Davos dia 3: Lagarde alerta para os riscos de aliviar os esforços de consolidação
Directora-geral do Fundo Monetário Internacional considera que, apesar do optimismo que se vive no Fórum Económico Mundial de Davos, a economia global enfrenta riscos. Uns antigos, como a estabilidade financeira, e outros novos, como o caso a deflação.
O optimismo tem sido o sentimento dominante no Fórum Económico de Davos. Contudo, Christine Lagarde alerta que há riscos, nomeadamente, o risco de "complacência", ou seja, que os países comecem a aliviar os esforços de austeridade e controlo das contas públicas, colocando em causa as metas já alcançadas.
Numa entrevista à agência Bloomberg, no Fórum Económico Mundial de Davos, na Suíça, Christine Lagarde, directora-geral do Fundo Monetário Internacional (FMI), afirmou que a "complacência" é um risco para a recuperação da economia mundial. Mas não é o único.
Christine Lagarde enumerou ainda "o elevado desemprego, o frágil crescimento económico" e mais, recentemente, o risco de deflação. Para a líder do FMI, as "taxas de inflação estão, em geral, um pouco abaixo" das metas traçadas pelos bancos centrais. Se este comportamento se prolongar, "em particular na Zona Euro, há o risco potencial de que a inflação subjacente de longo prazo vá também baixar".
E caso isso aconteça, alertou a reponsável, "terá consequências em termos de taxas de juro potenciais e de custos de dívida, para países e empresas". "Caso haja um choque – algo que temos de considerar ainda que não esteja presente – aí teremos o risco da deflação", afirmou.
Christine Lagarde defendeu ainda que a regulação do sistema financeiro tem de ser concluída e precisa de ser constantemente "reavaliada e organizada para responder à criatividade dos mercados financeiros".
No caso da Europa, em Dezembro de 2013, os ministros das Finanças da União Europeia chegaram a um acordo para uma união bancária, cujo objectivo é evitar uma nova crise na Zona Euro. Prevista para o início de 2016, a união bancária será aplicada directamente a pouco mais de 300 bancos, os mais importantes da área do euro e os transfronteiriços. Um conselho de resolução será criado e deverá decidir recapitalizar ou liquidar um banco. O mecanismo europeu de estabilidade, o fundo de emergência da zona euro, será implicado na união bancária. O mecanismo de resolução é considerado o segundo pilar da união bancária, que deverá evitar que as crises bancárias atinjam as finanças dos Estados da Zona Euro. O primeiro pilar, supervisão única confiada ao Banco Central Europeu, entrará em vigor em 2014.
Lagarde apontou ainda que é necessário pensar que tipo de crescimento é esperado. "Os políticos vão ter de decidir entre o nível necessário de consolidação, o que nas economias desenvolvidas é ainda necessário, e medidas amigas de crescimento que vão ser necessárias para gerar crescimento económico", afirmou.
A responsável apontou ainda que as economias avançadas e as emergentes devem continuar a implementar as reformas estruturais que o FMI tem sugerido.