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Davos começa esta quarta-feira mas antes já chegou uma carta do Papa

“Rogo a todos para que garantam que a humanidade seja servida pela riqueza e não regida por ela”. A frase consta da mensagem enviada a partir do Vaticano para Davos, na Suíça, onde, entre 22 e 25 de Janeiro, se reúne a cúpula da política e da economia mundial. De Portugal, a participação de Pires de Lima é o destaque.

Davos
Davos Bloomberg
21 de Janeiro de 2014 às 23:01

Davos é uma localidade da Suíça. É a casa de uma estância de esqui do mundo. Perto do Liechtenstein e não muito distante de Itália, a localidade recebe, anualmente, o Fórum Económico Mundial. 2014 não é excepção.

Mais de 1.500 empresários e outros tantos políticos chegam de todo o mundo para a estância de Davos, onde a edição do Fórum deste ano se prende com “O Mundo em Reformulação: Consequências para a Sociedade, Política e Empresas”.

Contudo, antes de aterrarem nomes da política internacional como o primeiro-ministro do Japão, Shinzo Abe, a presidente do Brasil, Dilma Rousseff, ou o presidente do Banco Central Europeu, Mario Draghi, já chegou a Davos uma carta vinda do Vaticano. Uma mensagem em que o chefe da Igreja Católica pede aos participantes do 44º Fórum Económico Mundial para colocarem a inovação ao serviço da humanidade.

“Aqueles que demonstraram a capacidade para serem inovadores e para melhorarem a vida de muitas pessoas podem, através do engenho e da competência profissional, contribuir ainda mais ao colocarem a sua perícia ao serviço daqueles que estão a viver em extrema pobreza”, escreveu o Papa Francisco, numa mensagem lida no discurso de abertura do Fórum, esta terça-feira, 21 de Janeiro. 

 
O que é o Fórum

Segundo o site oficial, o Fórum Económico Mundial, conhecido pela terra que o recebe, Davos, é uma organização internacional independente cujo intuito é o de "melhorar o estado do mundo", algo que pretende concretizar com a junção de líderes empresariais, políticos e académicos "para dar forma às agendas global, regionais e industriais".

“Rogo a todos para que garantam que a humanidade seja servida pela

riqueza e não regida por ela”, pediu ainda o Papa Francisco na sua comunicação, onde considerou “intolerável” que “milhares de pessoas continuem a morrer à fome todos os dias, apesar de haver uma quantidade considerável de alimentos disponíveis”. É contra esses factos que o sucessor de Bento XVI solicita uma “nova mentalidade política e empresarial” e é por isso que pede que os pobres seja vistos para além de um olhar assistencialista.

A Oxfam, confederação internacional de combate à pobreza e à injustiça, fez um relatório para o Fórum Económico e Mundial em que concluiu que quase metade da riqueza mundial está concentrada em 1% da população.

Junto dos participantes neste encontro, o Fórum Económico percebeu ainda que as situações orçamentais de cada país e o desemprego são as principais preocupações, intimamente ligadas à desigualdade na distribuição de rendimentos e à instabilidade social e política.

Em avaliação em Davos estarão as “profundas forças políticas, económicas, sociais e, acima de todas, tecnológicas” que estão a transformar a vida de todos em todo o mundo.Serão 2.500 participantes a discuti-las, 1.500 deles empresários. Perto de 10 são portugueses.

 
As “notáveis” presenças 
Mais de 2.500 participantes. Mais de 30 chefes de Estado. Shinzo Abe, primeiro-ministro do Japão, e David Cameron, primeiro-ministro do Reino Unido, são alguns dos representantes oficiais.

Nomes institucionais, como Christine Lagarde, em nome do Fundo Monetário Internacional, e Mario Draghi, do Banco Central Europeu, não vão faltar ao encontro que termina a 25 de Janeiro.

Do mundo empresarial, Marissa Mayer, presidente da Yahoo! é uma das presenças confirmadas, a par de outros nomes da cultura como Matt Damon. Kofi Annan também está entre os que estarão na estância de esqui.

 
As “notáveis” ausências
O “New York Times” escreveu uma peça com as “notáveis” ausências em Davos: as grandes luzes da economia e da política global que, repetidamente, negam os convites para irem à Suíça.

Warren Buffett, o multimilionário norte-americano, nunca participou neste evento. Da Apple, Steve Jobs nunca se dirigiu à Suíça e o seu sucessor, Tim Cook, também não vai juntar-se aos outros 1.500 empresários.

Os presidentes executivos da General Electric e da IBM também não estarão presentes.

Do mundo político, a grande ausência é protagonizada por Angela Merkel. Segundo o "El Mundo", a chanceler alemã não participará no encontro de Davos devido a reuniões de conselhos de ministros do novo governo de coligação, que se irão realizar no final desta semana.

 
Os "notáveis" portugueses

O contingente português conta com cerca de uma dezena de participantes. O ministro da Economia, António Pires de Lima, é o representante oficial do Estado português no encontro de Davos. Leonardo Mathias, secretário de Estado, deverá acompanhá-lo.

O “Diário Económico” avançava, na semana passada, que Durão Barroso, enquanto presidente da Comissão Europeia, e António Guterres, comissário das Nações Unidas, marcariam presença neste encontro. O médico português Francisco Goiana da Silva estará igualmente em Davos.

Do sector privado, contam-se Pedro Soares dos Santos, da Jerónimo Martins (a retalhista já no ano passado marcou presença), António Simões, português à frente do HSBC, Beatriz Pessoa de Araújo, da firma de advogados norte-americana Baker & McKenzie, e Rui Amaral, director da firma controlada por portugueses Eurocash.

Um dos nomes que era adiantado era, também, o de Henrique de Castro, que entretanto abandonou da Yahoo!.

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