaz de as usar para bombardear inocentes e lançar gás sarin sobre eles", afirmou numa cimeira sobre mulheres em Nova Iorque.

Segundo avançou a agência oficial síria Sana, o ataque dos Estados Unidos resultou na morte de nove pessoas, entre as quais quatro crianças.

(Notícia actualizada às 11:55 com informações sobre o número de vítimas)

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