E-commerce aumenta receitas, mas lucro dos CTT cai 17,6% para 4,5 milhões de euros no arranque de 2026
Ainda sob a liderança de João Bento, que só abandonou o cargo a 30 de abril, dando o lugar ao seu CFO Guy Pacheco, os CTT registaram receitas de 329,4 milhões de euros nos primeiros três meses do ano. Trata-se de um crescimento de 14,1%.
Os CTT apresentaram um lucro líquido de 4,5 milhões de euros no primeiro trimestre de 2026, representando uma quebra de 17,6% face ao período homólogo. A empresa aponta que o resultado foi pressionado pela crise no Médio Oriente e pela disrupção das operações por causa das tempestades.
Ainda sob a liderança de João Bento, que só abandonou o cargo a 30 de abril, dando o lugar ao seu CFO Guy Pacheco, os CTT registaram receitas de 329,4 milhões de euros nos primeiros três meses do ano. Trata-se de um crescimento de 14,1%, embora o efeito proforma (ou seja, acrescentando a aquisição da Cacesa) apresente uma subida de 4,3%.
O crescimento das receitas, que se demarcou dos demais índices, foi impulsionado pelo forte desempenho contínuo das soluções de comércio eletrónico. Só no primeiro trimestre, o e-commerce apresentou receitas de 164,2 milhões de euros, um aumento homólogo de 34,8%, tendo contribuído com mais 15,1 milhões de euros para as contas. No total do trimestre, foram movimentados 39,6 milhões de objetos, tendo-se assistido a uma quebra em fevereiro devido às tempestades. Por sua vez, o Banco CTT contribuiu com 36,5 milhões de euros, um acréscimo de 8,8%.
A pressionar, ainda que de forma ligeira, esteve o segmento do Correio e Serviços, que apresentou rendimentos de 128,7 milhões de euros, significando uma quebra de 3,4% em relação ao período homólogo. Este segmento apresentou perdas de 4,5 milhões de euros entre janeiro e março de 2026, constrangidas pela menor alocação de dívida pública. Foram alocados 341 milhões de euros em dívida pública no primeiro trimestre, menos 39,6% do que em igual período de 2025, mas a indicação é positiva, com abril a registar já um aumento de 41% para 480 milhões de euros.
O relatório enviado ao mercado mostra que o EBIT recorrente caiu 24% para 15,3 milhões de euros, sendo que no efeito proforma se evidencia um recuo de 35,3%. A impactar as contas estiveram vários "impactos conjunturais", nomeadamente a crise no Médio Oriente e a introdução de uma nova regulamentação que afetou os volumes e custos de encomendas, a elevada volatilidade da "peak season" que escorregou para janeiro, as disrupções na operação provocadas pela tempestade Kristin. A pressionar o EBIT esteve ainda a menor colocação de dívida pública, uma vez que as sucessivas tempestades e fecho de lojas na região Centro impactaram as deslocações dos cidadãos.
Apesar de um aumento das receitas, os gastos operacionais cresceram nos primeiros três meses do ano. Em relação ao primeiro trimestre de 2025, os gastos subiram 17% para 314 milhões de euros. As soluções de comércio eletrónico apresentaram a maior subida nos custos, em algo como 19,8 milhões de euros, com os CTT a atribuir a causa à "peak season" que "exigiu um esforço adicional significativo para manter os níveis de qualidade, um efeito que se prolongou até janeiro".
Os custos com o pessoal atingiram os 112,9 milhões de euros, uma subida superior a 5% face ao trimestre homólogo, enquanto o fornecimento e serviços externos registaram um acréscimo de 27% para 164,8% no mesmo período em análise. Já o correio registou "custos operacionais anormalmente elevados para assegurar a continuidade da operação e os níveis de qualidade de serviço, nomeadamente na região centro de Portugal", devido ao comboio de tempestade entre janeiro e fevereiro, que impactaram as deslocações.
Por sua vez, o Banco CTT assistiu a um aumento dos custos na ordem dos 2,9 milhões de euros no primeiro trimestre, provocado pelo investimento contínuo para apoiar o crescimento e a expansão comercial. Também o montante salvaguardado para imparidades e provisões cresceu 33,7%, algo como 5,9 milhões de euros.
No entanto, e apesar de um primeiro trimestre tremido, as perspetivas já começaram a melhorar. Na comunicação à CMVM, os CTT adiantam que o tráfego de correio, expresso e encomendas já acelerou em abril, na ordem dos 29% quando comparado com o período homólogo, com o EBIT recorrente das soluções de comércio eletrónico a "melhorar sequencialmente". O mesmo acontece com a alocação de dívida pública, que já se encontra a recuperar e deverá crescer mais com a revisão dos limites.