Teerão quer diluir reservas de urânio e nova gestão de Ormuz. Acordo assinado nos "próximos dias"

Abbas Araghchi indicou que o memorando de entendimento com os EUA será assinado "à distância" assim que esteja finalizado, talvez "nos próximos dias".
Estreito de Ormuz permanece, na prática, encerrado.
AP / Amirhosein Khorgooi
Lusa 12 de Junho de 2026 às 23:21

O Irão adiantou esta sexta-feira que o acordo com os EUA prevê o levantamento do bloqueio e uma nova gestão do estreito de Ormuz, acrescentando que a única solução para o urânio enriquecido será diluir as reservas no seu território.

"O bloqueio naval deve ser completamente levantado. É o primeiro ponto mencionado no acordo", destacou o ministro dos Negócios Estrangeiros, Abbas Araghchi, na televisão estatal iraniana.

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"O Irão tomou a decisão firme de que a administração do estreito de Ormuz não seria mais a mesma que antes", acrescentou.

Abbas Araghchi adiantou que estão em curso discussões com o Omã sobre esta via marítima estratégica para os hidrocarbonetos que se tornou com a guerra, segundo o ministro, um "dos principais instrumentos de dissuasão" da República Islâmica.

O chefe da diplomacia iraniana defendeu ainda a diluição dos 'stocks' de urânio enriquecido a 60% no território iraniano, enquanto Washington exige a sua destruição no âmbito do protocolo de acordo atualmente em discussão.

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Diluir o urânio para um teor inferior a 5%, longe dos 90% necessários para fabricar uma bomba nuclear, permitiria afastar consideravelmente a ameaça de um enriquecimento para fins militares.

Abbas Araghchi indicou também nas mesmas declarações que o memorando de entendimento será assinado "à distância" assim que esteja finalizado, talvez "nos próximos dias".

"Assim que as últimas etapas das nossas negociações estiverem concluídas, este acordo será assinado e anunciado. A assinatura será feita, numa primeira fase, por via digital. Cada parte assinará à distância. Posteriormente, será anunciado que este protocolo de acordo foi assinado por ambas as partes", detalhou.

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Um responsável norte-americano citado pela agência Efe sob condição de anonimato avançou que os Estados Unidos esperam assinar "nos próximos dias" um acordo com o Irão para pôr fim à guerra, o que cumpriria os "principais objetivos" do Presidente, Donald Trump, como reabrir o estreito de Ormuz e lançar as bases para o desmantelamento do programa nuclear iraniano.

Esta fonte afirmou que o rascunho do acordo "cumpre os objetivos centrais que o presidente dos Estados Unidos estabeleceu" ao iniciar a guerra contra o Irão em fevereiro passado e coloca Washington "numa posição muito, muito favorável".

O Irão tem reiterado que as suas atividades nucleares têm fins exclusivamente civis e rejeita as acusações de que procura desenvolver armamento atómico.

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O acordo obrigaria também o Irão a "deixar de financiar a violência" noutros países do Médio Oriente - como os rebeldes Huthis no Iémen, o Hamas na Faixa de Gaza e o Hezbollah no Líbano, - mas "faria com que todos respeitassem a soberania territorial iraniana".

O Irão receberia, em troca, um alívio das sanções, o que lhe permitiria "reintegrar-se na economia mundial", acrescentou.

O primeiro-ministro paquistanês, Shehbaz Sharif, país mediador, avançou hoje numa mensagem no X que "foi alcançado um texto definitivo e consensual do acordo de paz".

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O Presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, disse esta quinta-feira que tinha alcançado um "grande acordo" de paz com o Irão, ainda por formalizar, e que poderia ser assinado este fim de semana na Europa.

O Irão negou ter chegado a um acordo após a mensagem de Trump, mas hoje, Abbas Araghchi afirmou que o "memorando de entendimento" com Washington "nunca esteve tão próximo".

Esta última aproximação surge depois de os EUA e o Irão terem trocado uma nova ronda de ataques esta semana, na sequência do abate de um helicóptero norte-americano pelas forças iranianas.

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As negociações decorrem após o cessar-fogo alcançado em abril e procuram consolidar um acordo mais amplo para encerrar o conflito que envolve o Irão, os Estados Unidos e Israel.

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