Entre Espanha e França, Pires de Lima dá um pulo a Davos
O Governo decidiu participar no Fórum Económico Mundial de 2014. Interessado em estabelecer contactos com possíveis investidores em Portugal, Pires de Lima vai a Davos, que no ano passado não mereceu as atenções do Executivo.
“Não há lugar nenhum no mundo onde tantos envolvidos no nosso futuro se juntem, todos unidos na missão de melhorar a situação mundial”. A frase é do fundador e presidente do Fórum Económico Mundial, Klaus Schwab. António Pires de Lima, preocupado com a promoção de Portugal, vai a esse encontro, ao contrário do que aconteceu nos anos anteriores.
A notícia de que o ministro da Economia iria a Davos foi avançada pelo “Diário Económico” no início de Janeiro. “Promover Portugal” tem sido o objectivo primordial do ministro nas suas viagens pelo estrangeiro.
Antes de se dirigir para a Suíça, onde se realiza o 44º Fórum Económico Mundial, Pires de Lima continuará por Madrid, onde começou esta terça-feira uma viagem de dois dias. Na capital espanhola, os encontros com ministros e empresários espanhóis têm como finalidade a captação de investimento. O destino seguinte é França, na próxima semana, inserido no “roadshow” internacional que iniciou em Londres e que já passou por Berlim, Moscovo, São Francisco, Nova Iorque e Washington.
Pelo meio, Pires de Lima viaja com o secretário de Estado Leonardo Mathias para a estância de esqui onde se encontram 2.500 participantes de renome internacional. David Cameron, primeiro-ministro britânico, Christine Lagarde, do FMI, e Mario Draghi, do BCE, são presenças institucionais nesta localidade suíça em que a grande fatia dos participantes – 1.500 – são empresários. Em Davos, o ministro deverá continuar promover o investimento em Portugal. Pires de Lima acredita que “2014 será o primeiro ano de crescimento do investimento em Portugal em muitos anos”.
Na edição do Fórum Económico Mundial do ano passado, o Governo não se fez representar. Nessa altura, em conversa com especialistas em relações internacionais, o Negócios concluiu que a ausência de governantes nacionais em Davos era prejudicial para o país. "Fazem-se negócios em todo o lado, mas só num sítio como Davos podemos estar ao pé de pessoas importantes e interessantes, em tão poucos dias", disse, na altura, Carlos Gaspar, da direcção do Instituto Português de Relações Internacionais, que relembrava que havia indicadores importantes económicos que deveriam ser mostrados.
Na mesma altura, Paulo Gorjão, director do Instituto Português de Relações Internacionais e Segurança (IPRIS), afirmava que Davos não estava “no radar da classe política portuguesa”. Este ano, Pires de Lima, ministro desde Julho em substituição de Álvaro Santos Pereira, vai contrariar esta afirmação. Até porque Portugal está a aproximar-se do fim do programa de ajustamento económico e financeiro, marcado para 17 de Maio de 2014, e o país precisa de investidores interessados, por exemplo, na dívida nacional para que se consiga financiar em ajudas externas.