Davos dia 1: Tecnologias e os riscos da privacidade, a Europa e os riscos da recuperação
As grandes empresas tecnológicas, como a Yahoo e a British Telecom, e a recuperação europeia, nas palavras de Axel Weber e Kenneth Rogoff, concentraram as atenções nas primeiras horas do Fórum Económico Mundial.
Uma sondagem feita pela Bloomberg dá conta que mais de metade dos investidores, analistas e corretores consultados acredita que o mercado de dívida europeu já deixou a crise para trás. Mas, contra o optimismo, o presidente do UBS, Axel Weber, alertou para o facto de a recuperação europeia não ser, ainda, motivo para excitação. Neste momento, a Europa está a viver uma época “irregular” e “baça”. Além disso, não foi ainda capaz de começar a baixar o desemprego.
“A economia está demasiado fraca para aguentar o tipo de crescimento nos empregos que é preciso para sair da crise”, disse o banqueiro alemão, citado pelo “The Guardian”.
Em declarações em Davos, transmitidas pela Bloomberg e pelo “Financial Times”, Weber (na foto) apontou para dois perigos na Europa este ano. Por um lado, os resultados das eleições europeias podem conduzir a protestos políticos, que trarão consigo volatilidade para os mercados. Por outro lado, os testes de stress para a banca europeia deverão criar um “novo alarme” no mercado.
“Acredito que alguns dos bancos não serão aprovados nos testes de stress e estou preocupado porque, quando isto se tornar óbvio, pode desencadear uma reacção no mercado”, avisou o alemão que já dirigiu o banco central alemão.
Num tom ligeiramente mais optimista, o académico Kenneth Rogoff afirmou, em entrevista à Bloomberg, que ainda há desafios severos pela frente da Europa no que diz respeito ao crescimento, apesar de o Velho Continente se estar a tornar mais estável. Rogoff disse, também, que é necessária uma maior integração orçamental na Zona Euro – algo que, aliás, é dito na Europa desde o início da crise da dívida soberana, em 2010.
Tecnologias querem mais controlo à NSA
Outro dos temas quentes do dia foi a tecnologia e a (falta de) privacidade. As grandes tecnológicas, reunidas em Davos, mostraram-se preocupadas com o acesso que a NSA, a agência de segurança nacional dos Estados Unidos, tem a dados de civis, como se percebeu depois das relevações feitas por Edward Snowden.
Patterson não foi o único a mostrar preocupação. Marissa Mayer (na foto), a presidente da Yahoo, considera que deveria ter possibilidade de publicitar os pedidos de acesso a dados pessoais por parte da NSA, tal como já acontece com solicitações federais. “Queremos mesmo ser capazes de fazer o mesmo ao nível da NSA”, disse.
“O que é sombrio sobre o que está a acontecer hoje é que as pessoas não têm, necessariamente, de saber que dados seus estão a ser colectados nem para que estão a ser usados”, declarou a responsável, segundo o jornal britânico.
2014, o ano da viragem
Sobre o próximo ano, Mayer aventurou-se a classificá-lo como “um ponto de viragem”. “Vai mudar as rotinas de toda a gente na sua essência”. Segundo a empresária, citada pela Lusa, até ao final do ano, a empresa terá mais utilizadores com portáteis e mais tráfego de Internet móvel do que computadores fixos e acessos fixos à Internet.
Nouriel Roubini, a partir do Twitter, também falou do futuro. “Na terceira revolução industrial, teremos robótica, automação, impressão 3D e nanotecnologias. Mas só serão criados empregos especializados”.