Ao minuto19h35

EUA e Irão avaliam extensão do cessar-fogo por duas semanas. Casa Branca confirma que “discussões” continuam

Acompanhe os desenvolvimentos do dia no conflito no Médio Oriente.
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Foto: Julia Demaree Nikhinson/AP Donald Trump fala à imprensa. Foto: Salwan Georges Presidente dos Estados Unidos, Donald Trump. Foto: Julia Demaree Nikhinson/AP Vigília pelos mortos no Líbano. Foto: Abedin Taherkenareh Iranianos passam por um cartaz do antigo líder supremo, em Teerão. Foto: Olga Fedorova/EPA Protesto contra a guerra no Irão, em Nova Iorque Foto: Yahya Arhab/LUSA_EPA Houthis celebram cessar-fogo entre EUA e Irão.
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Últimos eventos
19h31

Casa Branca diz que “discussões” com Irão continuam

A secretária de Imprensa da Casa Branca, Karoline Leavitt, adiantou que os EUA “não pediram formalmente a extensão do cessar-fogo” com o Irão, mas confirmou que ambas as partes continuam em contacto. 

“Neste momento, continuamos muito envolvidos nestas negociações, nestas conversações”, disse a responsável no habitual briefing com jornalistas.     

Leavitt acrescentou que há “discussões” acerca de serem realizadas mais negociações presenciais, “mas nada é oficial até que o ouçam de nós aqui na Casa Branca”.

A porta-voz disse também que a próxima ronda de negociações vai ter lugar “muito provavelmente” na capital paquistanesa de Islamabad, tal como a anterior.

16h28

EUA e Irão avaliam extensão do cessar-fogo por duas semanas

Os EUA e o Irão estão a considerar o prolongamento do cessar-fogo que termina na terça-feira durante duas semanas, de forma a que haja mais tempo para a negociação de um acordo de paz, de acordo com fontes citadas pela Bloomberg.

Os mediadores de ambas as partes estão a tentar organizar negociações técnicas para resolver as questões mais problemáticas, refere a agência. Estas incluem a reabertura do estreito de Ormuz e o enriquecimento de urânio.

Se forem bem-sucedidas, estas conversações poderão abrir caminho para a próxima ronda de negociações entre os representantes de ambos os países. Contudo, não existem garantias de que o cessar-fogo seja prolongado e os EUA não concordaram com a extensão, de acordo com um responsável norte-americano.

De acordo com a Sky News, a próxima ronda de negociações poderá ter lugar em novamente em Islamabad, no Paquistão, na próxima semana, depois de o Presidente dos EUA, Donald Trump, ter dito na terça-feira que as conversações poderiam ter ocorrer nos “próximos dois dias”.

15h15

Paquistão entra na segunda semana de racionamento de energia

O Paquistão entrou hoje na segunda semana de um rigoroso plano de racionamento de energia, que transformou as zonas mais comerciais em "desertos", para evitar o colapso das reservas face à crise no Estreito de Ormuz.

O plano foi imposto pelo primeiro-ministro Shehbaz Sharif para poupar energia, como forma de enfrentar a falta de petróleo e gás decorrente do bloqueio da passagem de Ormuz, na sequência da guerra no Irão, desencadeada por uma ofensiva israelo-americana.

Segundo dados oficiais, o Governo já cortou cerca de 40% das verbas destinadas a combustível a todos os responsáveis da administração e proibiu por completo a compra de novos veículos para as instituições estatais.

Além disso, Sharif anunciou a suspensão imediata de 60% da frota oficial de veículos e obrigou os membros do seu gabinete a renunciar aos seus salários, num esforço para libertar fundos para "medidas de ajuda pública" destinadas aos mais vulneráveis.

O racionamento levou zonas de divertimento noturno em algumas das principais cidades do país, como Lahore e Rawalpindi, à quase escuridão e nas autoestradas a polícia nacional reduziu os limites de velocidade de 120 para 100 quilómetros por hora para otimizar os consumos dos veículos ligeiros.

Até o desporto nacional sucumbiu a esta "economia de guerra", com a Liga de Críquete do Paquistão, o evento desportivo mais rentável do país, a ser atualmente disputada à porta fechada e sem espetadores para evitar os elevados custos operacionais da iluminação dos estádios.

Estes ajustamentos, que tentam compensar o aumento de 20% dos preços dos combustíveis registado em março, estão a ser adotados enquanto Islamabad negoceia um financiamento do Fundo Monetário Internacional (FMI) para aliviar o seu endividamento.

Ao mesmo tempo, o Governo de Shehbaz Sharif lidera a mediação regional entre Washington e Teerão para tentar retomar o diálogo diplomático e acabar com a atual guerra no Médio Oriente, iniciada a 28 de fevereiro com os ataques conjuntos dos Estados Unidos e de Israel ao Irão.

Em retaliação, Teerão atacou várias representações norte-americanas nos países do Golfo Pérsico e bloqueou a passagem de navios no Estreito de Ormuz.

Recentemente um acordo de cessar-fogo de duas semanas, de forma a permitir negociações, alterou a situação, sendo agora os Estados Unidos a reivindicarem o bloqueio do estreito.

Localizado entre o Irão e Omã, este corredor marítimo liga os produtores de petróleo do Golfo Pérsico aos mercados globais e é o canal de passagem de cerca de 20% de todo o consumo mundial de petróleo.

Além disso, Ormuz constitui também a principal rota para as exportações de gás natural liquefeito do Qatar, um dos maiores exportadores do mundo, pelo que qualquer interrupção ou bloqueio nesta zona causa aumentos imediatos e drásticos nos preços dos combustíveis a nível global.

12h08

Exportações de petróleo da Noruega atingem recorde em março devido à guerra

As exportações de petróleo bruto da Noruega atingiram um recorde em março de 57,4 mil milhões de coroas (cerca de 5,2 mil milhões de euros), um aumento homólogo de 67,9%, informou hoje o Instituto Norueguês de Estatística.

De acordo com a informação disponibilizada, o preço do petróleo situou-se, em média, em 1.014 coroas (cerca de 107,52 dólares) por barril em março, o nível mensal mais elevado desde setembro de 2023.

O aumento das exportações deve-se à guerra no Irão e ao encerramento do estreito de Ormuz.

O país escandinavo é o maior produtor de petróleo e gás natural da Europa, excluindo a Rússia.

Em tempos de paz, cerca de um quinto do petróleo bruto e do gás natural liquefeito (GNL) mundial transita pelo estreito de Ormuz.

"O encerramento do estreito de Ormuz provocou um choque de oferta significativo no mercado petrolífero, o que contribuiu para a subida dos preços do petróleo em março e, consequentemente, para as exportações com o valor mais elevado de sempre (pela Noruega)", afirmou o analista Jan Olav Rorhus, citado em comunicado.

Numa reação os dados divulgado pela Noruega, o presidente norte-americano, Donald Trump, escreveu na rede Truth Social: "A Europa precisa desesperadamente de energia e, no entanto, o Reino Unido recusa-se a explorar o petróleo do Mar do Norte, um dos maiores campos do mundo. É trágico!!!".

A Noruega deve grande parte da sua prosperidade às reservas de petróleo e gás, uma vez que o país investe as receitas do Estado provenientes destes recursos no fundo soberano, o maior do mundo.

Criado no início da década de 1990, este fundo tem como objetivo financiar as despesas futuras do Estado norueguês, uma vez que as receitas provenientes das exportações de petróleo e gás deverão diminuir a longo prazo.

11h56

EUA e Irão chegam a acordo de princípio para alargamento do cessar-fogo

Os mediadores do conflito entre os EUA e o Irão dizem que estão a fazer progressos na negociação de um prolongameto do atual cessar-fogo, que expira no próximo dia 22. À Associated Press, duas fontes dizem que há um "acordo de princípio" para alargar o prazo e dar mais margem aos esforços diplomáticos.

A notícia surge numa altura em que o próprio Presidente dos EUA admite novas negociações de paz em Islamabad nos próximos dois dias. Além disso, desde segunda-feira que vigora um bloqueio americano do estreito de Ormuz, que se aplica a todas as embarcações que passem por portos iranianos.

Segundo a AP, os mediadores estão a tentar que se obtenha algum tipo de compromisso em torno dos três principais pontos de discórdia que inviabilizaram as negociações no fim de semana passado: o programa nuclear do Irão, o estreito de Ormuz e a indemnização por danos de guerra.

11h50

Relações entre China e Rússia são "preciosas" no atual contexto internacional, diz Xi Jinping

O presidente chinês, Xi Jinping, afirmou hoje que a estabilidade e a previsibilidade das relações entre a China e a Rússia são particularmente "preciosas" num contexto internacional marcado por "mudanças e turbulência".

Durante um encontro em Pequim com o ministro dos Negócios Estrangeiros russo, Serguei Lavrov, Xi considerou que a "forte vitalidade" e o "significado exemplar" do tratado de amizade entre os dois países se destacam ainda mais neste cenário.

O líder chinês defendeu que os ministérios dos Negócios Estrangeiros de ambos os países devem implementar plenamente o consenso alcançado com o Presidente russo, Vladimir Putin, apelando ao reforço da comunicação estratégica e à coordenação diplomática.

Xi instou ainda as duas partes a promover a parceria estratégica abrangente entre Pequim e Moscovo para que "atinja novos patamares, avance de forma mais estável e vá mais longe".

O Presidente chinês não especificou, contudo, a que se referia ao mencionar "mudanças e turbulência" no cenário internacional, numa altura em que persiste a incerteza sobre a duração da guerra no Irão.

Numa entrevista à Fox Business Network, o Presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmou na terça-feira que o conflito estaria "perto do fim", tendo reiterado a posição de que Washington alcançou uma vitória, apesar de a situação no terreno continuar incerta.

As relações entre a China e a Rússia têm-se aprofundado nos últimos anos, em particular após a invasão russa da Ucrânia, no início de 2022.

Quando Putin visitou a China em setembro, Xi recebeu o homólogo como um "velho amigo", tendo o líder russo retribuído o gesto ao tratá-lo como "querido amigo".

Lavrov chegou à China na terça-feira para uma visita de dois dias, a convite do homólogo chinês, Wang Yi.

11h46

Governo belga admite que "não há dinheiro" para alívio de crise energética

O primeiro-ministro belga Bart De Wever, disse hoje que o Governo não vai propor novas medidas de alívio económico para a crise energética, alegando falta de margem fiscal, apesar da pressão dos seus parceiros de coligação.

"Não disse que as pessoas não devam ser ajudadas, mas não há dinheiro", alegou o chefe de Governo nacionalista flamengo numa intervenção feita no parlamento federal belga.

Na semana passada, o Governo decidiu alocar toda a receita fiscal extraordinária gerada pelo aumento dos preços da energia para apoiar medidas para as famílias e trabalhadores vulneráveis que precisam de se deslocar de carro e são os mais afetados pela subida dos preços dos combustíveis.

A ajuda está estimada em cerca de 60 milhões de euros e será temporária.

Hoje, na Câmara Baixa, o primeiro-ministro foi questionado sobre a possibilidade de aprovar novas medidas de auxílio, como a redução automática dos impostos sobre os combustíveis quando estes ultrapassam determinados limites, mas recusou a possibilidade.

O Movimento Reformista, o segundo maior grupo político da coligação governamental, ameaça bloquear qualquer acordo governamental caso o Conselho de Ministros não aprove novas medidas de ajuda económica geral na próxima sexta-feira.

Um dos principais pilares do programa do Governo belga, uma coligação de sete partidos, é a redução do défice público, que a Comissão Europeia estima que atinja os 5,3% em 2025 e 5,5% em 2026 e 5,9% em 2027.

O aumento do custo da energia é um dos impactos mais diretos e severos da guerra no Irão, mas também da guerra na Ucrânia.

O conflito no Médio Oriente causou uma subida de 27% no preço do petróleo, enquanto os preços do gás dispararam 50%.

O Fundo Monetário Internacional (FMI) estima que a energia fique 19% mais cara no mundo em 2026.

10h27

EUA enviam milhares de soldados para o Médio Oriente. Objetivo será pressionar Teerão

O Pentágono estará a preparar-se para enviar milhares de soldados para o Médio Oriente nos próximos dias, numa altura em que a administração Trump tenta pressionar o Irão a chegar a um acordo que possa pôr fim ao conflito que já dura desde o dia 28 de fevereiro, avança o Washington Post, que cita fontes oficiais norte-americanas. 

O envio de forças adicionais para a região dá-se numa altura em que existe um generalizado otimismo de que Washington e Teerão poderão voltar a sentar-se à mesa das negociações dentro dos próximos dias, depois de a reunião deste fim de semana em Islamabad ter terminado sem qualquer entendimento entrra as partes. Nesta medida, a administração Trump estará a ponderar a possibilidade de novos ataques ou operações terrestres caso o frágil cessar-fogo não se mantenha, afirmaram as fontes ao jornal norte-americano.

O destacamento inclui marinheiros e fuzileiros navais que deverão chegar à medida que a administração tenta impor um bloqueio marítimo contra o regime de Teerão.

09h45

Irão usou satélite chinês para atingir bases dos EUA no Médio Oriente

O Irão recorreu a um satélite de origem chinesa para monitorizar e apoiar ataques contra bases militares dos Estados Unidos no Médio Oriente, segundo uma investigação do Financial Times baseada em documentos militares iranianos divulgados. O sistema, designado TEE-01B, foi adquirido em 2024 pela força aeroespacial do Corpo da Guarda Revolucionária Islâmica (IRGC), após ter sido lançado a partir da China.

O satélite foi utilizado para recolher imagens antes e depois de ataques com drones e mísseis em março, incluindo sobre a base aérea Prince Sultan, na Arábia Saudita, onde aviões norte-americanos foram atingidos. Também foram monitorizadas instalações militares na Jordânia, Bahrein, Iraque e Kuwait, bem como infraestruturas estratégicas civis na região do Golfo.

O TEE-01B, desenvolvido pela empresa chinesa Earth Eye e operado com suporte da Emposat, permite captar imagens com uma resolução de cerca de meio metro, significativamente superior às capacidades anteriores do Irão. O recurso a tecnologia estrangeira reforça a capacidade militar de Teerão e evidencia o aprofundamento da cooperação com a China, levantando preocupações sobre o impacto na segurança regional.

09h19

Bloqueio dos EUA pode forçar Irão a cortar produção de petróleo em semanas

O Irão poderá ter de reduzir a produção de petróleo dentro de duas semanas caso um eventual bloqueio naval dos Estados Unidos consiga travar as exportações, avança o Financial Times. Com os depósitos de armazenamento a cerca de 51% da capacidade, o país terá margem para aproximadamente 16 dias de produção adicional antes de atingir níveis máximos, o que obrigaria a cortes para evitar danos nos campos petrolíferos.

Segundo o jornal, o Irão exporta atualmente cerca de 1,8 milhões de barris por dia e poderá continuar a produzir durante 10 a 15 dias após uma eventual interrupção das vendas externas, antes de reduzir a atividade. Parte da produção tem sido armazenada em petroleiros, com um a dois superpetroleiros carregados diariamente no terminal de Kharg Island, permitindo ganhar algum tempo face a restrições logísticas.

Apesar da pressão, Teerão tem conseguido manter exportações durante o conflito e até beneficiou de preços mais elevados, após um alívio temporário de sanções por parte de Washington. Ainda assim, um bloqueio eficaz poderá custar cerca de 435 milhões de dólares por dia e colocar forte pressão económica sobre o regime, numa altura em que as receitas petrolíferas são críticas.

Os analistas admitem riscos de escalada no conflito, incluindo perturbações no transporte marítimo no Mar Vermelho, o que poderá ampliar o impacto nos mercados energéticos globais.

08h42

Vários voos entre China e Sudeste Asiático cancelados devido ao preço do combustível

Vários voos entre a China e o Sudeste Asiático e a Oceânia foram cancelados nos últimos dias, devido à subida dos custos de combustível causada pela guerra no Irão, informou hoje o jornal The Paper.

Desde o início do mês, algumas rotas que ligavam cidades chinesas a destinos na Tailândia, Laos, Malásia ou Camboja suspenderam temporariamente todos os voos, enquanto noutras, com destino à Austrália ou à Nova Zelândia, a taxa de cancelamento atinge 83,3%.

Segundo o jornal South China Morning Post, outras companhias aéreas, como a paquistanesa PIA, também reduziram voos com a China e outros destinos, enquanto empresas das Filipinas, Vietname ou Nova Zelândia cortaram rotas, e a Cathay Pacific, de Hong Kong, já anunciou que vai cancelar 2% dos seus voos em maio e junho.

Lin Zhijie, especialista citado pelo The Paper, explicou que o combustível de aviação -- cerca de um terço dos custos de uma companhia aérea -- praticamente duplicou de preço desde o início da guerra no Irão, enquanto os bilhetes não acompanharam essa subida, colocando algumas empresas numa situação em que, quanto mais voos operam, maiores são as perdas.

Além disso, alguns dos países mencionados enfrentam problemas de abastecimento de combustível devido ao bloqueio 'de facto' do estreito de Ormuz -- destino de entre 84% e 90% do petróleo que transita por esta rota marítima crucial -- o que agrava os custos e cria incerteza quanto à capacidade de reabastecimento.

As companhias melhor posicionadas neste contexto são as transportadoras 'low cost' chinesas, como a Spring Airlines, que conseguem transportar até mais 25% de passageiros do que outras companhias com os mesmos aviões, mitigando assim o impacto dos custos acrescidos com combustível, acrescentou Lin.

Segundo dados da plataforma Flight Manager, a China deverá registar no próximo feriado de maio um aumento das viagens, tanto em volume como em preços: as tarifas médias dos voos domésticos subiram 9,6% em termos homólogos e mais de 20% face ao mesmo período de 2019.

A China tem resistido melhor ao impacto da guerra do que outros países da região, graças à sua capacidade interna de refinação, tendo também restringido as exportações de combustível, o que deixou alguns países vizinhos sem uma alternativa de fornecimento.

Após uma das maiores subidas recentes dos combustíveis, os reguladores chineses anunciaram que vão limitar esse aumento a cerca de metade do habitual, para proteger os consumidores.

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