Havana chama pela diáspora para tentar evitar colapso económico
Mudança de rumo tem como objetivo dinamizar setores desde o imobiliário ao turismo. Até agora, cubano-americanos só podem investir no país se restabelecerem a residência em Cuba e qualquer fluxo significativo de capital exigiria que os EUA levantassem sanções.
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O Governo cubano quer abrir a sua economia à diáspora cubano-americana, para permitir que empresários residentes no estrangeiro possam abrir negócios e adquirir imóveis na ilha do Caribe, numa tentativa de evitar um desastre económico face à persistente pressão da Administração Trump.
O vice-primeiro-ministro cubano, Oscar Pérez-Oliva Fraga — sobrinho do ex-presidente e líder do Partido Comunista de Cuba (PCC) Raúl Castro — afirmou, numa entrevista à NBC News, que o Executivo está aberto a manter uma relação comercial fluida “com os cubanos que residem nos Estados Unidos (EUA) e os seus descendentes”.
Durante a mesma entrevista, cita o Wall Street Journal (WSJ), Fraga sublinhou ainda que o Governo está igualmente aberto a estabelecer relações com empresas norte-americanas, pretendendo dinamizar setores da economia que vão desde o imobiliário ao turismo e às infraestruturas. Isto apenas dias depois de o Presidente do país caribenho, Miguel Díaz-Canel, ter reconhecido pela primeira vez que existem negociações em curso com a Administração Trump. Díaz-Canel disse num discurso que as conversações “se destinam a encontrar soluções através do diálogo para as diferenças bilaterais entre as duas nações. Os fatores internacionais facilitaram estas trocas”. Contudo, não especificou que fatores são esses.
As declarações de Oscar Pérez-Oliva Fraga representam um afastamento de décadas de hostilidade contra a diáspora cubano-americana, que tem sido uma das principais defensoras do endurecimento das sanções contra Havana.
Mas qualquer fluxo significativo de capital cubano-americano para o país exigiria que os EUA levantassem as sanções atuais que impedem os norte-americanos de realizar muitas transações comerciais com Cuba. E, para já, responsáveis da Administração Trump não deram sinais de que estejam dispostos a fazê-lo.
“Nada disto altera as regras e restrições nos EUA”, disse Matthew Aho, especialista em assuntos cubanos do escritório de advogados Akerman, ao WSJ. “São precisos dois para dançar o tango”, acrescentou.
Ainda durante esta madrugada, o Presidente dos EUA disse que Cuba é "uma nação muito enfraquecida neste momento", numa referência à grave crise energética que o país enfrenta. Os EUA colocaram um forte embargo à exportação de petróleo venezuelano para Cuba, que era uma das principais fontes energéticas do país. O republicano reiterou ainda que acredita que terá "a honra de assumir o controlo de Cuba".
De acordo com a legislação cubana, os cubano-americanos só podem investir na ilha se restabelecerem a residência em Cuba. E dada a influência desta comunidade, há muito tempo que Havana resiste a permitir que invistam na ilha por receio de perder o controlo político do país.
Na sua maioria, referiu ao WSJ William LeoGrande, da American University, apenas pessoas com uma ligação emocional à ilha estariam dispostas a investir, tendo em conta o quão más são as condições económicas e empresariais atuais.
No mês passado, sob pressão dos EUA, Cuba anunciou uma série de reformas económicas, incluindo a autorização para que empresas privadas importem e distribuam combustível no país para atenuar a crise energética. Na segunda-feira, toda a rede elétrica de Cuba entrou em colapso, expondo o frágil momento que o país atravessa.
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